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rss  Vol. XIV - Nº 250         Montreal, QC, Canadá - sábado, 26 de Setembro de 2020
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Ricardo Silva e a geminação com Laval

Interlocutor tem de ser mais colaborante

Inês Faro

Entrevista de Inês Faro, enviada especial aos Açores

O presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Açores, Ricardo Silva, recebeu o LusoPresse no seu gabinete. Foi uma oportunidade para percebermos em que ponto está a geminação da cidade com Laval, o que trouxe o fórum das cidades irmãs realizado há um ano na Ribeira Grande e ainda conhecermos melhor o Museu da Emigração com sede no concelho.

 

ricardo silva e a geminacao
Ricardo Silva
Foto: Inês Faro, LusoPresse

LusoPresse (LP): Quais foram as principais medidas saídas do fórum «Geminação, Uma Ponte para o Mundo», realizado a 20 de setembro de 2010 na Ribeira Grande?

Ricardo Silva (RS): Este Fórum serviu para as cidades geminadas com a Ribeira Grande se comprometerem a estarem mais presentes. Uma das conclusões desse fórum e que já estamos a traduzir no terreno foi a reabilitação do nosso trabalho de geminação com Rio Grande do Sul, no Brasil, nomeadamente na dinamização de novas formas de intercâmbio que sejam úteis para ambas as partes. Por exemplo, a realização de uma exposição de fotografia com artistas das duas cidades, a realização de um evento cultural ou recreativo por ano em cada uma das nossas cidades. Também estamos a fazer o mesmo com Lagos. Já a nossa relação com Santiago de Cabo Verde tem consistido, por exemplo, no envio de material escolar, uma ambulância, envio de roupas, etc.

LP: Em que ponto está a geminação entre a Ribeira Grande e Laval?

RS: A geminação da Ribeira Grande com Laval já vem dos anos 90, com a câmara anterior. No ano passado, por ocasião do fórum, convidámos todas as cidades irmãs para estarem presentes. Praticamente todas vieram, mas Laval não apareceu, não nos deram nenhuma razão especial para não estarem presentes. Da nossa parte, mantemos todos os objetivos. Olhamos para o Canadá sempre com muito carinho e abertos às várias formas de intercâmbio que possam existir. Temos muito gosto em que Laval faça parte das nossas cidades irmãs. Temos vontade de ter com Laval o mesmo tipo de relacionamento que temos com outras cidades, por exemplo, encontrar novas formas de trabalho ou o intercâmbio entre escolas.

LP: O que é necessário fazer para reforçar os laços entre as duas cidades?

RS: Com Laval temos de realizar formas de mantermos essa ligação às nossas comunidades emigrantes da maneira mais criativa possível. Tem de haver uma intensificação do diálogo. Também em 2007 convidámos Laval para estar presente na comemoração dos 500 anos como Concelho. Nessa altura não puderam vir, mas foram convidados. Temos vontade de manter essa geminação, mas o interlocutor também tem de estar aberto.

LP: De que forma a Câmara Municipal da Ribeira Grande se tem aproximado dos açorianos da diáspora naturais do concelho?

RS: Por exemplo, dinamizando o intercâmbio com Oakville, Ontário. Tivemos lá seis alunos da Ribeira Grande e recebemos aqui outros seis. Dentro de um quadro financeiro restritivo, temos feito o possível para estar perto das nossas comunidades. Também temos apostado num diálogo através do Museu de Emigração. Fazemos um apelo às pessoas para que com o Museu de Emigração se estabeleça um elo cada vez mais forte na descoberta e na memória daqueles que daqui partiram e possam deixar o seu registo. Temos recebido muitos depoimentos. Desde que temos o Museu de Emigração na internet, disponibilizamos as fichas de emigração dos ribeiragrandenses desde os anos 60. Muitos jovens têm encontrado fotografias dos familiares.

LP: Que balanço faz do Museu da Emigração desde a sua abertura em 2005?

RS: O Museu da Emigração é uma instituição jovem, temos um projeto de remodelação do exterior para aumentar as condições para receção e exposição dos objetos. Sendo o único museu do género nos Açores, já tem um espólio considerável, mas é preciso que lentamente ganhe mais importância não só no contexto português, como entre as comunidades. O meu apelo é que nos façam chegar material relacionado com a emigração: uma fotografia, histórias, livros, vídeos, informação sobre as bandas e associações locais. Interessa-nos tudo o que esteja relacionado com os nossos emigrantes. Somos ainda jovens e há um longo caminho a percorrer, mas acredito que estamos no caminho certo, na idoneidade e na confiança que as comunidades têm de ter em nós para ceder os seus objetos. Aconselho também que os nossos emigrantes que vêm aos Açores aproveitem para ir ao museu. É que este não é um museu parado no tempo, foi por exemplo aqui que começou a Associação de Emigrantes, constituída por pessoas que regressaram.

LP: Que mensagem gostaria de deixar aos ribeiragrandenses residentes no Canadá?

RS: São uma parte da nossa identidade. São pessoas que estando longe, é como se estivessem cá. Olhamos para os imigrantes sempre com grande afeto, com grande carinho. Os Açores devem-lhes muito também no contributo que a determinado momento fizeram com as remessas. Quero enviar-lhes um grande abraço e dizer-lhes que esta será sempre a sua terra. Também felicitá-los porque têm representado da melhor forma possível com o seu trabalho, com a sua seriedade e empenho a cultura açoriana, seja através da construção das suas igrejas ou das suas festas e tradições. E que eles e os seus filhos possam encontrar aqui uma porta para o seu regresso.

Visite o Museu da Emigração em:

mea.cm-ribeiragrande.pt

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