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rss  Vol. XVI - Nº 256         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
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Mercearia Benfeito

Uma Casa, uma Tradição

Raquel Cunha

Reportagem de Raquel Cunha

Existem lugares assim, onde entramos e sentimo-nos imediatamente em casa. É como se estivéssemos em família e não podia ser de outra forma, uma vez que esta empresa familiar vai já na terceira geração.

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Manuel Benfeito, filho
Foto: LusoPresse

Falamos da Benfeito & Fils, uma mercearia enraizada na Comunidade Portuguesa desde 1966, que se situa na esquina da Villeneuve com a St-Dominique. Tudo começou na altura em que os emigrantes portugueses chegavam ao Canadá munidos com as suas malas de cartão e se casavam ainda por procuração. E assim foi para Clotilde e Manuel Benfeito. Ambos da freguesia de Porto Formoso, nos Açores, começaram namoro nos anos 50. Em 1958, Manuel decide emigrar e juntar-se aos seus dois irmãos que trabalhavam numa quinta no Quebeque. Dois anos mais tarde, junta-se a sua então mulher, Clotilde. Trabalham na quinta durante os anos seguintes e frequentam a Comunidade Portuguesa de Montreal sempre que podem, à procura de produtos locais, do calor humano lusitano e de matar saudades da terra que deixaram além-mar.

Decidem mudarem-se para a comunidade onde se sentem mais portugueses e abrem a primeira Mercearia Benfeito em 1966, no número 4101 na mesma rua, onde ela ainda se situa. É abril e Clotilde está grávida do primeiro filho, João. Um novo começo se avizinha. Os seus filhos crescem à volta do comércio onde dão uma ajuda sempre que podem. O negócio prospera e sentem então a necessidade de contratar um empregado, o Sr. Guilherme Moreira, que permanece como braço-direito da pequena empresa durante mais de 30 anos.

 

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Clotilde Benfeito
Foto: LusoPresse

Em 1976, mudam-se para a nova mercearia no número 4800 da mesma rua. «A outra era muito pequena e esta tinha melhores condições». É nessa casa que se plantam as raízes da família Benfeito, que prospera e permanece, forte e sólida, de geração em geração.

No dia em que lá fui, fui acolhida por sorrisos simpáticos acompanhados por uma conversa fluida, como nos conhecêssemos desde sempre. Falei com Esmeralda e Manuel, o mesmo que dentro da barriga da sua mãe viu o negócio nascer, «um nascimento simultâneo ao meu», afirma. É por isso que cresce nas saias da mãe, atrás do balcão, num negócio que «faz parte da sua família, é a sua vida».

O motivo da minha visita é as obras de recuperação do espaço. Ampliado e modernizado. Os dois filhos que agora gerem o espaço tomam conta do negócio. « O meu pai sempre quis modernizar a loja», esclarece Manuel Benfeito, e «nós fizemos-lhe a vontade». Além disso, «era preciso um novo look, mais clean. É o que as pessoas procuram, e nós queremos sempre melhorar», afirma Esmeralda com um sorriso.

Com este «look» renovado, chegam também novidades. Frango na brasa, produtos caseiros como o chouriço, 

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Manuel Benfeito
Foto: LusoPresse

morcelas, pimenta moída e o famoso torresmo. E mais, vai passar a haver um prato do dia, de comida portuguesa caseira e a preço acessível, sem falar, claro está, das «nossas sopas, feitas todos os dias».

Aqui pode comprar o pequeno-almoço sempre fresco e encontrar produtos portugueses. Pode ainda trocar dois dedos de conversa. Um bom lugar para abrigar-se do frio neste inverno e para abastecer a despensa, comprar o jantar ou reconfortar o coração.

Bem inseridos na comunidade, não vivem apenas para os portugueses e os clientes são metade lusitanos metade canadianos. Todos porém são fiéis e fazem desta a sua mercearia de referência.

Aqui reina a harmonia e o bom convívio, a boa maneira lá da terra, a nossa maneira familiar de acolher quem chega, da típica forma portuguesa, com os produtos caseiros e de qualidade. Victória, filha de Manuel, trabalha aqui em part-time «o que faz já a terceira geração a passar aqui por trás deste balcão», para ela procura-se um futuro melhor, «através da escola tem mais possibilidades», mas isso não implica que não seja uma casa portuguesa com certeza.

«Esperamos da comunidade que nos continue a apoiar, como sempre tem feito e a quem tanto devemos», afirma Manuel, e quanto ao futuro «esperamos melhorar, esperamos prosperidade e saúde, para continuarmos a servir os nossos clientes o melhor possível», completa Esmeralda.

E eu saio a pensar em Portugal, nos nossos costumes e nessa forma tão lusitana de trabalhar. De juntar avós e netos, por um bem comum, um negócio Ben(feito) que mistura família e tradição. Um lugar a visitar.

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