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rss  Vol. XVI - Nº 270         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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Bilhete de Lisboa

 

Exposição «A Sardinha é Nossa»

Por Filipa Cardoso

 

A Sardinha e Nossa.jpg

Quando há meia dúzia de anos vim viver para Lisboa os meus amigos acharam muito estranho pois Lisboa tem todos os defeitos de uma grande cidade – poluição, barulho e o trânsito, por vezes, muito intenso. Contudo para mim as qualidades são mais que os defeitos e até agora não estou arrependida da decisão.

Esta semana «descobri» mais uns «tesouros» ao passear pela rua Augusta. 

Fui surpreendida por uma exposição com o título «A Sardinha é Nossa».  A exposição está patente na Galeria Millennium-bcp e resulta de uma parceria da Fundação Millennium com a «EGEAC Cultura em Lisboa» (Empresa de Gestão de Equipamentos de Animação Cultural) inserida nas Festas de Lisboa «12. 

Na exposição estão expostas 193 sardinhas, de tamanho normalizado, escolhidas das 3.526 propostas submetidas a concurso, oriundas de mais de 15 países.  Há sardinhas para todos os gostos, de todos os feitios e cores, e com muita imaginação.

No espaço da exposição vim a saber que poderia visitar o «Núcleo Arqueológico da rua dos Correeiros» que foi descoberto aquando da intervenção no edifício do banco Millennium-bcp e que ocupa aquele quarteirão pombalino da Baixa de Lisboa. Este espantoso núcleo arqueológico percorre cerca de 2.500 anos da cidade.

A primeira ocupação humana referenciada data do século V a.C. e podemos observar os vestígios de um forno cerâmico e abundante espólio característico da época. 

Em 138 a.C. a cidade foi tomada pelos Romanos e tornou-se num importantíssimo centro económico onde a produção de conservas de peixe assumiram grande relevo.

Dessa época podemos admirar vários tanques, um poço, sepulturas, várias ânforas,  mosaicos e muito mais.

A partir do século IX deu-se a ocupação islâmica que terminou em 1147 com a reconquista cristã da cidade.  Gradualmente esta cidade fica mais urbana e podemos apreciar vestígios de construções habitacionais, azulejos, e do que terá sido uma moagem.

Do traçado medieval sou levada a realçar o calcetamento das ruas e a criação de uma rede de esgotos, que continua a ser usada.

Em 1755 a cidade é atingida pelo devastador terramoto, seguido de incêndio, e o registo arqueológico revela uma destruição maciça do aglomerado urbano.

Surge então a Lisboa pombalina. É fantástico poder observar a estacaria e a estrutura em gaiola, em madeira, que se encontra em água, cujo nível sobe conforme as marés e que suporta, como alicerces, os monumentais edifícios existentes.

Este precioso núcleo teve três campanhas arqueológicas, entre 1991 e 1995, da responsabilidade do IPPC-IPPAR. Foram já escavados cerca de 850 m2 a uma profundidade de 3,50 metros, com o apoio de 17 arqueólogos.

A visita, que é grátis, foi acompanhada por uma jovem arqueóloga que conseguiu transmitir ao pequeno grupo de visitantes um saber e um entusiasmo contagiante.

 

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Crónica
Quando há meia dúzia de anos vim viver para Lisboa os meus amigos acharam muito estranho pois Lisboa tem todos os defeitos de uma grande cidade – poluição, barulho e o trânsito, por vezes, muito intenso. Contudo para mim as qualidades são mais que os defeitos e até agora não estou arrependida da decisão.
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