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rss  Vol. XVI - Nº 270         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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No fim de semana de 7 de julho

CYCLO-DÉFI – portugueses de bicicleta contra o Cancro

Raquel Cunha

Por Raquel Cunha

No fim de semana passado, dias 7 e 8 de Junho, teve lugar mais uma iniciativa «Cyclo-Défi Contre le Cancer», organizado pelo Hospital Geral Judeu de Montreal, para angariar fundos para o combate da referida doença. Foram 1 956 ciclistas e um número indeterminado de voluntários que juntos este ano angariaram milhares de dólares para o combate e prevenção do cancro no Quebeque.

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Casimiro Duarte, também conhecido por Pelé, e Martinho Ferraria, quando se preparavam para a partida do Cyclo-Défi.
Foto - LusoPresse

Martinho Ferraria e Casimiro Duarte, dois membros da nossa comunidade, participaram nesta corrida e o LusoPresse não poderia deixar de querer saber mais sobre a experiência.

Amigos há mais de 30 anos, nenhum deles sabia que o outro iria participar, «foi uma surpresa completa», conta Martinho, que ouviu um anúncio na rádio e resolveu participar. «Sempre gostei de andar de bicicleta e por isso inscrevi-me. Fui bater a portas para angariar o dinheiro», explica com um sorriso. Uma das portas a que foi bater e a que mais o ajudou foi a da Associação Sanbentonense de Montreal que todos os anos contribui para a causa e que por isso contribuiu de bom grado nesta iniciativa. Martinho não deixa também de realçar a ajuda de outros. «Fiz uma coleta e entre amigos, família, clientes, companhias e a associação consegui mais de 3 200 dólares», diz orgulhoso. Dinheiro que foi inteiramente doado ao Hospital. «Fico contente em poder ajudar. Acho que é por uma boa causa. Eu tenho um tio e amigos que sofreram dessa doença e sei o difícil que é».

Ciclo Defi duas mulheres em silencio.JPG
Momento solene quando duas das participantes fomentam uma suposta partida de um ou outro participante já levado por tão famigerada doença. Enquanto isso acontecia,os mais de 2 mil participantes, entre ciclistas e voluntários, guardavam um minuto de silêncio
Foto- LusoPresse

Enquanto isso, Casimiro Duarte viu o anúncio da iniciativa na televisão, faz já um ano. Desafiou o vizinho para participar. «Como ele nunca mais se inscrevia», Casimiro decidiu inscrever-se. «Estava pronto para ir sozinho». Contudo, não sabia que teria de pagar 2 500 dólares, «mas como já estava inscrito, decidi ir em frente». Entre a companhia em que trabalha, a Volkswagen Centre Ville, colegas de trabalho e outras companhias, conseguiu angariar o dinheiro necessário.

Foi só cerca de dois meses antes da partida «quando o Martinho telefonou para a Volkswagen a pedir financiamento, que eles lhe disseram que eu também ia», conta Casimiro com um sorriso.

Ironia das ironias, dois amigos de longa data, ambos trabalhadores no ramo da mecânica automóvel, deixaram os carros em casa e partiram de bicicleta à aventura. «Treinamos juntos cerca de 3 a 4 vezes por semana», conta Martinho. «Eu descobri este hobby agora depois de velho, mas gosto muito», continua e diz também que tenta praticar o mais possível «para manter a forma». Mas é Casimiro o grande amante de ciclismo. Já pratica o desporto com regularidade há algum tempo, mas foi só «este ano que comprei uma bicicleta melhor, que estou mais sério» e por mais sério entenda-se que faz entre 30 a 40 quilómetros todas as noites.

«Pensámos que estávamos preparados» – Martinho Ferreira

Partiram às 9 da manhã de sábado, de Repentigny. Como os participantes estavam divididos em equipas «a nós calhou-nos representar a companhia Paladin», outro grande patrocinador do evento. «Eles ofereceram tudo, o equipamento, tudo», acrescenta Martinho Ferraria.

A cada 30 quilómetros tinham um ponto de paragem com «comida, bebidas, casas de banho, massagista, primeiros socorros, etc...», elucida-nos Martinho. Os dois seguiram lado a lado nesse primeiro dia, em que «fazia muito calor», para chegarem a Trois-Rivières por volta das duas da tarde, após um almoço ligeiro ao meio-dia.

Foi lá que se repousaram e passaram a noite. «Havia 3 camiões equipados com duche, jantar, fisioterapeutas, médicos, tudo», conta Casimiro, para logo acrescentar que «de facto a organização está de parabéns. Foi perfeito», conclui.

Pelo caminho encontraram outros 2 portugueses, dos quais não sabem o nome. Um cujo o apelido é Ruby e o outro um «jovem rapaz com cerca de 30 anos», conta Martinho e logo explica: «foi a namorada dele que viu o meu nome e disse-lhe que eu era português. E assim começamos a falar». Os dois concordam que talvez houvesse muitos outros portugueses, «era muita, muita gente. É impossível saber», finaliza Casimiro Duarte.

«Estava tudo muito bem organizado», conta Martinho. «Não faltava lá nada», continua, «exceto o colchão», acrescenta Casimiro. É que «como pensávamos que eles nos ofereciam tudo, desde as tendas às comidas, etc., não levámos colchão», explica Casimiro. Por isso «dormi mal, em cima da relva», com Martinho a acrescentar que «foi a primeira vez que me meti dentro de um saco de cama e não estou acostumado a dormir numa coisa tão pequena». Partilharam a tenda, mas explicam que houve muita gente que preferiu reservar um hotel.

No segundo dia, fizeram apenas metade da corrida juntos, o resto Casimiro fez à frente. «Íamos falando por telemóvel, para o caso de acontecer alguma coisa», explica. Casimiro, que cruzou a linha de chegada por volta da uma da tarde, foi um dos primeiros a chegar. Já Martinho, só o fez por volta das duas e meia, «foi difícil. O final foi muito difícil. Só queríamos chegar», revela Martinho. E explica que o seu maior medo era de cair. «Havia muitas bicicletas e muita gente caiu. Eu tentei evitar os aglomerados e consegui não cair».

Quanto à experiência, o balanço foi «mais que positivo». Tanto que os dois pretendem participar outra vez no próximo ano. Martinho Ferraria já está inscrito e Casimiro Duarte pensa em o fazer brevemente. «Vamos outra vez para o ano», afirma Martinho, que ao mesmo tempo deixa a mensagem que «todas as pessoas que puderem deviam participar, se não for de bicicleta, como voluntário para ajudar na assistência. É por uma boa causa e é uma experiência verdadeiramente especial».

Vale pois a pena e faz bem ao físico e ao espírito. Quanto aos nossos atletas, os nossos sinceros parabéns!

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No fim de semana passado, dias 7 e 8 de Junho, teve lugar mais uma iniciativa «Cyclo-Défi Contre le Cancer», organizado pelo Hospital Geral Judeu de Montreal, para angariar fundos para o combate da referida doença.
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