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rss  Vol. XV - Nº 245         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 17 de Fevereiro de 2020
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Em Terrebonne

Luso-descendente dirige SAQ

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

Foi ao som de um acordeão que Thérèse Farias inaugurou a SAQ da cidade de Terrebonne, uma aglomeração que não para de crescer e que conta, como nos disseram, com muita gente de origem portuguesa. Há mesmo uma loja de artigos diversos, propriedade de outro luso-descendente, por sinal irmão da Thérèse Farias.

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Thérèse Farias, Lisete Borges e Josée Leroux

Nasceu, de pais açorianos, em Laval, mas profissionalmente desenvolve a sua atividade em Terrebonne. Foi a partir de Novembro de 2010 que Thérèse Farias passou a dirigir a sucursal de Lachenaie, cidade vizinha de Terrebonne e que já estava ficando pequena para o movimento que tinha, daí que os dirigentes da companhia de bandeira governamental quebequense tenham decidido bifurcar um pouco mais para o Oeste, para instalarem mais confortavelmente uma SAQ maior e com outros argumentos. Arranjaram um espaço à medida, para mais agora no seio de uma cidade que cresce todos os dias, como é Terrebonne.

Espaçosa - mas por quanto tempo? -, situada numa artéria de grande movimento, e um parque de estacionamento apropriado, estão assim reunidas as condições para que Thérèse Farias possa fazer desta sucursal uma loja de importantes vendas, como é naturalmente desejo dos seus superiores.

 

therese farias pai filhas
Thérèse com o pai e as filhas

E a julgar pelo que vimos naquela tarde do dia 28 de Abril, onde o vaivém foi de todos os instantes, não temos dúvidas de que a nossa luso compatriota terá o seu trabalho facilitado. De resto, quase todos os clientes tratam-na pelo seu nome, sinal de que Thérèse Farias está em terreno por demais conhecido.

«Comecei a trabalhar para a SAQ quando era estudante. Aos fins de semana ganhava para as pequenas despesas. Depois de terminar os meus estudos, passei a ter um horário de 15/20 horas por semana. Em 1998 fui convidada para trabalhar a tempo inteiro. Até hoje», diz ela de sorriso largo. E logo a seguir: - Durante cinco anos agi como assistente de gerente. A 7 de Novembro de 2010, e depois de passar duas entrevistas, assumi o cargo de diretora de sucursal e estou muito satisfeita», enfatiza ao mesmo tempo que dá uma olhadela pela loja, não vá o diabo tecê-las.

Rodeada de muita gente amiga, vinda de Laval, de Blainville, Thérèse Farias também nos fala um pouco da sua vida familiar. «Tenho duas filhas, nascidas em 92 e 94, de pai quebequense de «souche». Tenho pena que não falem português. Mas elas compreendem, porque os meus pais sempre falaram com elas em português». Nesse instante, uma das filhas, dedo acusador, dispara: - Se não falo, a culpa é tua! Thérèse abana a cabeça em forma de concordância e caminha para acolher mais um cliente...

 

therese farias familia amigos
Familia e amigos de Thérèse Farias

Nesta nossa estada em Terrebonne, que aconteceu muito por influência da Lisette Borges, especialista e representante de vinhos para a companhia Elixirs vins et spiritueux, também presente, encontrámos vários portugueses nossos conhecidos da região Norte de Montreal, principalmente de Ste-Thérèse e Blainville, cidades não muito distantes. E desses portugueses chegámos à fala com alguns. Na ocasião privilegiamos para falar para o jornal o Senhor José Faria, pai da diretora, que está no Canadá há 47 anos e nunca mais voltou à sua terra. Sobre isso apresentou-me algumas razões, pessoais e que o jornalista não tem o direito de divulgar. No entanto, sentimos alguma nostalgia nas suas palavras, mesmo se ele tem algumas, não muitas, como disse, queixas da terra que deixou. «Apesar de tudo eu até tinha uma vida razoável. Era taxista. Ganhava a minha vida melhor do que muita gente. E vivia em Santo António - além Capelas, como se dizia ao tempo -, onde sempre a vida era mais fácil, pois tínhamos acesso às coisas do campo. Quis Deus que embarcasse para o Canadá. E não estou arrependido», completou. Aqui, sentiu-se-lhe um nó na garganta. Viemos a compreender depois que o Senhor José estaria a lembrar-se da sua esposa que faleceu há anos.

Outra surpresa para nós, foi termos chegado à fala com Josée Leroux, mãe da famosa modelo, e agora cantora, a luso-descendente Sofia Medeiros, também conhecida por ser a esposa do prestigiado cantor Corneille. Estávamos longe de pensar que, ali, numa sucursal entulhada de garrafas de vinhos, iríamos conhecer a mãe da luso-descendente que procuramos há muito tempo! E como o mundo é pequeno, soubemos mais. Soubemos que o seu pai é Armando Medeiros, natural da Lagoa, a nossa querida terra. E do Armando, com quem já convivemos várias vezes, estávamos longe de saber que era o pai de estrela tão cintilante no meio artístico quebequense.

Tudo isso explicámos à Josée Leroux, que nos foi ali apresentada pela Lisette, que de resto é prima do Armando. E falámos em português, of course, pois ela fala a nossa língua, aprendida com o marido (agora ex) e com os três filhos - a Sofia e mais uma rapariga e um rapaz. Escusado será dizer que Josée Leroux prometeu influenciar as nossas diligências. Mas a ver vamos.

E já quase nos esquecíamos que fomos à inauguração da SAQ de Terrebonne, dirigida pela Thérèse Farias.

Resta dizer que a sucursal, que tem 15 funcionários, tem vinhos portugueses, tintos e brancos de boa qualidade, como nos confirmou a Lisette, uma das fornecedoras de vinhos lusitanos. Os portos também são de boa qualidade. E são muito procurados. Garantia dada pela diretora.

Viemos embora ao cheiro do chouriço grelhado português comprado na mui portuguesa Chouriçor de Montreal.

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