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rss  Vol. XV - Nº 253         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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Conferência de Duarte Miranda

Investimento, fiscalidade e imigração

VI Tribuna Interativa da AMCEQ

Carlos de Jesus

Por Carlos de Jesus

André Malraux dizia que este século seria religioso ou não seria, no sentido de que o século XXI se não fosse dominado pelo espírito religioso, correria o risco de acabar em hecatombe. A primeira década pareceu dar-lhe razão. Mas uma outra realidade acabou por lhe roubar a palma, resultante da globalização dos mercados. As migrações. Os movimentos de massa à escala mundial, ora por razões económicas, políticas ou mesmo ecológicas.

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Foto: LusoPresse

Foi desta nova realidade que se discutiu durante toda a Conferência Internacional de Metropolis a que assistimos recentemente em Ponta Delgada e foi também de imigrantes e capitais estrangeiros que trataram, na passada sexta-feira, em Montreal, embora por um prisma mais restrito, os painelistas da VI Tribuna Interativa da AMCEQ (Association des maisons de commerce extérieur du Québec) e o nosso colaborador Duarte Miranda que, como conferencista de honra daquele evento, nos falou, com a tónica na fiscalidade e no investimento estrangeiro.

Foi portanto e sobretudo de capitais estrangeiros e imigrantes investidores que se tratou neste encontro. Eis-nos portanto face a uma nova realidade, que de tempos a outros merece títulos na imprensa, mas de que raramente o grande público toma consciência.

A questão dos imigrantes investidores surgiu por altura da passagem da soberania de Hong-Kong da Grã-Bretanha para a China. Na altura, milhares de chineses, possuidores de bons capitais disponíveis, resolveram optar pelo estatuto de imigrantes investidores no Canadá, saltando assim etapas na cadeia longa e demorada dos trâmites habituais a que são submetidos os requerentes ao estatuto de imigrante recebido. Foram a Colômbia Britânica e o Quebeque que mais beneficiaram desta vaga de interesse por parte dos sino-capitalistas.

 

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 Depois daquele vento de pânico que soprou sobre Hong-Kong, muitas e diversas outras origens nos têm fornecido este novo tipo de imigrante. A tal ponto que os dossiers chegam a esperar dois anos, nas oficinas burocráticas do Quebeque antes de serem submetidas ao Federal onde esperam outro tanto. Visto que o Canadá não é o único país a tentar atrair estes imigrantes, não nos admiremos se outros céus, porventura socialmente menos acolhedores, acabem por tomar a dianteira.

Para termos uma ideia da importância destes investimentos basta ver o quadro que nos foi apresentado pelo representante do Banco Laurentienne encarregado deste setor, onde se regista para 2009-2010, só naquela instituição financeira, a criação de 2600 novos postos de trabalho e a manutenção de 1355 outros, graças aos fundos disponibilizados pelos imigrantes investidores. Foram quase 4000 trabalhadores, em menos de dois anos, para um só banco, que devem o seu trabalho a esta política.

Aqui está um exemplo positivo do que se pode chamar de PPP (Parceria pública e privada). Os bancos, através dos seus escritórios e dos seus prospetores no estrangeiro, procuram candidatos à emigração endinheirados aos quais oferecem os seus serviços de intermediários entre eles e os serviços de imigração do Quebeque. Por sua vez o Ministério da Imigração e das Comunidades Culturais do Quebeque, através do seu «Programme Investisseurs» cria um serviço personalizado para cada requerente. O candidato deposita os fundos necessários no banco que procedeu à sua prospeção e quando o processo é aprovado os fundos são investidos nas PME que respondam a certos critérios e que queiram beneficiar de subsídios ou empréstimos oriundos destes capitais.

Como bem observou o nosso compatriota Duarte Miranda, durante a sua conferência, todos estes planos de atração de capitais estrangeiros e imigrantes têm de ser acompanhados de incitativos fiscais, outra das alavancas de que os governos podem dispor para serem mais concorrenciais na caça ao capital estrangeiro.

Ver reportagem fotográfica do evento aqui www.lusopresse.com

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