logo
rss  Vol. XV - Nº 243         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 22 de Janeiro de 2021
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContacto arrowÚltima hora arrowClima
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Governo Conservador...

Um entrave à Democracia canadiana

Fernando Pires

Por Fernando Pires

Só quem não tem acompanhado o percurso dos dois mandatos da governança de Harper, é que pode estar de acordo com o seu autoritarismo. Os factos falam por si.

Quando o Sr. Harper diz que esta eleição é uma eleição »inútil» é o protótipo de ditador que não tolera oposição ao seu poder, servindo-se demagogicamente da palavra inútil para melhor enganar os cidadãos. Senão vejamos. Acusa-se a oposição de ter desencadeado a eleição, quando foi o próprio primeiro-ministro que desprezou a democracia não se apresentando no Parlamento durante dois dias, para não sofrer a derrota do seu orçamento. Foi, no entanto, uma astúcia que não deu resultado, saindo-lhe o tiro pela culatra.

stephenharper
Stephen Harper

De que utilidade pode este governo convencer os incautos, quando opõe como argumento os 400 milhões de dólares gastos com as eleições? E que dizer dos seus 35 milhares de dólares para armamento que os conservadores ofereceram de mão beijada, sem que o público tenha uma palavra a dizer?

Diga-se, também, que a crítica política objectiva, nesta matéria, está ausente na mente de certos jornalistas, que dão mais importância à contabilização das deslocações dos políticos durante esta campanha eleitoral, que a uma crítica sobre o orçamento dos 35 milhares de dólares atribuídos ao armamento militar. É o caso do jornal La Presse do 24/03/2011, que esquece que a deslocação para contactar a população deste imenso país, não é a mesma coisa que noutros continentes, onde as distâncias canadianas no têm comparação.

Mas como bem dizia outrora Clemanceau: »a guerra é um negócio demasiadamente sério para ser deixado aos militares».

Qual seria a opinião do povo canadiano se tivesse tido uma palavra a dizer sobre os montantes acima mencionados, entre os 400 milhões e os 35 milhares?

No dia em que o seu governo caiu, o Sr. Harper esquivou-se, e não respondeu a nenhuma pergunta que lhe foi feita, exigindo uma distância entre ele e a comunicação social. Que tipo de democracia é esta?

O medo do Sr. Harper é sintomático de homem autoritário, que agora, mais uma vez, mostra a sua vocação de antidemocrata quando ameaça a população com a coligação dos três partidos da oposição, caso ele não tenha a maioria parlamentar. Fino estratega, quando ele próprio no seu primeiro mandato esteve disposto a fazer uma coligação com o Bloco.

O primeiro-ministro do governo conservador até tem razão quando prefere que titulem este governo como: «governo do Sr. Harper», em vez de «governo conservador».

Quando o Sr. Harper quer eliminar a coligação dos partidos da oposição do sistema parlamentar canadiano, não é mais que uma prova de desprezo pela democracia. Porque países como a Itália, a Finlândia, a Austrália, a Alemanha e Israel têm governos minoritários com coligações que funcionam.

O espantalho de governo minoritário conservador, do qual o Sr. Harper se serve, é apenas para intimidar os menos esclarecidos politicamente, permitindo-lhe vender-lhe gato por lebre. O primeiro-ministro do Canadá tem problemas a se adaptar ao sistema democrático. Talvez o seu lugar como primeiro-ministro se enquadre melhor como primeiro-ministro de países onde reina a autocracia. Repetindo-me devo dizer que a política é Ciência e Filosofia tem que ser vista como componentes abrangentes como: política económica e sociologia, em relação ao partidarismo político doutrinário, e partidarismo político clubista. Os cidadãos têm direitos, mas também têm deveres. Meter a cabeça na areia como a avestruz, e dizer: quero lá saber, eu não vou votar. Isso é o que muitos do comum dos mortais diz. São tretas, isto ouve-se constantemente aí pelos cafés: - os políticos são todos iguais. Ora isso é uma maneira de se ser irresponsável na sociedade da qual fazemos parte, fugindo ao dever cívico como cidadãos de votar numa eleição, mesmo se temos o direito de o fazer.

Ref: jornal o «Le Devoir», 25/27 de Março de 2011.

Jornal La Presse, 2/4/2011.

Montreal, 7/4/2011.

O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2021