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rss  Vol. XV - Nº 248         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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Santo António de Lisboa...

Viv'a Sardinha, vizinha!

Inês Faro

Por Inês Faro, enviada especial

 

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Foto: Inês Faro, LusoPresse

Lisboa, Estremadura - Arraiais, sardinhas assadas e manjericos. Música a sair das janelas, bebidas caseiras, jantares comunitários e populares. Foi a caça às febras e à sangria, que se quis bem fresquinha nesta noite de calor. O LusoPresse saiu à rua e viu Lisboa a encher-se de alegria e cor para festejar o Santo António, santo padroeiro de Lisboa, na noite de 12 de junho. A diversidade da oferta foi grande e para todos os gostos. Se em Alfama o hit da noite foi o «quem é, quem é o pai da criança», no bairro da Bica, os sons foram mais alternativos. No bairro da Graça, este ano mais trendy, houve de tudo: rodas de choro, acordeões, festas privadas na rua e ruas inteiras a festejarem. No Castelo houve mais empurrões e bebidas, muitas bebidas vendidas à janela, nas barraquinhas ou nos cafés. Em todas as ruas, estreitas ou largas, enfeitadas a arcos e balões, houve festarola à portuguesa.

A minha marcha é linda!

 

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Foto: Inês Faro, LusoPresse

Velhos, novos, portugueses ou turistas, as tradicionais marchas moveram milhares de pessoas à Avenida da Liberdade. E se sardinhas gigantes de várias cores ocupavam os candeeiros, foi de Fado que a noite se vestiu. Mulheres com xailes negros, grandes guitarras e até a recriação de tascas populares, encheram o coração da cidade em homenagem à música nacional. Numa tradição popular que vem desde 1930, as marchas fazem parte do ideário lisboeta. «Venho desde que nasci. Sou alfacinha de gema, não posso faltar!», disse Lucas Santos, 75 anos. «Sou do Campo Grande, mas aqui estou por Carnide. Já escrevi duas marchas para eles», disse orgulhoso ao LusoPresse.

Já para Iara Filipa, 14 anos, esta é uma estreia. Sentada nas poucas cadeiras da Avenida, a jovem lisboeta partilha alegre qual é a marcha que se segue. «Já tinha visto na televisão e achei muito fixe, por isso vim!», disse. «A marcha que mais gosto é de Campolide». «Claro, é a do bairro da avó!», ouve-se de quem lhe aguçou o gosto pelas marchas.

 

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Foto: Inês Faro, LusoPresse

Como nos anos anteriores a marcha das crianças da Voz do Operário abriu o desfile. Pela Avenida da Liberdade passaram mais de 1500 marchantes de 22 coletividades da cidade. A vencedora da noite foi a marcha do Alto do Pina, que venceu Alfama por apenas dois pontos.

«Ié, ié, ié, ié, a minha marcha é que é», gritaram os bairristas à passagem da coletividade que os representa. «Viv'a a Festa, Viv'a a Rainha, Viv'a a Sardinha», cantou o Beato. «Ai, ai, ai, ai. Olha o marinheiro. Olá, olá, Olha a peixeirinha. Vem cá, vem cá, Meu amor trigueiro Com olhar matreiro, Tu vais ser só minha», pregou Alfama.

Mas desengana-se quem pensa que os santos 

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Foto: Inês Faro, LusoPresse

populares só se celebraram esta noite. Para um povo de romarias, as festas não podiam acabar aqui. Até ao final do mês, Lisboa recebe ainda um festival de palavras - O festival Silêncio, um Arraial Pride e um festival de novas tendências e expressões artísticas no Cinema São Jorge. Também na Bica há arte à solta com o Bica Attack. Lisboa está em festa e isso ouve-se no fado ao vivo ou nas melodias mais jazzísticas que ocupam os elétricos nestes dias. A música também invade os jardins, seja com o festival OutJazz ou performances na baixa da cidade. No mês de junho, o Tejo não dorme. Celebra-se Lisboa e o cheirinho a manjerico.

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