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rss  Vol. XV - Nº 248         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 05 de Junho de 2020
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Para quê escrever, e para quem?

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Vem isto a propósito do futuro do jornalismo de hoje, e da sua continuação impressa em papel.

Num dos textos que escrevemos há muito pouco tempo nas páginas deste jornal, tínhamos levantado o problema em saber se o livro escrito em papel teria longa existência dado ao avanço das novas tecnologias.

Isto, porque, os jornais de informação de conteúdos de qualidade, com a atual competição eletrónica digital de baixo nível na internet, atravessa-se-lhes no caminho?

Este ano, dado que o jornal LusoPresse leva por diante a comemoração do décimo quinto aniversário da sua existência é o momento de nos interrogarmos, se vale a pena todo o esforço e dedicação dos obreiros que fazem sair este jornal com distribuição gratuita.

Daí a saber, se devido às novas técnicas de escrever, ainda haverá leitores que continuarão a utilizar o jornal físico em papel para a sua informação!

Vários jornais diários, de grandes países, tais como o Le Monde, o New York Times, El País, etc., ainda não fecharam as portas, mas têm despedido centenas de trabalhadores.

Ora não é o caso de jornais regionais, ou comunitários, onde os colaboradores são voluntários, e muitas das vezes não são verdadeiramente profissionais do jornalismo, como por exemplo este vosso servidor.

Mas será que a verdadeira informação jornalística na tela eletrónica, tem o mesmo interesse que o jornal em papel? Ou será que o leitor não olha à distinção de conteúdos jornalísticos, e prefere a leitura digital da tela eletrónica, como por exemplo, o ipod, o ipad, o smarfone e outros meios de comunicação eletrónica na internet?

Estes últimos cinco anos o jornal eletrónico e digital apareceu a galope. Basta estar atento aos meios de comunicação numéricos, com todos os ipod, iphone, ipad, e smarphones para nos darmos conta do progresso científico-tecnológico na internet.

Se continuarmos a este ritmo, devemos interrogar-nos se a nova «civilização» ainda conservará vestígios mentais que tenham a ver com a civilização judeo-cristã. Mesmo se os inventores do Google da Universidade de Stanford na Califórnia: Larry Page e Sergy Brin ainda pertencem a essa linhagem civilizadora!

Uma outra interrogação é como foi possível a internet do Far West acompanhar num abrir e fechar de olhos, através dos Google, Microsoft e Amazon, arrastarem com eles a «velha Europa», esta, apelidada assim pelo ex-Presidente G. Bush? É certo que se diz que o mundo não anda para trás, e como muito bem diz o nosso povo: para trás mija a burra.

Mas se calhar, com as extremas-direitas políticas e religiosas no poder, até estamos verdadeiramente a andar para trás! Chama-se a isto forças de regressão obscurantistas.

Segundo Bernard Poulet: «As novas tecnologias de informação - Internet, telemóveis, SMS (Serviço de Envio de Mensagens), TNT (Televisão Numérica Terrestre), Blackberry, blogues, MP3, etc.,» são instrumentos que «permitem ao individualismo consumista de se expandir de várias formas, contribuindo para a fabricação de um mundo mediatizado», caindo na esparrela, a que Dominique Wolton chama de «solidões interativas».

Mais adiante, este autor, que cita um jornalista americano, em relação a certo tipo de blogues, por este jornalista definidos como tal: «economia do ego» - narcisismo contemporâneo «oferecendo jornais íntimos, oferecidos a todos, nos quais, cada um pode intervir»...

É assim que hoje muitos dos blogues já influenciam muita gente sem que haja análise crítica aberta ao grande público. Casos em que ciclos de certo tipo de leitores familiarizados com novos conceitos técnicos da comunicação mudaram o sentido da leitura e de comunicação! Bernard Poulet diz ainda que a leitura na Web não é a mesma que uma obra de leitura imprensa no papel. Para ele, a leitura na Web, é uma leitura de «surfe».

No entanto, nós reconhecemos que a chamada democracia tenha que passar por aqui para chegar ao seu verdadeiro conceito de origem. Mas mesmo passando por todas as etapas de leitura no papel, é evidente que hoje, com todas as contradições que existem, não se podem evitar as novas tecnologias...

Em 1995 a internet contava apenas 23 000 portais. De 1995 a 2007, a «sociedade inglesa Nectcraft recenseou 120 milhões de portais». E agora, quatro anos passados? Será que o jornalismo no papel resistirá a esta tendência crescente da leitura em «linha»? Recentemente, foi encontrada por um antropólogo um escrito numa plaqueta, datado com três mil anos numa aldeia do Peloponeso a 300 km de Atenas. Será que a nova civilização (caso no futuro possa existir) do digital conseguirá a mesma longevidade com esta revolução tecnológica? E que dizer da democracia, e da liberdade de expressão (cara a Thomas Jefferson), com a revolução tecnológica desta mudança de conceitos e conteúdos «monopolizados» por todos Google e os poderosos deste mundo?

Aqueles que têm ilusões que a internet é gratuita e não «monopolista», desiludam-se. Quem foi que comprou o portal YouTube que Steve Chen fundou e lhe fazia concorrência, senão a Google?

Bernard Poulet diz que a internet não é somente uma tecnologia, ou um Média, mas também uma ideologia. A propósito, será que este conceito ideológico não teria propulsado e ajudado indiretamente a eleição de 59 candidatos do NPD em Quebeque, derrotando o Partido Liberal do Canadá, e o Bloc, elegendo assim a ideologia de direita do Partido Conservador do Sr. Harper?

Ref.: Bruno Racine: Google et le nouveau monde. Perrin, 2011 - wwweditions-perrin.fr

Bernard Poulet: La fin des journaux et l'avenir de l'information Editions Gallimard, 2011

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