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rss  Vol. XIV - Nº 250         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 25 de Setembro de 2020
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Jovem chinesa ambiciosa de Moçambique e Portugal

Cláudia Chin: uma nova galeria de arte em Montreal

Jules Nadeau

Por Jules Nadeau

«As pessoas tornaram-se muito dependentes das novas tecnologias. Com frequência perguntam-nos se temos vídeos sobre os artistas. Os Média sociais abrem portas, mas fecham-nas também. Na arte visual, por exemplo, há uma diferença tátil entre uma fotografia e uma pintura cujo material é em três dimensões. É preciso que as pessoas venham à galeria», explica com convicção Cláudia Chin na entrevista.

claudia chin
Cláudia Chin viveu 10 anos em Lisboa
Foto: Jules Nadeau, LusoPresse

Há apenas três meses que Cláudia Chin abriu a Galeria de arte contemporânea 3C. A segunda inauguração duma exposição teve lugar a 9 de agosto. Entre os primeiros artistas postos em valor: o fotógrafo lusófono Karl P. Duarte e o artista de artes visuais Stewart Fletcher, numa exposição sobre a representação do corpo feminino, «Formas sensuais», soirée à qual assistiu o LusoPresse.

Beira, Lisboa e Montreal

Chinesa dos quatro costados, Cláudia Chin caligrafia facilmente o seu nome com um jeito de artista. O seu nome em mandarim escreve-se Zhen Jiali. Mas porque é que um jornal português se interessa por esta jovem fundadora e proprietária duma galeria? Não somente os seus pais (presentes na exposição) falam português, mas Cláudia Chin também o escreve. Pela simples razão que eles nasceram na Beira, em Moçambique. Feliz mistura intercultural para estes cidadãos do mundo que se tornaram montrealenses em 1987 - depois de dez anos passados em Lisboa.

Cláudia Chin é curiosa e ambiciosa. Deixar o artista criar enquanto a galeria faz a promoção e a venda. «Quero dar a voz e um espaço aos artistas em que acredito. Quero organizar eventos de colheita de fundos para organismos como a Fondation du coeur. O cancro, os hospitais das crianças, resumindo, da saúde e da educação. Também, criar acontecimentos interdisciplinares, fazer dialogar as pessoas: filmes, música com arte, jazz.»

A influência de Lisboa

Como é que nasceu a ideia desta galeria? Da cidade portuária da Beira, a família (com o seu irmão que agora vive na Colômbia Britânica) passou para a capital portuguesa em 1977 quando ela tinha três anos. «Cresci no concelho de Loures, nos arredores de Lisboa, num país antigo. Estive sempre exposta às esculturas, aos museus, à arte nos lugares públicos. Às estátuas de pedra e de metal. Muito diferente de Montreal.» Mas a ideia de uma galeria surgiu a partir de discussões com Stewart Fletcher e um outro artista, G. Scott MacLeod.

Recusando deixar-se esmagar pela rotina, Cláudia Chin deixou um emprego a tempo inteiro em 2008 e tornou-se conselheira de artistas. «Reparei que em cada cinco anos tinha de mudar de ambiente.» Foram finalmente os amigos que a dirigiram para esta nova aventura. Em particular, Stewart Fletcher que ocupa um atelier no mesmo edifício do 9150 rua Meilleur (perto de Chabanel). «Ele propôs-me vir para aqui.» Eis como ela arranjou coragem para ocupar o local bem iluminado e de paredes claras. Uma renda razoável no «quartier de la guénille» (bairro dos trapos) que se abre ao mundo da arte, segundo ela.

No dia da inauguração da exposição, os representantes do LusoPresse encontraram nos pais de Cláudia pessoas amáveis de espírito vivo que falam muito bem a língua de Camões. Cláudia confessa não estar ligada à comunidade portuguesa de Montreal. À comunidade chinesa também não. Para não ter de reinventar a roda, eis duas redes a integrar, aconselharam-na. O bacharelato em vendas e marketing que ela possui da Universidade Concórdia será um trunfo precioso para rentabilizar as suas operações de diálogo e de ajudar os artistas a ter sucesso.

Por agora, a Galeria 3C só está aberta das 10 às 14 horas, às quintas-feiras ou com marcação. Para mais pormenores: 514-779-9885 e www.galeria3c.com

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