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rss  Vol. XV - Nº 241         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 03 de Agosto de 2020
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França, estudo:

Maioria dos portugueses e luso-descendentes sente falta de apoio de Portugal

 

imigrantesemfranca

Lisboa - A maioria dos portugueses e luso-descendentes residentes em França sente falta de apoio de Portugal, revela um estudo, que dá conta de um afastamento crescente dos emigrantes em relação às suas origens.

Quase dois terços (63 por cento) dos portugueses e luso-descendentes que residem em França não sentem apoio de Portugal quando precisam, enquanto 21 por cento sente essa ajuda, revela o "Estudo das Comunidades Portuguesas em França, 2010", promovido pela Fundação Vox Populi, com base numa amostra de 275 famílias residentes em França.

A ajuda é sentida sobretudo através do tratamento de documentos nos consulados.

O estudo, a que a agência Lusa teve acesso, revela ainda que a ligação dos emigrantes e luso-descendentes a Portugal é "tendencialmente menor", com 30 por cento dos inquiridos a confessarem sentir-se hoje menos ligados ao país.

Quando questionados sobre o que mais os faz sentirem-se afastados de Portugal apontam aspetos como a vida em França, a família ou a assistência médica.

Mais de 95 por cento sentem-se portugueses, uma percentagem que desce para os 81 por cento quando se trata de saber se sentem orgulho nessa condição.

Numa análise à relação com as línguas portuguesa e francesa, o estudo revela que cerca de 86 por cento fala fluentemente português (78 por cento no grupo etário dos 18/44 anos) e 88 por cento francês.

Cerca de 14 por cento não falam português, mas a grande maioria (75 por cento) gostaria de aprender a língua.

Ainda de acordo com o documento, sentem-se divididos entre ficar no país de acolhimento (45 por cento) ou regressar a Portugal (42 por cento).

Luís Queirós, presidente da Fundação Vox Populi, disse à Lusa que este estudo revela "uma enorme ligação afetiva" dos emigrantes a Portugal, mas deixa perceber que "começam a ficar muito desligados".

"Houve um grande desenraizamento. As pessoas foram para França e saíram do meio rural, houve uma dupla mudança e as pessoas desenraizaram-se. Hoje têm uma grande ligação afetiva, mas já pouco os prende a Portugal", referiu.

Para Luís Queirós trata-se de uma geração "que se perdeu, uma emigração sem retorno".

"Sentem-se pouco apoiados e [...], no dia-a-dia, Portugal está pouco presente. Têm muitas dificuldades, muitos entraves e de certa forma é isso que os desencanta", sublinha o responsável da Fundação.

O estudo revela ainda um "notório" afastamento da vida política com 74 por cento dos inquiridos a afirmar nunca ter votado em eleições portuguesas, percentagem que sobe para 91 por cento quando a questão é sobre a participação eleitoral no último ano.

O presidente da República, Cavaco Silva, lidera a lista das figuras públicas portuguesas mais mencionadas, seguido do antigo presidente Mário Soares e da fadista Amália.

Em quarto lugar surge o primeiro-ministro José Sócrates e logo depois o futebolista Cristiano Ronaldo, o presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, o cantor Tony Carreira e o antigo governante Salazar.

Globalmente, Cristiano Ronaldo é a personalidade mais admirada, seguido de Durão Barroso, Tony Carreira, José Sócrates e Nicolas Sarkozy. Quando se fala em personalidade portuguesa mais admirada, a lista é encabeçada por Mário Soares, e além dos anteriores surge em sexto lugar Fernando Pessoa.

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