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rss  Vol. XV - Nº 247         Montreal, QC, Canadá - sábado, 26 de Setembro de 2020
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Carlos César, no Dia dos Açores

«É preciso cuidar da nossa Autonomia»

Por Carlos Tomé

 

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Praia da Vitória, Terceira - Num registo de marcada exaltação autonómica - ou não estivesse a discursar na cerimónia comemorativa do Dia da Região Autónoma dos Açores - o Presidente do Governo Regional apelou a todos os açorianos no sentido de não descuidarem a Autonomia.

«Não tenhamos dúvidas, não descuidemos a nossa Autonomia: sem Autonomia não teríamos hoje o melhor que temos, os outros decidiriam sempre por nós e sobre nós, os mais frágeis e atingidos pelas adversidades estariam mais desprotegidos e os mais jovens sem uma referência próxima de intercessão e construção do seu próprio futuro», disse.

Para Carlos César, é preciso cuidar da Autonomia «na escola junto dos nossos jovens, nas instituições junto dos cidadãos, no exterior junto de todos os que nos podem ajudar ou até dos que nos podem prejudicar. Essa é uma obrigação pedagógica de governos e de oposições, de políticos eleitos, de eleitores, enfim, de açorianos de alma e de acção.»

Não havendo, na sua opinião, «nada de serôdio ou de negativamente insulado em gostar ou em preferir o que é nosso», há sim, por outro lado, que acreditarmos na nossa terra e nas nossas capacidades, o de recomeçarmos sempre que preciso, o de aperfeiçoarmos o nosso modo de viver, o de abonarmos a entreajuda e o de fortalecermos a confiança», sobretudo neste tempo de maiores dificuldades.

O Presidente do Governo, aludindo ao percurso de progresso feito na e pela Região - exactamente porque os açorianos acreditaram - disse ter sido essa evolução «obra dos governos regionais e locais, das pessoas, das instituições mais diversas e das empresas, a maior parte das vezes em ligação umas com as outras.»

Recordou também Carlos César que há bem pouco tempo havia carências importantes nos Açores e que, agora, graças a investimentos e obras públicas, há estradas, portos, unidades de saúde, apoios sociais e todo um conjunto de infra-estruturas e serviços que - como salientou - não serão demais; eram, sim, de menos, há uns anos.

O governante não receia, mesmo, colocar em confronto com outras regiões - «e, muito menos, com os da vizinha região da Madeira» - o rigor, a transparência e os resultados da gestão financeira dos Açores, «as nossas contas, as nossas dívidas, os nossos compromissos futuros, o nosso desemprego, os incumprimentos das famílias e das empresas, com os correspondentes indicadores nacionais.»

As dificuldades actuais, quer no país, quer na região - bem como o recente acordo para a reabilitação económica portuguesa - envolvendo sacrifícios que todos teremos de enfrentar, não devem, como sublinhou, ser «arbitrários ou tendencialmente prolongados, e que na sua aplicação não podem ser indiferenciados sob pena do agravamento da sua injustiça e de uma forte reacção justificada pela sua incompreensão.»

Para Carlos César, «se os Açores assegurarem o cumprimento do Orçamento de Estado em vigor e da Lei de Finanças Regionais no que toca às suas transferências financeiras, as suas prerrogativas constitucionais e estatutárias e as obrigações que ao Estado actualmente e em geral incumbem na Região, conseguiremos, simultaneamente, assim o estimo, ajudar melhor os açorianos nesta fase e ajudar melhor Portugal a superá-la.»

Considerando ser muito importante o diálogo entre os Açores e a República - «uma preocupação de todos os responsáveis políticos, quer estejam no governo quer estejam na oposição» - disse que, para ultrapassar a crise é também precisa uma Europa forte, uma verdadeira União.

«Factos atrás de factos - desde a dubiedade e ineficácia de uma resposta face à crise internacional, passando pela sua vulnerabilidade perante os mercados, até às reacções mais desconexas como as motivadas pela chamada «crise do pepino» - a União Europeia demonstra, para prejuízo de todos nós, a debilitação e disfuncionalidade da sua governação e a sugestão da deliquescência da solidariedade entre Estados, Governos e Povos», criticou.

Manifestando-se convicto de que uma eventual e dolorosa destruição do ideal europeu exporia o país e a região a todos os perigos, assegurou que a intenção firme é a de superar com sucesso este tempo complicado e incerto nos Açores.

«Não é tempo, porém, para iludir ninguém, nem para prometer a alvorada do bem-estar que não está, infelizmente, ao nosso pequeno alcance realizar: quando a Inglaterra foi bombardeada pela Alemanha em 1940, Churchill, responsável e patrioticamente, não prometeu a vitória. Disse, tal como agora posso dizer: Nunca nos renderemos!», exclamou.

Sublinhando que os Açores são respeitados pela sua idoneidade autonómica, realçou que os açorianos se respeitam uns aos outros.

«Gostamos da polémica, mas não a contrapomos ao diálogo. Não damos escândalos. Somos regrados e não nos corrompemos. Confessamos a nossa falibilidade e as nossas limitações resultantes de insuficiências próprias como de circunstâncias inultrapassáveis. Assumimos sempre as nossas responsabilidades. Humildemente, sabemos do nosso valor na comunidade nacional, dos créditos da nossa história do passado e de agora, e, claro, não nos apoucamos nem deixamos que nos façam injustiça», afirmou.

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