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«E depois do adeus»

A canção romântica que «adquiriu valor histórico»

 

25deabril

Santarém - A canção que serviu de senha para o arranque da revolução de 25 de abril de 1974, «E depois do Adeus», escrita para o Festival da Canção daquele ano, «adquiriu um valor histórico» e tornou-se «uma arma».

As «histórias» em torno desta canção juntaram, sábado à noite, na antiga Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, o autor da letra, e produtor, José Niza, o cantor Paulo de Carvalho, o autor da capa, José Santa Bárbara, tendo como fundo uma foto em que figura o autor da música, já falecido, José Calvário.

Numa mesa moderada pelo jornalista Joaquim Furtado sentaram-se ainda o estratega da revolução, Otelo Saraiva de Carvalho, e o homem que ficou a comandar a EPC na noite em que Salgueiro Maia saiu à frente da coluna que rumou de Santarém para Lisboa, Correia Bernardes.

A sessão - marcada pela interpretação, a cappella, da canção por Paulo de Carvalho, depois de, por telefone, João Paulo Dinis, ter repetido a frase com que, às 22:55 de 24 de abril de 1974, introduziu a que seria a senha que colocaria as tropas na rua - inseriu-se no programa de comemorações dos 37 anos da Revolução dos Cravos promovido pela câmara municipal de Santarém.

José Niza contou como escreveu numa noite os poemas para seis canções que José Calvário lhe entregou para concorrer ao Festival da Canção, tendo descoberto recentemente que «E depois do Adeus» juntou excertos de dois poemas que escreveu quando esteve na guerra colonial (entre 1969 e 1972), um dedicado a Ho Chi Minh (fundador e primeiro líder do partido comunista vietnamita) e outro à mulher.

Só se apercebeu do papel da canção na revolução «uma semana depois», pois a música que se tornou «emblemática» foi a escolhida para segunda senha, «Grândola Vila Morena», de José Afonso, disse.

Otelo Saraiva de Carvalho confessou que a sua ideia inicial era usar uma música de Zeca Afonso, mas João Paulo Dinis acabou por sugerir uma canção insuspeita e que, na altura, toda a gente conhecia.

Correia Bernardes recordou os receios de Salgueiro Maia (devido ao fracasso recente do «golpe das Caldas») quando, na madrugada de 25 de abril de 1974, saiu da EPC à frente de 231 homens rumo a Lisboa, determinado a, se ficasse sozinho, «escaqueirar aquilo tudo».

No próximo dia 25, a autarquia escalabitana inaugura a exposição «E Depois do Adeus - História de uma Canção de Abril», contando com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores.

A exposição, que vai estar patente na sala de exposições do Convento de S. Francisco, está a ser organizada por Fernando Filipe a partir de documentos pertencentes a José Niza.

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