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rss  Vol. XV - Nº 245         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020
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Açores:

Recriação da apanha manual do chá em S. Miguel visa preservar tradição ancestral

 

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Ponta Delgada - A colheita manual do chá e todas as vivências associadas a esta cultura são recriadas todos os anos em S. Miguel, nos Açores, numa iniciativa de grande riqueza etnográfica que envolve mais de uma centena de figurantes.

«O objetivo é não deixar perder toda a riqueza sóciocultural e etnográfica que está associada a esta cultura", afirmou José Pacheco, da Fábrica de Chá Porto Formoso, que organiza anualmente o »Início da Colheita', uma atividade de animação turística e cultural que recria a colheita manual de chá.

A iniciativa pretende preservar os usos e costumes relacionados com esta atividade, que já teve »uma grande importância económica e social nos Açores, especialmente nesta zona de S. Miguel", salientou José Pacheco, referindo-se a uma área da costa norte da ilha onde se encontram as duas únicas fábricas de chá existentes na Europa, a Gorreana e a Porto Formoso.

Homens e mulheres, jovens e crianças, todos trajados a rigor, entoam cânticos enquanto colhem as folhas novas do chá, que depois serão enroladas em tabuleiros de madeira e secas em forno de lenha, numa recriação da colheita manual que deixou de ser feita no início da década de 60 do século XX, coincidindo com o início da emigração açoriana para os EUA e Canadá.

Aos homens cabe também a tarefa de transportar o chá entre a plantação e a fábrica, realizando ainda alguns trabalhos agrícolas e, tal como no passado, as crianças integram a reconstituição participando em jogos tradicionais.

«O número de figurantes é superior a 100», afirmou José Pacheco, salientando que não existe um grupo organizado, acabando estas recriações anuais por ser um encontro de gerações, que também atrai muitos turistas e residentes.

A maior parte dos figurantes reside na zona de Porto Formoso, sendo alguns filhos e netos de antigos trabalhadores da fábrica, mas há também muitos que residem na ilha e participam para reviver a colheita do chá como se fazia há 100 anos.

A apanha do chá, atualmente mecanizada, começa em abril/maio e prolonga-se até setembro, sendo este o período em que a planta encontra boas condições de temperatura e humidade para o seu desenvolvimento.

O «Início da Colheita», que já vai na 11.ª edição, tornou-se um cartaz turístico da ilha, levando um colorido às plantações de Porto Formoso, que revivem a época em que a apanha manual do chá era a principal fonte de ocupação da mão de obra feminina no concelho da Ribeira Grande.

«Nesta zona da ilha, todas as jovens, antes do casamento, trabalhavam na colheita do chá para arranjar dinheiro para o dote», salientou José Pacheco.

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