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rss  Vol. XV - Nº 253         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 01 de Junho de 2020
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Cabo Verde:


PM quer cabo-verdiano ao lado do português como língua nacional

 

presidente de cabo verde-jose maria neves
Primeiro Ministro de Cabo Verde José Maria Neves
Foto: Carlos de Jesus, LusoPresse

Ribeira Brava, Cabo Verde - O primeiro-ministro de Cabo Verde insistiu terça-feira na equiparação do cabo-verdiano ao português como língua nacional do arquipélago, pedindo aos partidos com representação parlamentar para procederem a alterações constitucionais nesse sentido.

"A maior realidade cabo-verdiana é a sua crioulidade, fator de identidade singular e de unidade. A plenitude da cidadania cabo-verdiana exige o assumir da paridade e da coabitação oficial das duas línguas de Eugénio Tavares (um dos maiores poetas cabo-verdianos - 1867/1930)», sublinhou José Maria Neves.

Por isso, o chefe do executivo cabo-verdiano desafiou o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, 38 dos 72 deputados), Movimento para a Democracia (MpD, 32) e União Cabo-Verdiana da Independência Democrática (UCID, dois) a introduzirem alterações constitucionais, de forma a valorizar a língua.

"É hora de valorizarmos a nossa língua e elevá-la a maior dignidade constitucional. Dos vários consensos políticos que precisamos não devemos retirar da lista por mais tempo aquele sobre a oficialização da língua cabo-verdiana, no pleno assumir do bilinguismo paritário e democrático», sustentou.

Em tom de desabafo, José Maria Neves lembrou a sua intervenção, em fins de setembro, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, quando discursou em cabo-verdiano para sustentar mais um pouco a sua intenção de equiparar a língua ao português.

"Há dias, quando fiz a minha intervenção em cabo-verdiano na ONU, por um momento pensei que estivesse a falar em nome de uma grande potência mundial», afirmou o primeiro-ministro de Cabo Verde, cujo discurso as Nações Unidas suscitou grande polémica no arquipélago, com uns a defenderem-no e outros a criticá-lo.

Hoje, na Ribeira Brava, na ilha de São Nicolau, José Maria Neves discursava, em Português, nas cerimónias evocativas do Dia Nacional da Cultura e das Comunidades Emigradas, sob a égide de Eugénio Tavares, efeméride que passa agora a ser comemorada anualmente.

A intenção de elevar o cabo-verdiano a língua nacional foi apresentada já há vários anos pelo Governo de José Maria Neves, tendo sido feitos já vários estudos mas sempre inconclusivos, uma vez que Cabo Verde conta com inúmeras variações do Crioulo, falado e escrito de forma diferente de ilha para ilha.

Ainda no âmbito da efeméride que hoje se celebra, o primeiro-ministro cabo-verdiano anunciou também a criação da Fundação Eugénio Tavares, para lidar com questões de cultura e de emigração fora de Cabo Verde.

Eugénio Tavares, poeta, escritor e jornalista, foi uma das figuras cimeira da vida cultural, política e social de Cabo Verde entre 1890 e 1930 e, ao longo dessas três décadas, publicou uma obra vasta, que vai da poesia à música, da retórica à ficção, passando pelos ensaios, sendo considerado o «Camões de Cabo Verde».

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