logo
rss  Vol. XV - Nº 243         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 22 de Janeiro de 2021
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowPesquisar arrowContacto arrowÚltima hora arrowClima
Partilhe com os seus amigos: Facebook

Canhotos:

Forçados a usar a mão direita

 

canhotos

Lisboa - Um estudo realizado este ano a mais de mil portugueses concluiu que 15 por cento foram forçados pelos pais ou professores a escrever com a mão direita.

Na análise da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, a que a agência Lusa teve acesso, fica claro que nas faixas etárias mais elevadas há um maior número de pessoas a referir ter sido forçada a escrever com a mão direita.

Contudo, só no grupo entre os 15 e os 19 anos mais de 10% dos inquiridos afirma que ser destro foi uma imposição.

«A alta prevalência de indivíduos que foram forçados a escrever com a mão direita é um dado que consideramos de relevo. Numa amostra com predomínio de idades mais jovens, seria de esperar um valor mais reduzido», referem os autores do estudo, coordenado pelo pediatra e professor universitário Mário Cordeiro.

«Desde há muito que se sabe que ser canhoto ou destro não é algo que se aprenda mas, pelo contrário, é genético. Acredito que alguns professores e pais desejassem que o filho aprendesse a escrever com a direita para se sentirem menos vulneráveis, dado que o mundo está feito para dextros. Mas é de facto chocante e há que alertar a população para que cada um é como é », defende o médico, em declarações à Lusa.

Em mais de mil inquéritos realizados em março deste ano em Lisboa, Porto e Leiria, numa média de idades de 33,5 anos, concluiu-se que 10 por cento da população é canhota e quatro por cento é ambidextra.

Do total de inquiridos, quase um terço acha que ser canhoto causa dificuldades no dia-a-dia, mas são os dextros que mais dificuldades atribuem aos esquerdinos.

Dizem os autores que a posição dos canhotos pode dever-se a «uma negação das dificuldades» ou ainda a uma superação, um «fenómeno de resiliência».

O uso de tesouras, de abre-latas e da máquina fotográfica foram as tarefas quotidianas mais apontadas como trazendo maiores dificuldades para os canhotos.

No campo das vantagens para os esquerdinos surgiram o pagamento de portagens e a prática de boxe, esgrima ou capoeira.

Os investigadores apresentaram uma lista de profissões para que os inquiridos apontassem quem seria melhor a desempenhá-las. Para a esmagadora maioria delas, as respostas foram indiferentes.

As exceções estiveram no piloto de avião, com vantagem atribuída aos destros, e nos futebolistas, com preferência para os canhotos.

No inquérito, os esquerdinos foram questionados sobre se preferiam ser destros, mas a grande maioria - 93% - respondeu que não. Contudo, são mais os canhotos que preferem ser destros do que o contrário, o que pode significar a existência de dificuldades no quotidiano, refere a análise.

Mas os autores sublinham que os canhotos mostraram uma tendência para atribuírem a si características positivas, como inteligência e criatividade, um comportamento que não foi reproduzido nos que usam a mão direita.

Aliás, Mário Cordeiro nota que «quem tem pena dos canhotos são os destros», enquanto os esquerdinos «se sentem bem na sua pele».

O tempo no resto do mundo

Arquivos

Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2021