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rss  Vol. XV - Nº 247         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 21 de Setembro de 2020
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O 10 de Junho na Comunidade

Foi descentralização conseguida

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Pela primeira vez na história da Comunidade Portuguesa do Quebeque, o 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas foi realizado fora de Montreal. Em 2011, por proposta do Cônsul-Geral de Portugal, Dr. Fernando Demée de Brito, a escolha recaiu na cidade de Laval, que é aquela que possui a segunda maior aglomeração de portugueses da província, depois, claro está, de Montreal.

10de junho laval discurso
Finalmente foi a vez do Dr. Fernando Demée de Brito de falar à comunidade. O seu discurso terminou com um Porto de Honra entre todos, muito democraticamente, como convém e nem sempre é (foi) assim.
Foto: LusoPresse

Assim decidido, assim feito. E o resultado foi probante, pois a comunidade lavalense de origem portuguesa aderiu de forma concreta, sabendo-se até que uma grande maioria dessa gente é de origem açoriana e que, por conseguinte, é mais refratária às comemorações de um dia que lhe pertence de pleno direito. E refratária não só por razões históricas, mas também por razões de comportamento de quem, através dos anos, tem tido responsabilidades na matéria. Felizmente que o Dr. Fernando Demée de Brito, com uma visão muito mais abrangente do que predecessores seus, tem vindo a colocar toda a comunidade em pé de igualdade, quer os seus concidadãos venham do Minho, do Algarve, ou da Madeira, Açores e por aí adiante. Não foi o atual Cônsul-Geral que convidou para um conselho - o Conselho Consultivo - uma maioria de representantes de origem açoriana? Antes, os cônsules que por cá passaram sempre se «encostaram» a um leque de amigos, onde os açorianos sempre fizeram figura de gente de segunda ou terceira classe! Querem exemplos? Recuemos no tempo e olhemos para quem integrou a Comissão dos 50 anos desta comunidade!

É por isso que esta - direi, mais esta! - tomada de posição do Dr. Fernando Demée de Brito nos consola. E deve consolar todos aqueles que, como eu, em diversas ocasiões nesta comunidade se sentiram descriminados. Oxalá que decisões destas sejam para continuar no futuro. Mas para isso também é preciso contar com elementos comunitários de espírito aberto, como foi o caso dos elementos da Comissão do 10 de Junho deste ano que, na sua maioria até vêm do retângulo continental.

10 de junho laval senhoras
Desfrutando o ambiente...
Foto: LusoPresse

Agora, relativamente às comemorações, elas começaram às 19h00 de sexta-feira, no extenso Parque Pedro da Silva de Laval, contíguo ao Centro Comunitário de Nossa Senhora de Fátima. Içou-se a Bandeira Nacional - desta vez ninguém se insurgiu contra a presença da Bandeira da Região Autónoma dos Açores, que desfraldou à direita da Portuguesa - tocou-se (Filarmónica Portuguesa de Montreal) o Hino Nacional (também houve quem o cantasse), discursou-se, declamou-se poesia, dançou-se folclore, e também se comeu bifanas, malassadas, e por aí adiante. Infelizmente não se curtiu a exposição que estava prevista porque simplesmente os seus autores não a realizaram. Para alguns membros da Comissão esta falta «é lamentável», sobretudo porque não houve explicações do sucedido pelos seus autores. Para outros, mais comedidos, pode ter havido complicações de última hora. Mas para aqueles, não convencidos, a pergunta: - onde estava o telefone?

 

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Discursos, poesia, apelo a todos...
Foto: LusoPresse

Atrás, já fizemos referência à música, aos discursos, ao folclore, à dança... Foram seus intérpretes os Ranchos Folclóricos Estrelas do Atlântico, Cantares e Bailares dos Açores, Português de Montreal; Conjunto Expression; Fátima Miguel, Alex e o consagrado Joe Puga; Cristiana Barros declamou o Soneto 12 de Camões, Clementina Santos, conselheira das Comunidades Portuguesas apelou a maior união na comunidade, achou boa ideia o 10 de Junho em Laval, falou dos jovens, dos idosos e da já celebérrima Casa de Portugal; Gilberto Alves foi a voz da Comissão; e antes que o Cônsul-Geral falasse, foi a vez de intervirem os padres José Maria Cardoso, da Missão de Santa Cruz, e Carlos Dias, o anfitrião das festividades, se assim se pode dizer. Aquele socorreu-se da sua experiência de emigrante na Irlanda para focar os sentimentos próprios do Dia de Portugal; este congratulou-se com o facto de as comemorações serem este ano na sua paróquia, um sinal de descentralização muito positivo. E na mesma altura anunciou que brevemente haverá missa portuguesa na cidade de Longueuil, um motivo de orgulho para os cristãos da comunidade.

Finalmente foi a vez do Dr. Fernando Demée de Brito de falar à comunidade. O seu discurso terminou com um Porto de Honra entre todos, muito democraticamente, como convém e nem sempre é (foi) assim.

Depois de ter indelevelmente falado na crise que atravessa o nosso país, o nosso Cônsul-Geral centrou a sua intervenção na crise de valores que afeta a nossa própria comunidade e que chega a provocar situações desagradáveis, como situações de abuso, de violência doméstica, pouco apoio aos nossos idosos, numa palavra, «falta muito apoio solidário». Mais adiante, o diplomata haveria de dizer que «Falo nestes assuntos não como crítica mas porque urge reparar estas situações...». Falou da saudade, da procura de uma vida melhor, e apelou ao incremento da língua portuguesa através dos jovens. De resto, a quem apelou para que «são vocês que carregam o fardo de defender a nossa língua, as nossas tradições e a nossa comunidade». E discorreu sobre a Educação e do peso que tem num mundo cada vez mais globalizado. «É o vosso futuro que está em jogo», disse.

 

10 de junho laval gente
Dia de Portugal, festa da família, dos novos e dos menos novos
Foto: LusoPresse

Já no final do seu discurso, escutado sempre com muita atenção por todos os presentes, o Dr. Fernando Demée de Brito convidaria a população para duas iniciativas do seu cunho. A primeira, a funcionar desde o Outono passado, é chamada de «Consulado Aberto», onde se tem organizado sessões de esclarecimento sobre vários domínios, casos, por exemplo, da nacionalidade, Cartão do Cidadão, etc., e uma outra, dedicada aos jovens dos 16 aos 24 anos e que tem por título «Jornadas Portas Abertas». Vai decorrer durante 8 semanas. Já começou ontem, quarta-feira (dia 15) e termina a 3 de Agosto. O período de funcionamento é da parte da manhã. Visitas e contacto com os funcionários serão privilegiados. O Senhor cônsul estará disponível para receber todos os jovens. Um correio eletrónico ou um telefonema marca o dia da visita.

Alexandre Duplessis, vereador local, já no decorrer das festividades, veio dar os parabéns ao Dr. Fernando Demée de Brito pela iniciativa de trazer o 10 de Junho para Laval.

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