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rss  Vol. XV - Nº 241         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 03 de Agosto de 2020
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Revela estudioso

Leitura foi «parte central» da vida de Hitler

Lisboa - O investigador Timothy W. Ryback, autor do livro "A Biblioteca Privada de Hitler", afirmou à Lusa que "a leitura constituiu uma parte absolutamente central" na vida do ditador alemão.

O autor estudou 1200 livros da biblioteca pessoal de Hitler, atualmente em depósito na Biblioteca do Congresso norte-americano.

Estes volumes integravam um total de 16 mil que o líder nacional-socialista possuía, distribuídos por três bibliotecas (Berlim, Munique e Berchtesgaden).

Todavia, ressalvou Ryback, os livros que as tropas norte-americanas trouxeram após a derrota alemã na II Grande Guerra, "são aqueles que eram os mais pessoais de Hitler".

"Aqueles que ele leu e apontou comentários nas margens", disse.

"Hitler aproveitava o que melhor entendia dos livros que lia. Ele próprio afirmou que retirava dos livros aquilo que necessitava e há nos seus discursos eco do que lia", disse o autor norte-americano.

"Curiosamente, nunca ninguém pensou nesta perspetiva relativamente a Hitler, e durante mais de meio século aqueles livros estiveram na Biblioteca do Congresso [dos Estados Unidos] sem que ninguém se interessasse por eles".

O autor qualifica Adolfo Hitler como "a personalidade mais enigmática do século XX" mas considera que o estudo desta biblioteca pessoal "pode dar pistas sobre o mundo interior de Hitler".

"Hitler tinha uma mente impenetrável, todavia eu penso que o estudo da sua biblioteca particular [o que resta dela] pode ser um meio para alcançarmos de certa forma a sua mente insondável".

O estudo da biblioteca "dará pelo menos para outros cinco livros", acrescentou.

Segundo Ryback, Hitler lia um livro por noite e a sua biblioteca "revela uma personalidade com pouca formação intelectual e até superficial".

Na mesa-de-cabeceira manteve sempre um exemplar de banda desenhada de Wilhelm Busch que relatava as tropelias de Max e Moritz.

Nacionalista radical e defensor de uma renascença germânica, Hitler apreciava autores estrangeiros e considerava William Shakespeare o maior de todos, mesmo superior a Goethe e Schiller.

No seu refúgio alpino de Berchtesgaden mantinha os volumes do autor inglês ao lado dos livros de aventuras Karl May, um dos seus autores favoritos.

Ryback referiu-se à biblioteca hitleriana como "uma selva" por ser desordenada e encontrar-se na mesma prateleira a edição fac-similada da correspondência de Frederico, o Grande [da Prússia] ao lado de uma coleção de cartoons ou de um livro de culinária vegetariana com a dedicatória "Monsieur Hitler végétarien".

"Ele lia para se educar a si próprio e sua larga coleção é a de um homem pouco educado, sem formação e sem juízo crítico", afirmou Ryback que acrescentou: "Hitler deixou de ter qualquer educação formal aos 15 anos".

Todavia, o líder nazi era familiarizado e apreciava clássicos da literatura como "Robison Crusoé", "A Cabana do Pai Tomás", "Dom Quixote", ou "As Viagens de Gulliver" que, segundo Ryback, o ditador alemão afirmou que "cada uma destas obras era por si só uma ideia grandiosa".

Na biblioteca de Hitler encontra-se de tudo desde as obras dos grandes filósofos "sobre as quais tinha um entendimento superficial" até livros de geografia, guerra, e ocultismo.

Além dos norte-americanos também franceses e soviéticos levaram livros da biblioteca de Hitler que se suicidou em 1945 no bunker da chancelaria, em Berlim.

Para Timothy Ryback, codiretor do Institute for Historial Justice and Reconcilliation (na Haia) "é espantoso que o homem que queimava livros, se interessasse tanto por livros e os lesse", mas "mais espantoso é que em mais de meio século ninguém tivesse tido essa curiosidade".

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