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rss  Vol. XVI - Nº 256         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
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Entrevista com a ministra da Imigração Kathleen Weil:

«A emigração é uma mais-valia para o Quebeque»

Raquel Cunha

Entrevista conduzida por Raquel Cunha

Na passada segunda-feira, dia 21 de novembro, tive a oportunidade de conversar frente a frente com Kathleen Weil, ministra da Imigração e das Comunidades Culturais do Quebeque e de conhecer grande parte da sua equipa.

O que mais chamou a minha atenção foi a forma positiva como esta equipa abraça a Imigração e respetiva variedade étnica e cultural. «Nós somos compostos por um mosaico e isso enriquece-nos», afirmou a ministra, de beleza e simpatia desarmantes. Todo o seu gabinete é jovem e nele sente-se o empenho de equipa, o empenho de querer fazer mais e melhor, de quem acredita que o imigrante, ao invés de ser uma fonte de problemas é antes a melhor das soluções.

Soluções para quê?

entrevista ministra kathleen weill
Foto: LusoPresse

Em primeiro lugar a população do Quebeque está extremamente envelhecida, tem falta de mão-de-obra qualificada e de jovens que sustentem a província. «Precisamos da ajuda dos emigrantes, temos 7 000 postos de trabalho a serem preenchidos e acreditamos que 15% deles serão preenchidos por emigrantes», acrescenta com certeza convicta «a diversidade deve ser vista como uma mais-valia para o mercado cultural, social e económico. Queremos atrair os melhores num mundo cada vez mais global. As nossas empresas precisam de beneficiar dos diversos pontos de vistas estratégicos que o mundo migrante pode trazer».

A diversidade como valor acrescentado foi o tom do discurso quando apresentou o plano do ministério para os próximos quatro anos e é nesse contexto que gira a nossa conversa.

«Vemos a emigração como algo positivo, esse é o discurso que queremos manter», realça. Existem vários tipos de imigração, refugiados, empreendedora e económica. A imigração de caráter económico, a nossa dita imigração, representa 70 por cento de todo o bolo emigrante e é nela que este ministério aposta.

Nas novas medidas destaca-se a importância da francofonia, ou seja, para emigrar para o Quebeque é importante que se fale francês, isso porque se quer manter a identidade provincial, o único reduto americano onde o francês é a língua-mãe. «Somos únicos na identidade norte-americana e queremos continuar a sê-lo».

Não se assuste quem lê, porque ao ser aceite pela imigração canadiana, o governo disponibiliza um curso de francês online e as aulas de francês feitas na Alliance française do país de origem são mais tarde re-embolsadas. «Queremos apoiar a emigração e a francofonia e sabemos que é melhor que o emigrante chegue preparado, já com algum domínio do francês».

Quanto ao resto das medidas, a emigração está aberta a todo o mundo, com especial atenção para a Europa e a crise que por lá se vive. Procuram-se jovens com menos de 35 anos qualificados, ou seja, com curso superior. Isto porque embora seja preciso mão-de-obra técnica para os diversos setores, a ministra tem consciência de que um jovem qualificado «terá maior facilidade de adaptação e de encontrar um emprego que o satisfaça».

Os jovens

«Pensamos nos jovens como fonte de mais-valia social e é neles que apostamos». Para isso o governo criou uma política chamada Experiência no Quebeque (PEQ), ou seja, se um jovem estrangeiro terminar o seu diploma numa faculdade da província do Quebeque, ou se trabalhar no Quebeque durante seis meses, o seu processo de emigração é acelerado e com mais hipóteses de sucesso do que os restantes pedidos diretamente do exterior.

Comunidades - Portugal e Brasil:

«A Comunidade Portuguesa é uma comunidade da qual muito nos orgulhamos. É extremamente adaptável e tem-se integrado com sucesso no meio quebequense». Contudo, a Argélia, Marrocos e França estão no topo da lista dos países que mais emigram para cá, seguidos pelo Haiti e China.

A abertura para a emigração brasileira fez-se por pedido do próprio Brasil. «São jovens qualificados que procuram emigrar sobretudo por questões de segurança», afirma Sílvia Garcia, de origem portuguesa e assessora da ministra. «Abrimos a emigração à experiência e os pedidos superaram as nossas expectativas».

Quanto a Portugal, foi feito um estudo o qual chegou a conclusão que tal como a Grécia, os Portugueses não pretendem emigrar. Coisa que Sílvia contesta. «Nós sempre emigramos, basta ver os portugueses que cá temos». É uma luta pessoal, afirma, a de conseguir trazer para cá os jovens lusitanos que pretendam fugir da crise.

Os Média e a Emigração:

O gabinete afirma categoricamente que a forma negativa como os Média retratam a emigração é «uma maneira triste de ver a emigração», ela deve ser vista como algo positivo e não como uma fonte de problemas. «Não são os emigrantes que trazem problemas sociais, mas sim os problemas sociais que podem atingir os emigrantes». Temos que ver a emigração como uma mais-valia, «uma solução social que compõe o mosaico no qual nos construímos, ela tece as nossas sociedades e o Quebeque precisa de orgulhar-se da coexistência pacífica e enriquecedora que tem vindo a usufruir» conclui a ministra, « fomos feitos por emigrantes, são eles que tornam a nossa sociedade mais rica, competitiva e criativa».

Isso não podemos negar. Os emigrantes trazem com eles as suas raízes, a sua força de trabalho e esperança num futuro melhor. Os filhos de emigrantes são os que têm maior sucesso escolar, porque são educados para vencer, para vincar e para fazer valer o esforço dos seus pais. Emigrar é difícil e por fim vemos quem nos dê valor, não só a nós portugueses, mas a todos que deixam para trás a sua terra natal na procura de um futuro melhor. É bom, afirmo, encontrar quem na política queira mudar todo o discurso negativo que se faz do emigrante. É bom saber que por fim alguém nos aprecia.

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