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rss  Vol. XV - Nº 245         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 28 de Maio de 2020
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Espanha:

Um dia será realizado referendo a sério sobre a independência da Catalunha - Jordi Pujol

 

jordipujol
O ex-presidente do governo autónomo da Catalunha, Jordi Pujol.

Estoril - A Catalunha organizará «um dia» um «referendo a sério» sobre a independência mas neste momento o mais provável será a convocação de uma consulta sobre o «pacto fiscal», segundo o ex-presidente da Generalitat (governo autónomo da Catalunha), Jordi Pujol.

«Algum dia terá de realizar-se na Catalunha um referendo sério, porque agora estão a ser feitas consultas que não são um referendo. Não têm apoio oficial, financiamento, não têm reconhecimento, não são vinculativas. Foram uma espécie de prova e muito importante, porque votou muita gente. Mas um dia será necessário fazer um referendo», considerou o líder nacionalista catalão, que em junho completa 81 anos, numa referência às recentes consultas sobre a independência organizadas por grupos da sociedade civil.

«É possível que o referendo seja sobre o tema de independência, mas é possível que, previamente, seja convocado um referendo sobre certos aspetos da atual situação. É possível que o atual presidente da Generalitat, Artur Mas, como aliás já referiu, consulte o povo da Catalunha sobre a questão do que é designado por pacto fiscal», precisou Pujol em entrevista à agência Lusa e à margem das Conferências do Estoril, que debateram os novos desafios globais.

O fundador da coligação nacionalista catalã Convergència i Unió (CiU), a coligação que regressou ao poder após as eleições autonómicas de outubro de 2010, e que presidiu à Generalitat entre 1980 e 2003, assume-se como um «nacionalista e humanista» que privilegia as pessoas.

«Sou um nacionalista catalão e isso chega. Qualquer coisa, incluindo uma nação, não é positiva se não for útil para as pessoas. E não para as pessoas em termos abstratos, mas para cada um. Somos provenientes de uma escola filosófica e social que é o personalismo basicamente de origem cristã, o personalismo que teve [Emmanuel] Mounier como o principal filósofo. E no qual o importante é a pessoa, não a nação», precisa.

O velho combatente, também conhecido pela sua oposição ao regime de Franco, considera que a nação, «uma comunidade de valores, estruturas, um sentimento coletivo, uma história», é a entidade necessária «para o desenvolvimento das pessoas». E diz que essa coexistência é essencial.

«Aquilo que um nacionalista deve procurar em primeiro lugar é garantir que as pessoas que vivem na sua nação sejam tratadas com justiça, com equidade. Assim, uma nação, um nacionalismo, ou é social, e preocupa-se com as pessoas, ou não será», defende.

A defesa da nação, e das pessoas, implica assim uma posição intransigente em defesa destes interesses prioritários.

Pujol recorda que «durante muitos anos» a Catalunha transferiu «muito dinheiro para o Estado», uma situação compreensível porque a região possuía um rendimento elevado e «era lógica» uma política de solidariedade face a «regiões menos desenvolvidas do Estado». Mas esta perceção parece estar a alterar-se.

«Este processo tem de ser feito de uma forma que não deixe o país mais rico, e que transfere dinheiro, numa situação de grande dificuldade, e esse é o caso da Catalunha», frisa o chefe do nacionalismo catalão.

Assim, recorda que «durante muitos anos» a Catalunha transferiu para o resto do Estado entre oito a dez por cento do seu PIB, «o que é muito». E admite, para já, uma consulta aos catalães sobre o que designa por pacto fiscal.

«É provável que seja necessário fazer um referendo sobre esta questão, como também será possível um dia organizar um referendo sobre a independência. No futuro se verá. Não é um tema que esteja agora em cima da mesa», conclui.

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