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rss  Vol. XVI - Nº 256         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
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Exemplo de Democracia para os Conservadores do Canadá?

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Antes de mais, devo dizer, que não sou tão ingénuo que não saiba fazer a diferença entre a Europa e a América do Norte; dois contextos geográficos diferentes entre o velho continente de Montesquieu, da «democracia de Toquevile», e do país de G. W. Bush!

No entanto, é da esquerda francesa, referindo-me aqui ao Partido Socialista (não como ideologia), mas com convicção, nestes tempos modernos, sobre aquilo a que chamam democracias, sobretudo relativo às culturas políticas dos dois continentes, que tanto um, como o outro, viveram, vivem, à custa de guerras.

Atualmente, a esquerda francesa, através do pluralismo democrático do partidário socialista, de uma cultura política do civismo do cidadão Francês, que levam por diante uma abertura para a  eleição de liderança à V República francesa, escolhendo  um(a) candidato(a) às próximas eleições presidenciais.

Foram quase 3 milhões de franceses que numa primeira, e segunda volta eleitoral, se exprimirão sobre a escolha de um candidato, onde tanto «analistas de esquerda, como de direita, se entenderão» para tirar o chapéu à abertura do novo funcionamento democrático.

Espera-se pelo candidato(a) escolhido, para ver se é capaz de fazer frente a Nicolas Sarkozy, que na última eleição a presidente, conseguiu arrastar para o seu governo alguns intelectuais. Exemplo: Pascal Bruckner, assim como também o ex-socialista Bernard Kuchner, antes, governador da Bósnia, sendo depois, também ministro dos  Negócios Estrangeiros francês.  

Se nos debruçarmo-nos agora sobre o funcionamento da estrutura política partidária do Novo Mundo canadiano deste governo, comparando-a com o sistema republicano francês, chega-se à conclusão, que apenas o progressismo conservador de Joe Clark era democrata!

Quanto ao atual monarca, Sr. Harper, o seu conceito ideológico da democracia é apenas guardião da oligarquia do petróleo da província de Alberta... A sua militância conservadora vai para além daquilo que escreve Chantal Hébert: «génio conservador militante». Nós diríamos, não génio mas, eugenismo utilitarista integrista da doutrina de Francisco Galton. Princípio doutrinário de moral e de economia, que o filosofo escocês David Hume contestaria quando afirmou: «nós vivemos sobre rotinas, em vez de  conhecimentos assegurados»; rotina utilitarista, que não tem em conta a democracia e o agradável!  

Nesta fase do debate da democracia no Parlamento, o partido conservador age como imperador do senado romano (que outrora criticava como instituição não eleita). Este partido tenta nos divertir agora com símbolos da monarquia através de retratos da sua majestade, e dos vitrais no Parlamento (que admiro como arte sacra), desviando assim as atenções públicas pelo interesse político em defesa da democracia.

Para onde foi o Senado eleito, que o atual monarca primeiro-ministro prometeu aos canadianos anos antes?

Como bom estratega, manda o seu Secretário do Tesouro para os Estados Unidos para que este não dê contas ao Parlamento sobre os cinquenta milhões que servirão como pretexto da «mesa posta ao G-8»!

Este governo conservador, é dos governos dos últimos cinquenta anos que menos respeito tem pelos direitos democráticos dos primeiros nativos canadianos!

Estou a falar do Quebeque e das nações autóctones, que são várias no país.

Aproveita-se agora de uma maioria parlamentar, tomando de assalto a identidade nacional destes povos, considerando-os como nações folclóricas!

É assim que sobre o comando do Ministério dos Negócios Estrangeiros, e sobre a alçada do Ministério das Primeiras Nações do Canadá Manon Barbeau, cineasta, «instigadora do Wapikoni móbil, convidada a participar numa mesa-redonda da União Europeia - Canadá, em Helsínquia, na Finlândia, sobre um estúdio ambulante que esta criou para permitir aos jovens destas nações de se exprimirem através de audições audiovisuais e musicais». 

Depois de toda esta «cena folclórica» da representação das primeiras nações no Wapikoni móbil estrangeiro, a selecionada cineasta Manon Barbeau, diretora do projeto queixa-se agora do «paradoxo» deste ministério que lhe corta a subvenção de 490 000 dólares.

Os líderes das primeiras nações vêm agora ao socorro da sua «embaixadora», apoiados por uma petição de 400 pessoas e pela Comissão dos Direitos e Liberdades da Pessoa, e da juventude do Quebeque que acaba de lhe ser atribuir um prémio em prol do seu trabalho. Quem nos garante que a fachada de democracia deste governo não é apenas uma democracia de figurantes?

Onde mora a «transparência» democrata deste governo se não responde à democracia parlamentar da monarquia do povo canadiano?

Traçando um paralelo  entre os partidos do «velho e novo mundo», talvez o superpartidarismo de algumas repúblicas do velho mundo  se distanciem da monarquia do primeiro-ministro do Canadá?

A oligarquia do petróleo deste governo, talvez seja aquilo a que Paul Veyne chama: «oligarquia financeira à medida da força que os dirigentes exercem sobre o povo».

Ref: jornal Le Devoir, 11/10 - 14/10. 

Le Pain et le cirque (Paul Veyne, Éditions du Seuil, 1976).

David Hume (Edição Flammarion, 2008).

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