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No Centro Comunitário do Espírito Santo de Anjou

Fado feito recanto de Saudade

Adelaide Vilela

Por Adelaide Vilela

O Fado é um dos cartões-de-visita na cidade de Lisboa. Há quem discuta sobre as raízes do Fado: tipicamente urbanas, genuinamente lusitanas ou haverá outras origens a enobrecer a nossa Canção Nacional?

 

no centro comunitario espirito santofadistas

É provável que o fado tenha aparecido na primeira metade do século XIX. Segundo alguns: «. Actualmente a explicação mais aceitável é que também poderia ter tido origem nos cânticos dos Mouros, tendo estes permanecido nos bairros da capital após a Reconquista Cristã.».

Ouve-se contar que o fado é triste e melancólico, dependentemente do ponto de vista de cada pessoa.

Também sabemos que o fado andou pelas tabernas de Lisboa e fora levado para as ruas da cidade, interpretado pela fadista Maria Severa. Lisboeta de gema, viu a luz do mundo em 1820 e viria a falecer 1846, mais precisamente em Novembro.

Nesta curta análise podemos acrescentar ainda que o fado nasceu nos bairros históricos de Lisboa: Alfama, Mouraria, Bairro Alto e Madragoa. Para enaltecer a canção portuguesa aqui, nestas noites, continuam a calar todos os barulhos das conversações na frente desta frase potente: «silêncio que se vai cantar o fado».

Assim, ao longo dos anos, foram muitos os fadistas que deram voz ao Fado e à sua História, em Portugal. Alfredo Marceneiro foi uma das figuras carismáticas nos universos fadistas. Amália Rodrigues levou a canção nacional ao mundo e fez descobrir através da sua majestosa voz, a língua e a cultura portuguesas.

Na última década, uma nova geração deu vida e nova arte ao fado: Marisa, Mafalda Arnaud, Kátia Guerreiro, Cristina Branco, Camané e muitos outros artistas têm já provas dadas em Portugal e no mundo.

No dia 12 de Março, o Centro Comunitário do Espírito Santo de Anjou foi transformado num bairro típico de Lisboa.

Apanhada de surpresa, a autora destas linhas acompanhou os artistas apresentando-os nas suas actuações.

Dado a presença abundante dos cantores amadores e de alguns profissionais que ali se juntaram, para participarem num serão intitulado FADO VADIO, nós sentimo-nos perfeitamente extasiados com o à vontade dos fadistas e das vozes que acabaríamos por descobrir.

Cada um dos fadistas teve acompanhamento tradicional à viola, por Manuel Luís, Pedro Gomes, e à Guitarra por Manuel Travassos.

Pedro Gomes e Manuel Luís também nos deram um ar de sua graça com algumas bonitas canções bem interpretadas com alegria e saber.

Subiram então ao palco Filomena Costa, Fátima Miguel, João Sanches, José Martinho, Armando Capela, Fernando Faria, Manuel de Fátima e Carlos Cunha.

Cantaram muito bem estes artistas numa concorrência fraternal.

Finalizaram a noite de fado, naquele que foi o recanto de saudade, transformado em fado vadio, dois artistas açorianos com bastante experiência no mundo da canção. Destacamos, aqui, os dois cantadores à desgarrada, Fátima Miguel e Manuel de Fátima, habituados a surpreender com quadras irónicas, frequentemente improvisadas, com o sabor e a graça da canção popular, divertiram todos os presentes.

Não podemos terminar esta parte sem mandar um ramalhete de flores ao Carlos Cunha, já lá o mencionamos e aqui o repetimos, no fado falado, ao declamar, vimos nele o jeito divertido e genuíno do Grande Vasco Santana. A guitarra sente o homem, mas o homem sente o fado, ainda que seja, falado, chorado, cantado ou inventado.

Foi uma noite divertidíssima com o Jimmy Faria na animação, luzes e som, que estiveram excelentes, sem falhas.

O jantar foi servido às mesas pela direcção do Centro e um grupo de amigos. A receita do Zé Luís Madeira, bacalhau no forno com couve branca e ovo, foi apreciada por todos. Os pratos foram servidos em abundância como é apanágio desta associação.

O presidente, o Sr. Liberal Miranda, ficou satisfeitíssimo com o resultado do convívio e já lá moram ideias para organizar outra noite de fado amador.

Concluindo, cabe-nos agradecer ao público, pois durante muitos momentos o silêncio (já que nestas alturas tem que ser absoluto durante a actividade) foi guardado e cantou-se o fado.

Que importa que ao longe se aviste Portugal se tão perto vive no nosso fado, na nossa saudade, no nosso coração e nos nossos sonhos.

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