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rss  Vol. XVI - Nº 270         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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Editorial

Verão estragado

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Ao contrário do que previam as línguas de mau agoiro, este verão de 2012 começou como um leão, investe como um touro e, se a zoologia no-lo permite e a meteorologia não o negar, acabará em paquiderme, de pança para o ar, com relentos de óleo de coco do bronzeador.

Para ser o melhor verão de sempre só o senhor Jean Charest nos pode acudir, evitando chamar os eleitores às urnas em setembro. Isto é, poupando-nos da lengalenga dos candidatos políticos que nos vão tentar arregimentar durante todo o mês de agosto, o mês das férias por excelência. E quem diz agosto, diz o doce farnient no seu auge, diz praia, brisa ligeira, refrescos, livros, idas ao cinema, saídas com a miudagem ao aquaparque ou à La Ronde. Tudo menos a propaganda política, as lutas de cartazes, os ultrajes à verdade, ao bom senso e à boa harmonia que se instalou com a chegada do verão, dos festivais e, sobretudo, com o regresso às cozinhas dos batuqueiros de frigideiras.

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Infelizmente, a avaliar por todos os mexericos que nos chegam das antecâmaras do Partido Liberal do Quebeque, o vaticínio de que vamos a votos em setembro parece ser tão certo como a água do rio vai dar ao mar. É só uma questão de semanas até termos a certeza de que vamos amargar com uma campanha política no melhor das nossas férias.

Esta incerteza é uma das aberrações do sistema eleitoral do Quebeque. Ao contrário do que acontece no parlamento federal (embora de recente data) e em muitas outras províncias canadianas, aqui é ao primeiro-ministro provincial que cabe a total prerrogativa de decidir da data das eleições, no interior dos primeiros cinco anos após a sua eleição. Um dia as coisas vão mudar, sob a pressão popular, mas até lá todos os partidos que têm passado pelo poder, preferem utilizar esta prerrogativa de decidirem da data das eleições quando julgam que os ventos estão mais de feição.

É o que se está a passar. Com um governo extremamente impopular nas sondagens, devido às acusações de corrupção, com uma comissão que vai dar que falar em Pauline Marois setembro, quando reabrirem as audiências públicas sobre a dita cuja, com o agravamento da crise social provocada pelas greves estudantes e amplificada pelos indignados da frigideira, a única porta de salvação do governo liberal de Jean Charest é aproveitar-se da onda de descontentamento de cinquenta por cento da população contra o movimento estudantil e o partido Québécois que alimentou a militância estudantina. Esta nem é uma porta de salvação, no máximo é uma frincha que se abre, uma abertura por onde ele possa escapar, ainda que minoritário.

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Pauline Marois

Como dizia «o outro», é difícil fazer previsões, sobretudo quando se trata do futuro...

Com três partidos de peso e vários de contrapesos, sem contar com os independentes, a vida política quebequense – que ora oscila entre independentistas e federalistas, ora entre direitas e esquerdas, ou mesmo entre verdes e negacionistas – não é fácil de explicar aos recém-chegados. O menos que se pode dizer é que os partidos em liça são obrigados a liderar com um eleitorado extremamente volátil, extremamente emotivo, que hoje dá a sua camisa por «A» e amanhã a rasga por «B». Quem, no início das nas últimas eleições federais, ia adivinhar que o NPD (Novo Parido Democrático) havia de ganhar a maioria dos deputados do Quebeque? Um Quebeque que nunca na sua história tinha votado por aquele partido?

Que dizer dos caquistas de François Legault que ainda não eram partido e já as sondagens os davam como preferidos nas intenções de voto dos quebequenses, para agora estarem abaixo dos adequistas de Mario Dumont que os precederam?

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François Legault

No caso do NPD, foi a imagem carismática do malogrado Jack Layton, que com a sua bengala de resgatado do cancro arrancou a camisa aos eleitores daqui. No caso dos inícios fulgurantes de François Legault era ele quem respondia melhor ao desejo de «não importa quem, menos Charest ou Marois»!

Como dizia ainda um «outro» se a tendência se mantiver... vamos ter de volta um outro governo liberal, mas desta vez minoritário. Por mais barulho que façam à sua volta, por mais apoios sindicais e estudantes que lhe prometem, a Marois não passa. Cheira demasiado a oportunismo, a ânsia do poder, a arrivismo, a elitismo, mesmo se é filha dum garagista.

Jean Charest, mesmo com todas as gafes que a usura de nove anos de governo não perdoa, vai esgueirar-se entre a animosidade de uns – geralmente pequistas – e o desejo de mudança de outros, contando para o efeito com o empurrão maioritário e decisivo dos 20 por cento da população não francófona.

O futuro próximo nos dirá!

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Ao contrário do que previam as línguas de mau agoiro, este verão de 2012 começou como um leão, investe como um touro e, se a zoologia no-lo permite e a meteorologia não o negar, acabará em paquiderme, de pança para o ar, com relentos de óleo de coco do bronzeador.
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