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rss  Vol. XV - Nº 247         Montreal, QC, Canadá - domingo, 27 de Setembro de 2020
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Dia de Portugal em Castelo Branco

«Esta Pátria, que é de todos»

Inês Faro

Reportagem de Inês Faro, enviada especial

A inauguração do Museu Cargaleiro no dia 9 de Junho em Castelo Branco, foi o pano de fundo escolhido pelo Presidente da República para a mensagem dirigida às Comunidades Portuguesas, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O LusoPresse esteve presente, tendo sido mesmo o único órgão de comunicação das Comunidades Portuguesas a fazer a cobertura de todos os eventos de 9 e 10 de Junho, facto aliás comentado entre os jornalistas presentes.

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Foto: Inês Faro-LusoPresse

Num contexto difícil para Portugal, Cavaco Silva aproveitou o momento para apelar à ajuda de todos os «filhos da Nação». «Todos não somos demais para ajudar a nossa terra, a terra das nossas raízes. Mas há razões de esperança. Uma delas é, justamente, a vitalidade das Comunidades Portuguesas», disse o Chefe de Estado.

 

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O Presidente da República em Castelo Branco
Foto: Inês Faro-LusoPresse

E embora na prática o apoio e a dinamização dos laços entre as comunidades da diáspora e os decisores políticos não seja exemplar (de que foi prova ainda recentemente a extinção em alguns países dos programas «Contacto» emitidos pela RTP - internacional), agora o momento foi o de lembrar, mais que nunca, aos portugueses expatriados que, afinal, Portugal é mesmo de todos. «Acreditem que esta Pátria, que é de todos, constitui um destino com grandes potencialidades, para onde podem canalizar o vosso investimento, o vosso talento, o vosso espírito empreendedor», disse o Presidente.

No primeiro discurso dos dois dias de comemorações, Cavaco Silva dirigiu a sua atenção para as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo: «As Comunidades da Diáspora são núcleos de cidadãos do Mundo, mas também embaixadas de Portugal que, pelo valor do trabalho e pelo espírito empreendedor dos seus membros, enobrecem o nome do País e dão um contributo fundamental para o seu prestígio no estrangeiro.»

 

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Parada Militar
Foto: Inês Faro-LusoPresse

Cavaco Silva sabe que a recuperação económica do país também depende dos portugueses no estrangeiro, que representam um terço da população portuguesa. Num discurso de enaltecimento dos portugueses da Diáspora, o Presidente da República relembrou a coragem e a ambição que ao longo dos anos têm caracterizado os que escolhem viver além-fronteiras. «As Comunidades da Diáspora são modelo de quem não espera passivamente, de quem não aguarda que sejam outros a resolver os seus problemas». As mesmas características que Cavaco Silva espera que sirvam como paradigma para os tempos difíceis que Portugal vive: «É esta nota de inconformismo e ambição que importa sublinhar como exemplo.»

A língua e a cultura portuguesa foram referidas pelo Chefe de Estado como elementos a preservar. Além do investimento no plano cultural, Cavaco Silva apelou ainda ao reforço dos laços empresariais entre as comunidades da Diáspora e Portugal.

O Presidente da República rematou a curta mensagem dirigida às Comunidades da Diáspora no mesmo tom de apelo à união e ao patriotismo. «Portugal precisa de vós. Portugal precisa de todos os Portugueses. De todos eles, de cada um deles, onde quer que se encontrem.»

«É preciso que o País queira ser curado»

 Castelo Branco foi o palco das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas deste ano. O LusoPresse testemunhou o evento que decorreu pela primeira vez numa capital de distrito do interior do país. Com a escolha da cidade, Cavaco Silva pretendeu chamar a atenção para as desigualdades territoriais, para o envelhecimento da população e despovoamento do território. «Pretendo trazer o interior do País para o centro da agenda nacional», disse o Presidente da República no discurso proferido na sessão solene das comemorações, na manhã de 10 de Junho.

Sob chuva, o Jardim Amato Lusitano foi o primeiro destino do Presidente, para uma homenagem ao Dr. João Rodrigues de Castelo Branco, conhecido como «Amato Lusitano», nascido no século XVI. Cavaco Silva comparou Portugal a um paciente do médico albicastrense que por não obedecer às prescrições do doutor, piorou o seu estado de saúde. «É preciso que o País queira ser curado», disse.

Seguiu-se a cerimónia militar do içar da Bandeira na Praça do Município e a abertura das comemorações na Câmara Municipal. No mesmo tom utilizado para a metáfora do paciente que desobedeceu ao médico Amato Lusitano, o Presidente da República lembrou que era urgente «mudar de vida».

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Foto: Inês Faro-LusoPresse

Dos Paços de Conselho, a comitiva presidencial dirigiu-se ao Museu Cargaleiro, onde o Chefe de Estado dirigiu a mensagem às Comunidades Portuguesas.

O sol recebeu o Presidente da República e os convidados para o almoço em honra de personalidades que se distinguiram em Portugal e no Estrangeiro no âmbito das suas atividades profissionais, que decorreu no Conservatório Regional de Castelo Branco. Entre os homenageados não esteve nenhum residente do Canadá.

A população esperava-o à saída. Os mais jovens aproveitaram para pedir autógrafos e os mais velhos passou-bens. O LusoPresse registou aliás, que este foi um dos poucos momentos em que os habitantes da cidade tiveram a oportunidade de contactar de perto com o Chefe de Estado.

Do outro lado da estrada, à porta dos Antigos Correios de Castelo Branco, outro aglomerado de pessoas esperava a comitiva presidencial para a inauguração da exposição «Pontos de Fuga».

Depois de um período privado, as atividades presidenciais retomaram no início da noite, com o descerramento da placa toponímica «Avenida de Portugal». Na mesma altura, os carros do corpo diplomático ocupavam já a avenida de principal acesso à cidade. O tapete vermelho do Museu Francisco Tavares Proença Júnior (antigo Paço Episcopal), estava também pronto para receber os convidados do jantar oferecido pelo Presidente da República e pela Primeira-Dama Maria Cavaco Silva. Depois da sessão de apresentação de cumprimentos do Corpo Diplomático ao Presidente da República, seguiu-se o jantar numa tenda montada nos jardins do Paço Episcopal, com um momento musical por Tereza Salgueiro, onde os jornalistas não puderam estar presentes.

Mais tarde, Cavaco Silva dirigiu-se ao Campo dos Mártires da Pátria (Devesa), para a visita às atividades complementares das Forças Armadas e para assistir ao concerto de Luís Represas, oferecido pelo Presidente da Câmara Municipal, Joaquim Morão à população.

Dia de Portugal

Numa iniciativa de fazer chegar aos leitores uma reportagem na primeira pessoa, o LusoPresse acompanhou na íntegra as atividades organizadas para as comemorações do 10 de Junho. O sol quente, as gentes na rua e as bandeiras de Portugal nas mãos dos populares foi o cenário da manhã de comemorações em Castelo Branco. Uma vez mais o Dia de Portugal foi comemorado em associação com as Forças Armadas. No grande campo da feira, às nove e meia da manhã já os militares dos três ramos das Forças Armadas estavam em posição para receberem o também seu Comandante Supremo, Aníbal Cavaco Silva.

A alocução do Presidente da República foi na mesma linha dos apelos dos últimos tempos. «Na atual conjuntura, não podíamos deixar de dar um sinal de sobriedade e contenção.»

Depois da parada militar, a comitiva presidencial dirigiu-se para o Cineteatro Avenida, no centro de Castelo Branco. Na rua, populares aguardavam para ver chegar o Presidente, que foi recebido com palmas. À chegada, o ainda Primeiro-Ministro José Sócrates foi vaiado e Pedro Passos Coelho, eleito a 5 de Junho, foi recebido com alegria.

A sessão solene do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portugueses foi marcada pelas palavras de António Barreto, presidente da Comissão Organizadora das comemorações do 10 de Junho. O sociólogo defendeu «o apuramento de responsabilidades» pela crise, resultado da «imprevidência das autoridades». O presidente da comissão organizadora não se poupou a críticas duras à classe política. «O facto de alguns políticos não terem dado o exemplo do sacrifício que impõem aos cidadãos. A indisponibilidade para falarem uns com os outros», disse. António Barreto pediu ainda diálogo e verdade à classe política, «o que infelizmente tem sido pouco habitual», reiterou. O ex-ministro também falou na necessidade de uma revisão constitucional. «Uma constituição renovada implica um novo sistema eleitoral, com o qual se estabeleçam condições de confiança, lealdade e de responsabilidade, hoje pouco frequentes na nossa vida política».

Já a intervenção do Presidente da República centrou-se no problema da interioridade, nomeadamente na questão do despovoamento provocado pelos fluxos migratórios para o litoral. Cavaco Silva falou na necessidade de uma maior «justiça territorial» e apelou à redescoberta do «valor do interior e do espaço rural, imperativo de portugalidade». Metáfora do país, Castelo Branco serviu como exemplo, por ser uma cidade que fez «das fraquezas forças» e transformou «as adversidades em oportunidades». Por último, o Chefe de Estado apelou ao envolvimento de todos: «Não podemos falhar. É nestas alturas que se vê a alma de um povo».

Seguiu-se depois a cerimónia de imposição de insígnias das Ordens Honoríficas Portuguesas. A intervenção musical da sessão solene ficou a cargo do Coro Misto da Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco.

As cerimónias do Dia de Portugal custaram à Câmara Municipal de Castelo Branco 200 mil euros. A grande parte, 150 mil euros, foi um investimento no embelezamento e pequenas obras de recuperação do espaço urbano.

Conheça mais detalhes das atividades comemorativas do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas em:

www.presidencia.pt

Ouça a mensagem integral do Presidente da República às Comunidades Portuguesas em:

www.presidencia.pt?idc=22&idi=54473

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O tempo no resto do mundo

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