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rss  Vol. XV - Nº 247         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 21 de Setembro de 2020
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Des kiwis et des hommes

Radio-Canada festeja Portugal com um especial de uma hora

Jules Nadeau

Texto e fotos de Jules Nadeau

Enquanto decorriam bem os preparativos para a Festa Nacional em Laval e um Recital Clássicos Açorianos na Igreja Saint-Jean Baptiste, o 10 de junho começou em grande com um especial Portugal oferecido a um público ainda mais vasto na Radio-Canada. Uma hora completa apresentada de manhã e depois repetida à noite. A divertida equipa de Des kiwis et des hommes, que animam Francis Reddy e Boucar Diouf, convocou-nos ao Marché Jean Talon.

des kiwis des hommes primeira pagiga
Norberto Aguiar do LusoPresse e Helena Loureiro do Portus Calle, com os seus anfitriões da emissão des Kiwis et des hommes, Francis Ready e Boucar Diouf
Foto: Jules Nadeau, LusoPresse

Uma hora antes do popular show, estamos presentes no estúdio do 2º. andar do mercado. Um pastel de nata e um expresso longo duma máquina Nespresso para nos acordar. Enquanto os convidados estavam à espera de passarem na maquilhagem, o pesquisador Jean-Plilippe Larose em t-shirt veio saudar cada um de nós. Coordenadora, técnicos e assistentes ziguezagueavam em todos os sentidos, como abelhas, para que tudo estivesse pronto ao soar das 9.

Fado, frutos e legumes

 

des kiwis des hommes artistas
Cristina Rodrigues cantando "Fadista Louco" na companhia de Francisco Valadas no violão, Luis Costa na viola e Liberto Medeiros na guitarra
Foto: Jules Nadeau, LusoPresse

No andar do mercado, Liberto Medeiros e Luís Costa apoiam o pé sobre simples caixotes de madeira ao lado do contrabaixista Francisco Valadas para acompanharem Cristina Rodrigues que interpreta Fadista louco. Sentados em cima duma mesa de piquenique Francis Reddy e Boucar Diouf apresentam Daniel Pinard que afirma «Sou português pelo coração». Não muito longe, facilmente reconhecível pela blusa vermelha onde está escrito Portugal, o simples consumidor que é José Azevedo observa o espetáculo gratuito com um prazer evidente. Outros habituais do mercado bebem o café com os olhos postos na cantora loura vestida de preto.

A estrela da emissão do 10 de junho é Helena Loureiro do Portus Calle, que dá uma lição de gastronomia diante das câmaras. O frango assado ocupa o lugar de honra nos minutos que seguem. Azeite com abundância e piripíri. Ao pincelar com a marinada os pobres animais «achatados» em cima do grelhador do estúdio, Boucar Diouf pega fogo aos frangos e provoca tanto fumo que Francis Reddy teve de decretar: «Bom, bem, penso que com isto vamos à pausa.» Depressa, um assistente que abra as janelas todas.

Surpresa para alguns, o epicurista de cabelos brancos Daniel Pinard foi ao país de Camões uma quinzena de vezes e fala a língua. Recentemente admitido na urgência, ele conta ter recebido no hospital pratos finos cozinhados pela sua amiga de longa data Helena Loureiro. O gourmet-sociólogo afirma estar literalmente prisioneiro da cozinha da proprietária do Portus Calle. Mas Francis Reddy qualifica-o mesmo assim de homem livre por excelência: «Tu só és liberdade». Ao que Daniel Pinard responde uma frase ouvida por altura da Revolução dos cravos: «Sabes, meu filho, a liberdade aprende-se toda a vida!» Nos Kiwis, ri-se, mas também se filosofa.

Cabeças de cartaz da comunidade

 

des kiwis david
Francis Reddy, à esquerda, saboreia na companhia de Daniel Pinard os vinhos propostos por David Barros, ao centro
Foto: Jules Nadeau, LusoPresse

Ao chefe de redação do LusoPresse vem a tarefa de falar da comunidade através da sua própria história. Depois de quase ter sido enviado ao serviço militar e se encontrar na guerra colonial em África, em vez disso partiu para o Canadá em 1975. Salvo pela Revolução! «A minha namorada, isto é, a minha mulher hoje, fez com que chegasse aqui mais depressa.» Depois foi o choque cultural ao chegar a Montreal, porque a vedeta do futebol em São Miguel caiu no anonimato mais completo ao chegar à rua Saint-Laurent. Ninguém o conhecia. «Ele era o Ronaldo dos Açores», lança Helena a rir.

«Somos uma comunidade tranquila, mas não é verdade que não temos pessoas conhecidas. Se fizer uma lista, vão ver...», continua Norberto Aguiar. Mike Ribeiro, Marc dos Santos, Horácio Arruda, Meghan Benfeito, Carlos Leitão. Sem esquecer a família da mercearia Soares, acrescenta Boucar Diouf. Insistem também sobre a «cobertura local» que faz o LusoPresse com a ajuda duma equipa de repórteres de diferentes origens.

No que diz respeito ao jornal, Francis Reddy faz rir toda a gente ao mostrar a capa dum número do LusoPresse de 2010. «Vocês publicam a fotografia de várias personalidades portuguesas na primeira página». E aponta com o dedo a foto de Boucar Diouf. Como se ele fosse português. Em vez de senegalês. De facto, trata-se dum artigo falando do espetáculo do humorista que fomos ver a Saint-Jean-sur-Richelieu no dia 20 de novembro último. Serão inesquecível!

Os favoritos de David Barros

Enquanto o frango vai assando sem acidentes à nossa frente, o escanção David Barros (Portus Calle) propõe cinco garrafas de três regiões diferentes. Os cinco provadores atropelam-se para louvar os brancos e os tintos a menos de 20 dólares. Mais uma vez, assinala-se que «não somos ainda conhecidos». (Estas sugestões de David aparecem em pormenor na página web da emissão de Radio-Canada. E se forem ao Portus Calle, perguntem pelo Sr. Barros e não Barras.)

Podia-se esperar que a equipa des Kiwis fosse rodar imagens dalguns sítios emblemáticos do bairro português, mas Francis Reddy «espontaneamente» escolheu José Gil no seu café multicolor, que embeleza a esquina da Duluth e Hôtel de Ville. Pasteleiro de formação (que também passou pela Pâtisserie Belge), o motoqueiro (Harley Davidson) fala das suas paixões que vão do imobiliário à Gaspésie, passando pelos sumos de frutos e as empenadas de inspiração chilena. Outra bela liga quebequense-portuguesa!

Na refeição familiar do fim da emissão, caldo verde (que Pinard chama afetuosamente «soupe aux pois dos Portugueses», frango assado (não queimado), batatas fritas estaladiças e uma garrafa de Diálogo 2008 (não disponível na SAQ). Foi a Boucar Diouf que coube a última palavra, que leu uma frase de Fernando Pessoa descoberta nos bancos da Main: «Começa por ser livre. Em seguida, reclama a liberdade!» Helena, Norberto e David (todos vestidos de cor-de-rosa) ergueram espontaneamente os seus copos de tinto em honra do grande homem de letras.

A integral da emissão está disponível em www.radio-canada.ca

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Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
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