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rss  Vol. XVI - Nº 256         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
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«As malas de cartão foram substituídas por mochilas e pastas de executivo»

Maia - O professor universitário Jorge Macaísta Malheiros lamentou que não haja «estudos sobre emigração», mas garantiu que aqueles que partem hoje são diferentes e «as malas de cartão foram substituídas por mochilas e pastas de executivo».

Esta apreciação do professor da Universidade de Lisboa foi feita no Encontro Mundial de Mulheres Portuguesas na Diáspora, que decorreu no sábado, na Maia, organizado pela Associação Mulher Migrante.

Estimando em 100 mil aqueles que saem de Portugal por ano (e prevendo que este número suba em breve para os 120 mil), o especialista referiu que «os perfis migratórios mudaram».

«Ao contrário do que diz o secretário de Estado [da Juventude e do Desporto], há muita gente a sair da sua zona de conforto e são cada vez mais novos», destaca Macaísta Malheiros, considerando estas saídas «um mau sintoma», porque quem emigra hoje é cada vez mais educado. «A emigração portuguesa ainda não é dominada por fluxos qualificados, mas em termos proporcionais Portugal é dos países que mais exporta gente qualificada», explicou.

«Nós estamos a pagar essa formação - e custa uma fortuna ao país formar um jovem hoje - e depois eles saem para outros países», acompanha José Machado, ex-presidente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), órgão consultivo para a emigração.

«A nova emigração é gente diferente, de contextos diferentes, com outros modelos de associativismo e em que a intervenção política assume uma importância que não tinha [nas anteriores levas de emigrantes]», compara José Machado.

«É preciso acabar com uma gestão minimalista da diáspora, que é o que tem acontecido nos últimos anos», reivindica o ex-dirigente, criticando o «esquecimento» e a «instrumentalização» dos emigrantes portugueses.

José Machado critica também o desaparecimento do termo «emigração», agora substituído por «comunidades portuguesas», o que interpreta como «a bazófia de país rico que queria passar a ser um país de imigrantes». Porém, contrapõe, «a realidade é que todos os anos continua a emigração de jovens».

«Já não temos só o estereótipo do trolha e da porteira. Assistimos a um fenómeno novo: a saída de Portugal de jovens quadros superiores e técnicos, com outras competências e outras expectativas», analisa Isabelle Oliveira, que dirige o Departamento de Línguas Estrangeiras Aplicadas da Universidade de Sorbonne, em Paris (França).

Ora, denuncia a professora universitária, «esta mão-de-obra qualificada é explorada» por empresas francesas que recorrem a falsos recibos verdes.

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