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rss  Vol. XIV - Nº 250         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 23 de Setembro de 2020
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Editorial

Rescaldo de Férias

Por Carlos de Jesus

O verão é o grande pesadelo dos chefes de redação. Em geral não há nada que se passe digno de notícia. É como se a vida entrasse também de férias. Há mesmo casos famosos de jornais que inventaram notícias nos mornos meses de estios para alimentar a sofreguidão de novidades dos leitores. Este ano foi a exceção que confirma a regra. Tivemos um verão notavelmente tórrido. Em vários quadrantes e das mais inesperadas fontes.

Quando entrámos de férias, a primavera árabe tinha acabado de bater à porta de Kadhafi. Hoje é Kadhafi que bate à porta de quem o queira e possa proteger da fúria dos seus antigos governados. Queimam-se os últimos cartuchos à entrada de Sirte, a terra natal do ditador líbio, onde vários soldados leais teimam ainda a defendê-lo ou, pelo menos, a sua própria pele.

Entretanto o Egito, um dos países mais afetados pela contestação da juventude árabe, resolve julgar o seu antigo ditador, Hosni Mubarak, que se apresenta deitado numa maca, diante dos seus juízes. O fim da ditadura Mubarak fica assim confirmado. Resta a incógnita quando é que os fanáticos da Irmandade Muçulmana vão impor uma nova ditadura.

É na Síria que a primavera árabe encontra mais forte e feroz oposição. Enquanto estivemos de férias, ocupados com os assuntos banais e simples de quem tem a felicidade de viver num país pacífico, houve muito sangue que foi vertido pelos opositores ao regime déspota do presidente Bashar Assad. E a carnificina continua.

Do lado europeu, a divisão entre países ricos e pobres pareceu acentuar-se, arrastando novos países, como a Espanha, a Itália e mesmo a França para a mira das agências de cotação financeira, como aconteceu já com a Grécia, a Irlanda e Portugal. Quando vimos que estas agências não hesitaram em baixar a cota dos próprios Estados Unidos é caso para nos perguntarmos se as suas motivações não são mais políticas que financeiras.

Mas mesmo aqui, neste país pacífico onde vivemos, este verão também foi fértil em parangonas. Sobretudo políticas. Quem diria, há seis meses atrás, que o Partido Quebequense, então às portas do poder, segundo todas as sondagens, ia conhecer um verão escaldante com as demissões estrondosas de alguns dos seus militantes e deputados mais tonitruantes? A tal ponto que segundo os resultados que as agências de sondagem deram a lume, o partido de Mme. Marois vem na cauda das intenções de voto dos sondados. Confirma-se assim, uma vez mais, que um partido que não é capaz de se governar a si mesmo, muito menos vai ser capaz de governar o Quebeque.

Mas a mais importante notícia, durante este tempo, por estas bandas, foi sem a mais pequena sombra de dúvida o falecimento de Jack Layton, o malogrado dirigente do Novo Partido Democrático. O primeiro-ministro Stephen Harper andou bem avisado ao proclamar que o seu óbito fosse celebrado com as honras dum funeral de estado. Os milhares de canadianos que se manifestaram e acompanharam as cerimónias, antes e durante o funeral, foram de tal modo impressionantes que mesmo os dirigentes do NPD foram apanhados de surpresa.

Quanto à presente «rentrée» jornalística, só nos resta afiar bem os dentes para mordermos a fundo na atualidade de que este verão foi um bom prenúncio.

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Carlos de Jesus
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