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rss  Vol. XV - Nº 245         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 28 de Maio de 2020
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Espanha:

Portugal «nunca vai querer integrar-se» no país vizinho - Jordi Pujol

 

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Estoril - A Espanha confronta-se com uma crise institucional, tem uma tendência natural para «assimilar» outros povos mas Portugal «nunca será integrado» pelo Estado vizinho, garantiu em entrevista à Lusa o ex-presidente da Generalitat (governo autónomo da Catalunha), Jordi Pujol.

«Portugal nunca vai querer integrar-se na Espanha. Nunca. E creio que fará bem. Está demonstrado que a Espanha tem tendência para assimilar, a Espanha gostava de ser como a França, com uma capital muito forte, tudo muito centralizado e muito homogéneo. Para ser o que é hoje, a França destruiu muitas culturas, muitas línguas, muitas mentalidades», considerou o líder nacionalista catalão, 80 anos, numa entrevista à Lusa e à margem das Conferências do Estoril, que debateram os novos desafios globais.

Presidente da Generalitat (o governo autónomo da Catalunha) entre 1980 e 2003, Jordi Pujol está afastado da vida política ativa mas a sua influência ainda é decisiva na CiU, a coligação nacionalista que liderou e que governa o território catalão. Em 2005 anunciou a fundação de um Centro de Estudos com o seu nome, dedicado à promoção do debate político.

Pujol permanece atento, mesmo que denote algum desalento. «A Espanha também está em crise. A crise espanhola é uma crise institucional, temos uma Constituição que não merece respeito, uma justiça que funciona mal, uma má política económica e um confronto no Senado, no Congresso e no país entre dois partidos que estão em luta fratricida», assinala.

«Não temos políticos de primeiro nível, o presidente do governo [José Luis Zapatero, do PSOE] tem muito pouco prestígio, mas o chefe da oposição [o líder do PP Mariano Rajoy] também. Tudo isso é uma crise», insiste o experiente líder do nacionalismo catalão.

Pujol não poupa as principais ao Estado, considera que o Tribunal Constitucional (TC) «é um desastre», apesar de definir como «correta» a recente decisão que permite à coligação da esquerda nacionalista basca Bildu concorrer às eleições regionais de 22 de março.

«Não tenho qualquer respeito pelo Tribunal Constitucional, porque na sequência de todo o processo relacionado com o estatuto da Catalunha, a forma como foi conduzido, dá a sensação que não foi um tribunal sério», sublinha, numa óbvia alusão à decisão da instância suprema de junho de 2010 que invalidou diversas partes do Estatut, com destaque para a referência à «nação» catalã.

«O TC está sob constante influência política e a decisão sobre o Bildu é positiva. Mas foi votada porque o partido com mais influência no tribunal assim o quis», admite.

O ex-chefe da Generalitat também denota preocupação com o recente fenómeno da imigração de estrangeiros para o território catalão, e as medidas draconianas sugeridas pelos conservadores do PP. Na sexta-feira, o candidato dos populares à câmara de Barcelona, Alberto Fernández, sugeriu a expulsão dos imigrantes que cometam atos de delinquência, independentemente da sua situação legal.

«A Catalunha é o país da Europa que em menos tempo, e proporcionalmente, recebeu mais imigrantes, da Bolívia ao Paquistão, da Rússia ao Senegal. Muitos muçulmanos, pessoas de outras culturas. E para os sul-americanos, de língua espanhola, é mais difícil entender e aceitar que na Catalunha também tenham de aprender o catalão», recorda.

«Mas é o nosso desafio e que até agora correu bem, mas está por resolver. Mas há que ser muito aberto, respeitar os direitos dos imigrantes, mas em simultâneo exigir aos imigrantes o respeito pelo país que os acolhe, em termos linguísticos, de respeito pelos seus costumes, do seu sistema político. Há que encontrar este equilíbrio», conclui.

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