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rss  Vol. XVI - Nº 256         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2021
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15 Anos!

Uma noite memorável

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus*

 

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Já passava bastante das 20 horas, no passado sábado, quando Pedro Pauleta entrou finalmente na sala de jantar do Château Princesse para celebrar, com a comunidade, os 15 anos de vida do LusoPresse. Os 450 convivas que enchiam a sala à sua máxima capacidade, levantaram-se em uníssono para aclamar a estrela da noite, aquele que durante anos e anos tinha vindo a alimentar no coração de cada português a alegria e o orgulho de verem o nome de Portugal e dos Açores içado bem alto no altar do futebol internacional.

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Anália Narciso e Vitória Faria do LusoPresse
Foto: Benjamim Pimentel

Aquela alegria, naquele momento, chegou para fazer esquecer todo o tempo que a maioria dos presentes teve de esperar, em fila, até à porta da rua, para que a sala estivesse pronta a receber, em grande pompa, diga-se em abono da verdade, todos quantos se solidarizaram com este jornal e fizeram questão de vir aplaudir Pedro Pauleta assim como todos os desportistas locais, ativos e desaparecidos a quem o LusoPresse decidiu fazer uma bem merecida homenagem.

O escol da comunidade disse presente

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Abraço comovido do Norberto Aguiar ao Pauleta sob olhar do jornalista José Silva
Foto: Benjamim Pimentel

Vale a pena sublinhar que a comunidade se fez representar ali por um escol de primeira água, dos mais simples trabalhadores aos mais bem-sucedidos na esfera empresarial, passando pelos dirigentes comunitários, artistas e desportistas, porque todos vinculados arreigadamente às suas origens, e que ali foram testemunhar com a presença da sua pessoa e a generosidade da sua carteira. Como sublinhou e muito bem, na sua apresentação, o editor do jornal e obreiro máximo deste evento, Norberto Aguiar, todos os presentes estavam de parabéns pelo civismo e correção que demonstraram durante o tempo interminável que levou a entrada na sala. Ficamos também gratos ao Pedro Pauleta e ao José Silva, da RTP Açores - que o acompanhou neste périplo dos Açores até Montreal - por terem tido a paciência de esperarem lá fora, na rua, mais de uma hora, até todos estarem sentados.

 Mas a espera valeu a pena. Enquanto o jantar era servido, foram feitas as apresentações de algumas figuras mais representativas presentes no local, começando pela Conselheira das Comunidades Portuguesas, eleita pela área do Quebeque, Clementina Santos, que fez um pequeno discurso, tanto mais apreciado que ela tinha acabado de chegar de Lisboa diretamente para esta gala. Falou depois o presidente da aglomeração de Anjou e membro do Conselho executivo da Câmara de Montreal, Luís Miranda e o Cônsul-geral de Portugal em Montreal, Dr. Fernando de Brito.

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Meaghan Benfeito
Foto: Benjamim Pimentel

Foram depois apresentados os homenageados do desporto, divididos em dois grupos - os jovens mais prometedores e as estrelas mais brilhantes no mundo luso-canadiano dos quais merece uma menção muito especial a Meaghan Benfeito, não só por ser a mais laureada das nossas atletas olímpicas, mas também por ter decidido honrar-nos com a sua presença, visto que teve de deixar a meio uma outra festividade para estar connosco. Escusado será dizer que a sua apresentação no palco deu azo a um dos mais fartos e sentidos aplausos da noite.

Um minuto de silêncio

A homenagem aos desaparecidos, nos quais foi incluído o proprietário do Jornal do Emigrante, Isaías Lopes, falecido naquela mesma noite, começou com um minuto de silêncio, religiosamente respeitado por todos os presentes.

 

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Cláudia Chin, da Galeria G3, Inês Faro e Ana Paula Burg, do LusoPresse
Foto: Benjamim Pimentel

Como todos os convivas tiveram a ocasião de apreciar nas bandeirolas expostas ao alto da escadaria de acesso à sala de jantar, o LusoPresse tinha escolhido quinze atletas que a morte arrebatou do nosso convívio mas que deixaram recordações perenes na comunidade. Quisemos todos eles celebrar em efígie e com uma placa comemorativa para as famílias. Infelizmente apenas quatro representantes dos desaparecidos se apresentaram para receber o devido tributo. Foi um dos momentos porventura mais tristes da soirée que só foi compensado pelo facto de lá ter estado oHelder Pimentel, vindo expressamente dos Açores, para assistir à homenagem ao seu pai, Artur Pimentel que nos deixou na flor da idade, vítima dum acidente da estrada.

Entretanto, o nosso colaborador e amigo Duarte Miranda, leu várias mensagens de regozijo que o jornal recebeu dos mais diversos quadrantes sociais e políticos e que serão publicadas na nossa edição eletrónica por falta de espaço nesta edição.

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Maria João Neves oferece quadro para ser leiloado para a Fundação Pauleta
Foto: Benjamim Pimentel

Como foi largamente anunciado este jantar teve também como objetivo angariar fundos para a Fundação Pauleta, uma associação destinada a promover o desporto entre os jovens. Para este efeito, a pintora Maria João Neves ofereceu generosamente um dos seus quadros para ser leiloado no local. A obra foi arrematada por 600 dólares. Outro gesto do mesmo teor foi a oferta da Helena Loureiro que ofereceu um bom lote do seu livro de receitas e de Adelaide Vilela do seus livros de poemas. O total das vendas de ambos os livros rendeu quase mil dólares. Convém também sublinhar que na sala de exposições adjacente à sala de jantar, onde se encontravam as camisolas de alguns dos clubes desportivos da comunidade, foram também expostos trabalhos de pintura de Maria João Neves.

Pauleta, o orgulho dos emigrantes

Coube finalmente ao jornalista José Silva, também convidado especial dos festejos, de fazer a apresentação da estrela da noite, Pedro Miguel Carreiro Resendes, mais conhecido como Pauleta, na qual nos deu conta, a traços largos, da trajetória futebolística deste exímio goleador, desde as suas ilhas açorianas até ao Paris Saint-Germain, passando por Salamanca, Corunha e Bordéus, sem nunca ter militado na primeira divisão portuguesa, mas com várias e profícuas incursões na Seleção Nacional ao ponto de fazer dele o recordista nacional, ultrapassando os 41 golos que o Eusébio tinha marcado para a seleção das quinas. José Silva fez questão em sublinhar quanto o Pauleta é um homem simples, dedicado à sua comunidade e o carinho que tem para com os emigrantes que nunca lhe regatearam os aplausos nos estádios da França e da Espanha. José Silva honrou-nos também com algumas lembranças que trouxe dos Açores para o LusoPresse.

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Como nos tinha prevenido o José Silva, o discurso de agradecimento do Pedro Pauleta foi duma simplicidade digna dos grandes, onde nos mostrou o carinho genuíno que sente pelas comunidades emigrantes. Não foi difícil imaginarmos a alegria dos nossos compatriotas na França, como ele sublinhou, quando nas segundas-feiras, de regresso ao trabalho, entravam nas oficinas, nas lojas ou nos escritórios, com o peito ufano pelos golos que ele marcara na véspera. Não é difícil imaginar, quando se sabe quão enraizados são os preconceitos numa terra onde «portugaise» é sinónimo de mulher-a-dias. Mas não foram só os emigrantes da França que vibraram com os feitos do Pauleta, como ele lembrou, ao agradecer o carinho e o entusiasmo com os emigrantes portugueses em todo o mundo o seguiram nos campeonatos da Seleção Nacional.

Escusado será dizer que enquanto os artistas atuavam, no espaço musical previsto no programa, a fila era cada vez mais densa à volta da mesa do Pauleta, ora com camisolas, livros, bolas e até a primeira página do LusoPresse serviam de pretexto para arrancar um autógrafo ou uma dedicatória ao convidado de honra. Finalmente Pauleta comprometeu-se a visitar cada uma das mesas e a todos cumprimentar. Isso foi sem contar com a barafunda que se seguiu quando o homenageado se dirigiu para a sala de exposições para cortar o

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Pauleta corta o bolo de aniversário (oferta da Padaria S Miguel) com os colaboradores do LusoPresse
Foto: Benjamim Pimentel

, oferta da Padaria São Miguel. Quando demos por nós já estava improvisada uma sessão de fotografias e de autógrafos que permitiu à maioria de guardar uma lembrança inesquecível daquela noite mágica.

Este evento teve uma notável cobertura televisiva da parte da SIC, da RTP e de Portugal Magazine, graças ao trabalho incansável do Alberto Feio, da sua inseparável companheira Conceição Ferreira, assim como da nossa colaboradora Inês Faro.

Para mais detalhes queiram ler a reportagem da nossa colaboradora Ana Paula Burg noutro local desta edição.

* Reportagem realizada em colaboração com Inês Faro, Ana Paula Burg, Norberto Aguiar, Vitória Faria e Jules Nadeau.

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Acordo Ortográfico

O que é o novo acordo?

O LusoPresse decidiu adotar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.

Carlos de Jesus
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