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rss  Vol. XV - Nº 253         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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Editorial

Entre esperança e realismo

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

Houve esperança e deceção. Nem nos atendíamos a que todos estivéssemos ao diapasão. A cada um o seu ritmo. Se houve uma constante, neste I Encontro dos Organismos de língua portuguesa do Quebeque que o LusoPresse organizou no domingo passado, foi que a situação, tal como está, não pode durar. A situação é crítica para a maioria deles. Falta de dirigentes. Falta de braços. Falta de fundo de maneio. Falta de juventude, falta de futuro. Alguns, julgamos saber, embora não o tivessem dito, estão quase com a chave na porta.

Os apressados

Houve os apressados. Os que esperavam que deste encontro saíssem já propostas concretas. Mas houve a maioria que alinhou por um processo mais amadurecido de reflexão quanto ao futuro da vida associativa dos organismos da comunidade.

O programa que o nosso jornal tinha organizado para este encontro, foi baseado nas respostas que os próprios organismos nos tinham submetido, depois das consultas e das entrevistas que fizemos pessoalmente a todos eles durante o verão. A primeira parte, embora à partida nos parecesse a menos premente, discutiu-se de dirigentes e da juventude com algum entusiasmo. Mas foram os jovens que estiveram em foco. Havia quem os acusasse de falta de interesse pela nossa cultura e a nossa língua, mas houve também quem acusasse a velha geração de ser ela a fechar-se à juventude. Provavelmente todos têm razão mas o facto é que a nova geração, com exceção dalgumas bandas musicais e grupos folclóricos, desertou as fileiras do luso associativismo.

Um organismo de cúpula, sim, mas qual?

Finalmente foi o último ponto, a eventual necessidade de se criar um organismo de cúpula, que menos entusiasmo provocou nos participantes. Dir-se-ia que ninguém queria tirar a batata do lume. Quando o mais ousado se aventurou, foi com pinças e muitos considerandos, não obstante as repetidas chamadas de atenção dos organizadores e do próprio cônsul geral que não escondeu o seu interesse por esta matéria - a da criação da Casa de Portugal.

Como tínhamos previsto - e que estava implícito no facto de termos batizado este como sendo o 1º. Encontro - e após a animadora, Clementina Santos, ter posto a questão a cada um dos representantes das 19 associações participantes, se queriam um novo encontro para levar avante esta reflexão, o LusoPresse comprometeu-se a tomar o bastão do peregrino e trazer de novo todas as coletividades de língua portuguesa do Quebeque a um novo face a face, do qual, esperamos, saiam propostas e compromissos concretos.

Agradecimentos

Cabe-nos agora a nós, instigadores desta iniciativa, de preparar uma nova agenda e um guião que conduza, se possível unanimemente, a uma solução do agrado de todos quanto ao futuro do associativismo lusófono, o mesmo é dizer da comunidade de língua portuguesa do Quebeque.

Finalmente vai um bem-haja muito sentido para a animadora que substituiu num curtíssimo espaço de tempo o convidado previsto por motivos de saúde deste; um grande abraço de agradecimento também para todos os organizadores deste evento e em particular para a família Aguiar que pôs de pé toda a logística, assim como para todos os participantes que foram numerosos a deslocarem-se à Associação Portuguesa do Canadá nesta maravilhosa tarde de domingo, com o outono a desafiar para outros devaneios. Obrigado também ao nosso convidado e conselheiro, professor Victor Pereira da Rosa e ao nosso Cônsul-geral, Dr. Fernando Demée de Brito que não regatearam incentivos e comentários sobre a situação do associativismo português. Convém sublinhar também que ambos, à semelhança do que tem sido o nosso intuito, sublinharam a importância das outras comunidades lusófonas - brasileiros, angolanos e cabo-verdianos - neste desafio, o que muito nos apraz.

Ver reportagem fotográfica aqui: lusopresse.com/album/coióquio

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Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

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