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rss  Vol. XV - Nº 248         Montreal, QC, Canadá - quarta-feira, 03 de Junho de 2020
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No Centro Comunitário do Espírito Santo de Anjou

Passado bem tratado é futuro garantido

Adelaide Vilela

Reportagem, texto e fotos de Adelaide Vilela

A alvorada branqueia as nuvens do céu e logo o vento suaviza as linhas das ruas, da cidade, onde o Divino Espírito Santo há de vir bater à porta de quem o desejar.

 

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Dirigentes do Centro Comunitário de Anjou
Foto: Adelaide Vilela

Acreditamos nela! Cremos e com verdade que a beleza é feita de coisas simples. Da sua simplicidade nasce um caráter. Nós atrevemo-nos a dizer que um dom inspirou a Sabrina Tavares a «chamar» a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Ela desceu à sua casa sem Se fazer esperar e aí permaneceu durante duas semanas para que o nome de Deus fosse glorificado - em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

 

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Foto: Adelaide Vilela

Confessou-nos a musa inspiradora, a Rainha das Festas do Divino Espírito Santo de Anjou: «Eu fiquei com o Divino e a razão é esta, tenho muita Fé no Senhor. Gosto muito Dele. Que não haja margem para dúvida, o Espírito Santo traz-me muitas Graças. Aqui ao meu lado direito está o meu namorado, que é já uma Graça maior. Há uma segunda Graça, felizmente.» A rainha não divulgou o segundo favor divino mas pareceu-nos muito feliz, ao deitar um olhar contente ao «seu mais que tudo», ele retribuiu com a mesma cumplicidade. Sabrina Côroa Tavares é filha de Maria da Luz Côroa e de Carlos Tavares, oriundos de S. Miguel, Açores.

 

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Foto: Adelaide Vilela

Espírito Santo é sinónimo de humildade, pureza, luz, força, santidade, inteligência e muito mais voz na palavra haveria para cantar às estrelas do Pai. Quantas vezes na terra esta linguagem inocente passa despercebida aos olhos do mundo?

E lá vai o Santo da unidade ano pós ano fazer a sua visita ao Centro Comunitário do Espírito Santo de Anjou. Ele sabe que ali há gente de todos os belos recantos dos arquipélagos dos Açores e da Madeira e muito povo de Portugal Continental. Se o Divino falasse, diria então: - Isto é conhecimento, sabedoria e maravilha - a prática da união

- Sou um homem simples e de trabalho, e é assim que o Sr. Espírito Santo gosta. Conduzo esta coletividade, com a minha direção e muito respeito pelo Senhor e pelas tradições dos meus pais. Já assim me ensinaram. Tenho muita admiração pelas gentes dos Açores, da Madeira ou do Continente. Sejam todos bem-vindos à nossa Associação, os que falam português ou outras línguas. Foram estas as palavras do Sr. Liberal Miranda, presidente do Centro Comunitário, deixadas com a postura habitual: estilo calmo e descontraído, a revelar-nos como a sua crença ganha valor e seriedade.

 

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Voluntários
Foto: Adelaide Vilela

Dentro do quadro das atividades, do Centro Comunitário do Divino Espírito Santo, de Anjou, apraz-nos salientar que no sábado, dia 25 de junho, se reuniu um grande grupo de pessoas à volta do altar ornamentado para adorar o Senhor. Ao vermos aquelas mãos gigantes, lindas, abertas, tivemos a ideia de que ali se abraçaria o mundo de uma só vez. Virtuosas são as mãos humanas e a arte daquele que desenhou e esculpiu as mãos de Deus feito Homem. Diante daquele recanto sagrado, acompanhados pelo Diácono António Ramos, todos louvaram a Deus entoando bonitos cânticos. Bendita seja a Voz Soprano do Jason Côroa e a magnifica Ave-Maria que interpretou de sua própria vontade.

Terminada a oração, ultimam-se os retoques nas mesas, a ceia está pronta. Quantos esperam já pela comida? A carninha fumega e as batatas chegam cheirosas. Este ano coube à Fátima Toste, mestra no tempero das carnes e nas sopas do Espírito Santo. Com ela estiveram, de apoio à cozinha, durante a noite: Flávia, Maria do Carmo, Eduarda e Manuel Torres.

É evidente que não há festa sem música para alegrar a malta! Entraram em palco, neste caso, na arena, alguns elementos da Filarmónica Portuguesa de Montreal, alegres e dinâmicos interpretando lindíssimas canções. Louvamos aqui o trabalho destes músicos os quais acompanharam Sylvie Pimentel, que canta divinamente, e nós apreciámos imenso as suas atuações artísticas.

Durante a noite de sábado alguém nos afirmava que o querido Jason Côroa viria de novo cantar. Como é óbvio, o que fizemos foi ficar fielmente à espera do jovem que canta bem e tem um futuro promissor.

A noite não podia terminar sem o povo dar ao chinelo e desfazer o gelo que se fazia sentir por debaixo do «chão postiço» que os proprietários da arena Chenier ali colocaram para que se pudesse caminhar com mais conforto. Certo: «É senhora, o frio chega-me até cá arriba». Queixou-se uma pobre mulher. O baile com o Xpressions vinha mesmo a calhar. Eles mereceram muitas palmas pela magnífica e primeira atuação. As seguintes vieram aquecer e dinamizar totalmente o ambiente.

Na música vai também nota positiva para o Marc Denis. O artista veio de propósito dos Estados Unidos, a convite da Mordoma, para apresentar o seu espetáculo, neste dia em especial. Em boa verdade se diga, agradaram-nos os momentos passados em companhia do cantor. O Marc Denis é alegre, eternamente presente, com um vasto reportório, tem muitíssimas fãs em Montreal. Exibiu canções lindas, divertidas e pôs toda a gente em movimento. Embrulhado nas suas duas bandeiras, surgiu lá do alto como se, para ele, fosse a primeira atuação.

Pela noite adiante ainda fomos presenteados com o alegríssimo Rancho Folclórico Verde Minho. Apreciamos sempre as suas danças e, ainda mais por serem impulsionadores desse grande património cultural que existe na sua região nortenha.

Domingo, dia 26 de junho de 2011, a Naylinha já tem um ano e dois dias neste preciso momento. A vovó Laila dividida entre duas festas tentará dar conta do recado, vai à procissão mas não pode assistir à celebração da Eucaristia. Também não consegue dizer que não ao redator do jornal: os amigos são para as ocasiões.

Assim mesmo, com as lágrimas nos olhos chegamos ao Centro Comunitário, tínhamos uma promessa para cumprir. E o mundo é sempre pequeno quando temos coragem de levar e dar aos outros o melhor de nós mesmos. Aqui deixamos aos nossos leitores o meu melhor deste Domingo Santo.

Motivados pelo grande amor ao Divino Espírito Santo ou talvez movidas pelo orgulho de darem continuidade às tradições açorianas, muitas foram as pessoas que afluíram ao Centro Comunitário.

Na procissão já formada iam representantes das Sete Domingas, algumas coroas e estandartes. Seguiam de igual modo várias rainhas e algumas imperatrizes. Todos luziam nos seus lindos trajes. Anjos de asas brancas e até o rei e rainha Santa Isabel vieram promover a procissão do Divino do Centro Comunitário de Anjou.

No que respeita à nossa rainha, a Sabrina desfilou como verdadeira majestade durante o seu curto reinado, religioso e profano.

A destacar ainda, a Filarmónica Portuguesa de Montreal que dá sempre um brilho especial e riqueza a estes momentos.

Devidamente vestidas de azul e branco, representadas pelo Presidente da Associação Portuguesa do Canadá, a procissão contou com a presença das Sras. da Marcha. As dançarinas levaram vivacidade e cor ao desfile pelas ruas onde passaram.

Registe-se também a presença do Dr. Fernando Demée de Brito, Cônsul-Geral de Portugal em Montreal. Na nossa opinião esta filosofia assenta muito bem nos princípios do Diplomata. É um apoio dedicado aos portugueses da diáspora, gentes do seu Ministério.

Destacamos de igual modo a Sra. Lise Thériault, ministra do Trabalho, o Sr. Luís Miranda, presidente da Câmara de Anjou, a Sra. Michelle Zammit e a Sra. Andrée Hénault, vereadoras.

Segundo informação, a cerimónia religiosa foi presidida pelos seguintes sacerdotes: padre José Maria Cardoso, padre Gaetan, padre Matteau, padre Paulo, padre Jorge Muniz, que coadjuvados pelo diácono António Ramos e pelo seminarista Claude, celebraram a eucaristia deste belíssimo Domingo de festa.

Na conclusão deste nosso trabalho e, apesar de não termos comido as sopas do Divino, nem a célebre carne de vaca, devido a problemas alérgicos, queremos de igual modo aqui render homenagem a todos os voluntários.

Recuando nos anos. Lemos na revista Morelos ahora: «Este século virá mudar a face do mundo». Referia-se ao século passado, dos anos 1000. Lemos noutra a seguir que o progresso eletrónico dominaria totalmente a terra e o homem no recente século XXI. Aconteceu, porém. Os humanos, ainda que crentes, muitos só vêm à frente dos olhos o progresso material, esquecendo-se de que o progresso humano é muito mais importante para o desenvolvimento moral, social e intelectual de todo e qualquer Ser humano na terra. Só assim podemos ser felizes e viver em paz.

Aqui deixamos um louvor mais a todos os voluntários para os quais a face da terra ainda não mudou. Continuem meus amigos na prática do bem, dos humildes gosta o Espírito Santo. Por isso as escrituras sagradas mostram-nos que o Divino Espírito Santo é tudo, e afirmam: É Sabedoria, Bem, Conhecimento, Luz, Maravilha, Força, Inteligência e Fé.

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