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rss  Vol. XV - Nº 247         Montreal, QC, Canadá - sábado, 26 de Setembro de 2020
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O Ferreira Café festeja o 15º. aniversário

Carlos Ferreira: «Partilhar com os outros é o que mais valoriza o que faço»

Jules Nadeau

Texto e fotos de Jules Nadeau

«Nós temos conservado sempre os sabores autênticos de Portugal ao mesmo tempo que fazemos uma cozinha mais adaptada a Montreal. Vimos frequentemente com novidades. É a força do chefe Marino Tavares. É um restaurante mágico pelas suas cores, pelo seu serviço e sobretudo pelas pessoas interessantes que o frequentam. Um lugar a não perder para quem vem a Montreal» explica-nos Carlos Ferreira, de pé, ao lado da nossa mesa.

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Olívia Ferreira, o chefe Marino e Carlos Ferreira
Foto: Jules Nadeau, LusoPresse

«A coisa que é mais importante naquilo que faço é a harmonia entre o vinho e os pratos. (Também) partilhar a minha vida todos os dias com tanta gente diferente. É verdade que é exigente. De tempos a tempos, é preciso evadir-nos um pouco. Mas, ao mesmo tempo, que riqueza que tenho de poder partilhar com as pessoas, com os médias também. No Quebeque, somos mimados. Os médias são muito simpáticos, muito acessíveis. Podemos discutir da chuva e do bom tempo sem que seja para nos descobrir um defeito. Ou estar à nossa espera ao virar da esquina. Partilhar com as pessoas é o que mais valoriza a profissão que tenho», continua o proprietário do 1º. de abril de 1996.

É o chefe quem nos serve

Ele compara o seu quotidiano com o de um ator que vai ao teatro todos os dias. Repetição! Repetição! Sempre a mesma peça. Mas ele nunca se cansa porque o faz com paixão. Exprime-se com os amigos. É aplaudido pelo seu talento. O perigo, ao contrário, é de se sentar em cima dos louros quando o estabelecimento está sempre cheio de clientes.

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Nelson Barbosa dando uma mão ao chefe Marino Tavares para servir os convivas
Foto: Jules Nadeau, LusoPresse

É um Ferreira com um olho severo, como de costume, mas completamente descontraído, de colarinho aberto, que se senta em seguida na nossa grande mesa do 2º. andar para conversar e explicar os pormenores do menu muito especial. Outra familiaridade, o açoriano Marino Tavares serve ele mesmo um a um os quinze pratos da refeição. Com a ajuda do jovem bracarense Nelson Barbosa, sempre ansioso de guarnecer os nossos pratos. Vinho em honra do Alentejo. Perto, Olívia Ferreira e outra senhora vigiam o bom desenrolar da operação.

Falando de novidade, temos diante de cada um de nós porcelana grifada da coleção «3 femmes & 1 coussin» da célebre casa Vista Alegre, fundada em 1824 em Ílhavo. (O Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque possui peças da Vista Alegre.) Esta foi fabricada no seu distrito natal de Aveiro por ocasião do 15º. aniversário. Em tons de azul e branco, os finos pratos retangulares têm inscrita a letra «F»: casa Ferreira. Inspiram-se da tradição dos azulejos.

Mais notável ainda, o homem de negócios de Aveiro anuncia-nos que com a ajuda de um grande enólogo, ele «pôs as mãos à massa para o assemblage final» de 4 000 garrafas de Douro 2008, que também estão marcadas com a letra «F». «Uma etiqueta que me caracteriza. Capitalizo esta letra. Pronta, a cuvée 2009 já está nos barris... Sou incapaz de não beber vinho ao almoço e ao jantar», acrescenta, recomendando-nos contudo a moderação. O projeto duma vinha prepara-se para 2012.

Ferreira o filantropo

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Carlos Ferreira com a irmã e administradora Olívia Ferreira
Foto: Juels Nadeau, LusoPresse

O 15º. do Ferreira Café era ao mesmo tempo o lançamento das festividades do Grand Prix. No dia 7 de junho à tarde era o Grande Party Ferreira, soirée mundana em benefício da Fundação CHU Sainte-Justine. Que restaurador se pode gabar de ter dado 1,46 milhões de dólares a diversas boas obras nos últimos dez anos?

Alguns números para completar o quadro? A grande família Ferreira são agora 150 a 160 empregados em três estabelecimentos. Uma cave de vinhos no valor de 750 000 $ e uma importação de 18 000 garrafas por ano. Nada menos de 152 variedades de portos, donde um Niepoort de 1934. Sem contar com as 7 000 garrafas de azeite vindas da Europa.

Digna de menção, uma nota de humildade. «É uma aventura que não tinha grandes possibilidades de sucesso por causa de problemas económicos», diz-nos na pequena exposição sobre a instituição da rua Peel. Nas notas biográficas distribuídas nesse dia, está bem explicado «que ele trabalhou a lavar pratos e, mais tarde, durante uma dezena de anos, a entregar pão» da Pâtisserie Belge da avenida do Parc. Resumindo, não tem vergonha de falar dos seus dias mais difíceis em Montreal, onde chegou com a idade relativamente avançada de 19 anos. Um modelo de sucesso na comunidade. E fora da comunidade.

Para acabar. «Continuamos. Esperando que o possa fazer ainda durante muito tempo. Tenho muito prazer em fazê-lo. É uma paixão! É também a única coisa que sei fazer», lança-nos o quinquagenário do Porsche.

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