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rss  Vol. XVI - Nº 256         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
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Agora pela mão de António Belas

Ferma - 50 anos a trazer para cá os sabores de lá

Raquel Cunha

Reportagem de Raquel Cunha

A empresa montrealense Ferma comemorou 50 anos no passado domingo, dia 27 de novembro, no restaurante Portus Calle em Montreal. Foi uma receção para a comunidade e contou com a presença de todos os que fizeram parte da história deste negócio familiar, que tanto tem feito a ponte entre cá e lá.

 

ferma rocha e belas
A família Rocha com António Belas
Foto: LusoPresse

Tudo começou em 1963, conta-nos D. Rosa, antiga proprietária da firma. «Cheguei com o meu marido em janeiro e por volta do verão desse mesmo ano, já conhecíamos o Sr. Vasconcelos, também ele lisboeta». O Sr. Vasconcelos procurava introduzir produtos portugueses no supermercado IGA que possuía. Precisava então de uma companhia que mandasse vir coisas de Portugal e não tardou a que tanto o cunhado (José Rocha) como o marido (Armando Rocha) de D. Rosa fossem trabalhar para a dita empresa e se tornassem sócios da mesma.

«Era duro na altura. Trabalhávamos muito, dias inteiros, por vezes sem comer. Deu muito trabalho no início e era eu e a minha cunhada que fazíamos tudo», afirma de olhar melancólico e continua «Rapidamente o Sr. Vasconcelos vendeu a sua parte» e o negócio tornou-se completamente familiar. Nessa altura tudo era feito à mão, o colorau era empacotado à colher e as pevides, favas e grãos, que os portugueses tanto gostavam «eram torradas no forno lá de casa».

A empresa divide-se pelos irmãos, tornando-se em duas companhias diferentes, uma em Toronto, sobre a gestão de José Rocha e outra em Montreal, gerida por Armando Rocha.

Dona Rosa só pode falar do que conhece, da empresa que ajudou a gerir com o marido. E ri. «Embora muito trabalhoso, eram bons tempos». Existia uma empatia forte entre a empresa e a comunidade «muitas vezes diziam que não tínhamos isso ou aquilo e na viagem seguinte do meu marido a Portugal, ele tratava de arranjar o produto que fazia cá falta». Começou assim a bater à porta das empresas cujos produtos queria importar. «Os produtos mais procurados eram o nosso azeite saloio, os figos recheados, o queijo da serra e as favas que faziam a delícia dos açorianos», e afirma que quanto a ela, o que mais sentiu falta quando cá chegou foi do café «não havia café que me soubesse tão bem como o nosso».

 

ferma 50 an

Em 1989 tanto ela como o marido decidem vendar a empresa. «Estávamos muito abalados com a morte da nossa filha e o Sr. Belas já tinha comprado a empresa do meu cunhado em Toronto. Ele era muito amigo do meu marido» e continua «estou muito emocionada por estar aqui hoje. Estou comovida e feliz por ser o Sr. Belas que está agora à frente da empresa, ele faz um bom trabalho».

Foi há 22 anos que o Sr. António Belas comprou a empresa de Montreal. Antes dessa tinha já comprado a de Toronto, mas note o leitor que falamos de duas empresas distintas que procuram o mesmo fim; continuar o legado deixado pela família Rocha.

Esse foi também um negócio de família adquirido com o pai e mais tarde o cunhado. Afirma que o maior desafio que teve ao longo destes anos foi a compra da empresa aos restantes membros da sua família «essas decisões nunca são fácies».

Chegou ao Canadá com 15 anos e não se recorda de sentir falta de nenhum alimento em especial, mas confessa que ficou abismado com a neve e a grandeza do país.

Gosta do Canadá, sobretudo por ser um país de oportunidade. Mas Portugal é a pátria que leva no coração, o lugar que o viu nascer e com o qual sentirá sempre uma conceção especial.

Esteve sempre ligado à mercearia «creio que não saberia fazer outra coisa», afirma. Foi o trabalho de ajudante na peixaria do pai o seu primeiro emprego, com 17 anos. Mais tarde compra um supermercado a meias com o pai e de seguida também a meias compram «a Ferma de Toronto e já sabe a história».

Está feliz com o sucesso da empresa. Reside em Toronto mas tem «gente boa a trabalhar» na companhia de Montreal, a qual visita todas as semanas. Afirma que não há diferença entre os produtos procurados pela Comunidade de Montreal e a de Toronto, «o saudosismo é o mesmo» e confessa que os mais vendidos continuam ainda a ser «o peixe, o azeite e o queijo».

Agradece a preferência dos portugueses pelos seus produtos mas sabe que «o mercado português está em decadência. Há muito menos pessoas a emigrarem». Por isso, a nova política da empresa é atingir novos mercados «queremos introduzir os nossos produtos nos supermercados e também temos tido sucesso no mercado chinês e grego». Mas realça que em tempo de crise, «nós temos o dever de cuidar do que é nosso. Devíamos ser mais unidos e apoiar-nos.» Os «produtos portugueses são de ótima qualidade» e nessa altura porquê não ajudar o nosso mercado de exportação? Pense nisso da próxima vez que for às compras. E já agora, voltando à receção, resta dizer que este dia de aniversário, 27 de novembro, foi também o dia em que o Fado foi declarado Património da Humanidade pela UNESCO. Coincidência ou não?

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