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A Língua portuguesa em destaque

Geolíngua

Com a criação deste idioma é possível contrariar a ideia de que o inglês é a língua universal A Força da Iberofonia à Escala Mundial

viagem toronto graca castanho Por Graça Castanho, Ph.D*

De acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, várias são as definições para Lusofonia:"1. Qualidade de ser português, de falar português; o que é próprio da cultura e língua portuguesas. 2. Comunidade formada pelos países e povos que têm o português como língua materna ou oficial. 3. Difusão da língua portuguesa no mundo».

O mundo lusófono conta com 270 milhões de utentes do português espalhado por todos os continentes, o que torna a língua portuguesa na sexta mais falada mundialmente. Há quem pense, hoje em dia, que o valor do nosso idioma é elevado, uma vez que o conhecimento do mesmo permite ao falante compreender 90% do espanhol, 50% do italiano e 30% do francês, e tornar-se-ia incomensurável se encontrássemos uma plataforma de entendimento comum entre os falantes do português e os do espanhol, línguas que têm uma origem única o latim.

Os Objetivos da Fundação Geolíngua

A esta conclusão chegou o Dr. Roberto Moreno, investigador brasileiro, a quem se deve a criação da Fundação Geolíngua, com sede em Portugal, cujos objetivos são:

Promover uma reunião de linguistas dos oito países de língua oficial portuguesa, com o objetivo de reunir esforços para a execução de uma gramática e de um dicionário comum para se poder transformar o português em língua Geolíngua, respeitando sempre as línguas oficiais de cada país e região.

Fomentar a aceitação constitucional da Geolíngua para primeira língua oficial dos oito países que têm atualmente a língua portuguesa, e a aprovação por estes da língua espanhola/castelhana como segunda língua oficial.

Promover a aceitação constitucional da Geolíngua para segunda língua oficial dos países que atualmente têm a língua espanhola/castelhana como primeira língua oficial.

Defender a adoção constitucional, por cada um dos estados dos Estados Unidos da América, da aceitação da Geolíngua como a segunda língua oficial, a começar naqueles onde já existe uma grande comunidade lusófona ou hispânica. A finalidade é promover a Anglo Iberofonia

Divulgar o conceito da Iberofonia em países cuja língua oficial não é nenhuma das duas citadas, isto é, promover a comunicação Italo-Iberófona, Franco-Iberófona, Anglo-Ibérofona, Sino-Iberófona, Indo Iberófona, e outros países, povos e culturas, independentemente da sua raça, religião ou convicção política.

Geolíngua o idioma de comunicação mundial

Ainda de acordo com o fundador desta Fundação, Geolíngua foi o nome adotado para designar uma nova língua portuguesa que nascerá na sequência de algumas transformações a consagrar num acordo ortográfico que será negociado entre os países lusófonos. Considera o mesmo que a designação é muito feliz, porque a palavra resulta da junção de Geo (terra em grego) e Língua (vocábulo latino que significa o conjunto de palavras, expressões e regras gramaticais usadas por um povo, por uma nação).

Com a criação deste novo idioma acredita-se ser possível contrariar a ideia de que o inglês é uma língua universal. Se se juntar o número de falantes de português com os utentes da língua espanhola, o resultado será superior aos anglófonos, tornando a Iberofonia num objetivo a prosseguir. «Daí que uma aliança de mútua colaboração entre os países iberófonos seja tão importante para o arranque da Geolíngua, tirando partido de uma parceria estratégica e do facto de se conseguirem entender nas suas línguas maternas», pode ler-se no website da Fundação.

Na eventualidade de algum dia chegarmos a este entendimento entre os países lusófonos e estes com os países de língua espanhola, é caso para dizer que mais de metade do planeta passaria a falar e a entender-se nas línguas ibéricas, as quais dariam continuidade ao processo de globalização que os portugueses iniciaram há cinco séculos atrás com os Descobrimentos.

Esta ideia é defendida por Roberto Moreno quando afirma: «É imprescindível que todos os iberófonos se apercebam do valor real do seu património e que ao acordarem olhem para o mapa do mundo e verifiquem que metade do planeta fala, lê, escreve o português e o espanhol. A mais significativa das estratégias é sem dúvida despertar e potencializar o cidadão iberófono à Iberofonia. Quando se tomar consciência de que será preciso apenas aprender a Geolíngua para comunicar com todo o Continente Americano, Península Ibérica e África Iberófona, então, aí sim, o futuro será risonho».

A ideia de mais de metade do mundo poder comunicar entre si levou o fundador da Fundação de que temos falado a acreditar que a Geolíngua poderá ser a língua de comunicação mundial, aquela que poderá amenizar conflitos e garantir a paz.

Conclusão

Como todas as propostas inovadoras, esta também poderá parecer exagerada e descontextualizada do mundo atual. Em parte, concordo. No entanto, o facto de um investigador colocar a questão da Iberofonia como a solução para a verdadeira expansão das línguas portuguesa e espanhola, a nível mundial, parece-nos uma ideia brilhante com grandes possibilidades de sucesso, caso haja vontade política.

Do ponto de vista nacional, sabemos de antemão que todos os entraves se levantarão contra tal ideia. Os linguistas portugueses não apreciam propostas de alteração à língua, por acreditarem que é necessário preservar aquilo que consideram ser o registo vernáculo. É do conhecimento geral, contudo, que esse posicionamento tem fragilizado o papel que Portugal deveria desempenhar. Essa é uma noção clara que se tem quando nos encontramos fora do país. Importa referir que o interesse internacional, colocado na nossa língua, advém, primariamente, da força dos números do povo brasileiro e das possibilidades de comunicação e de relacionamento financeiro com alguns países africanos.

Ora, em vez de este fenómeno ser um motivo de orgulho para nós portugueses, pois não há como esconder que fomos os grandes responsáveis pela expansão da nossa cultura e língua pelo mundo fora, interpretamos isto como uma desconsideração.

Ofendidos, em vez de unirmos a nossa voz à dos outros povos irmãos, na procura de plataformas de entendimento linguístico mútuo, isolamo-nos no nosso casulo e recusamos qualquer negociação em que não nos seja dado um lugar de primazia.

Isto é, sem dúvida, um erro estratégico. Como será também um erro estratégico não aproveitarmos a oportunidade de nos aproximarmos dos falantes do espanhol para, conjuntamente, criarmos as condições de promoção da Iberofonia.

* A Dra. Graça Castanho é atualmente Diretora Regional das Comunidades do Governo dos Açores. Este artigo foi inicialmente publicado no Açoriano Oriental.

Foi o Dr. Roberto Moreno, diretor da Fundação Geolíngua que nos fez chegar este texto que publicamos com autorização da autora.

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