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rss  Vol. XV - Nº 241         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 03 de Dezembro de 2020
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No âmbito do Fantasporto:

«Ignorar a cultura faz jus ao minúsculo país que é Lisboa» - Mário Dorminsky

Porto - Durante a cerimónia de encerramento do Fantasporto, o diretor Mário Dorminsky criticou o centralismo, apelidou Lisboa de "minúsculo" país e pediu desculpa a "alguma" comunicação social por não ter havido sangue a "correr" nas ruas do Porto.

Segundo o promotor do Fantasporto, não prestar atenção à cultura faz jus à lógica "centralista deste minúsculo país chamado Lisboa, que vive à custa daquilo que denomina de paisagem".

"Aí Lisboa tem razão, temos paisagem, temos património, sabemos receber e criamos uma excelente imagem a quem nos visita. Tudo isto é lógico, está testado, está provado", disse Dorminsky.

Dada a "incapacidade" e "inoperância", a integração do Ministério da Cultura no Ministério da Economia foi uma das ideias propostas do organizador do Fantasporto.

"Ainda a semana passada li, devo ter entendido mal, que se vai criar uma região piloto em Lisboa para testar a regionalização em Portugal. Seria ridículo, era um exemplo claro que vivemos num autêntico jardim infantil em que se dizem barbaridades que logicamente não se podem por em prática porque não têm qualquer futuro", referiu Dorminsky.

O mentor do Festival Internacional de Cinema do Porto deixou um pedido de desculpa a "alguns" meios de comunicação por não ter havido incêndios no Rivoli, mortos, ambulâncias do INEM, sangue a correr nas ruas do Porto e ninguém conhecido ter andado despido nos corredores dos hotéis.

"Não temos aquele caquético 'jet set' que aparece invariavelmente nas revistas cor-de-rosa e nas múltiplas páginas que os diários lhes dedicam. Lamentavelmente não houve motivos de notícia, os filmes e os realizadores deste festival só irão ter destaque quando forem ao micro país chamado Lisboa", criticou o organizador.

Segundo Dorminsky, o país "rodeado de paisagem" é também o país do desemprego, "do dito subsídio-dependente", mas "afinal" um país que "subsidia largamente a macrocefalia lisboeta".

Insistir em fazer cultura no norte, "a região mais pobre da Europa", é para os organizadores do Fantasporto "uma questão de princípio, uma questão cultural, de formação e de educação".

"É o anti-oportunismo político partidário, é ser totalmente independente, e é também, num país como este, ser quase masoquista", indicou.

No final do discurso, Mário Dorminsky deixou "outro recado" à classe política: "pensem, discutam, arranjem soluções. Todos nós já damos o que temos e quase o que não temos para que este país se mantenha à tona. Cumpram a vossa parte do acordo celebrado em 1974 e que se chama democracia".

"Voltaremos para o ano? Tenho confiança que sim, mas temo sempre as palavras crise, centralismo e a total ausência de voz que o norte tem", rematou Dorminsky.

Durante a entrega de prémios e anúncio dos vencedores do Fantasporto, homenageada com o prémio carreira, Maria de Medeiros referiu ter sido um "privilégio" ver e compartilhar os filmes com o público, ao testemunhar a fidelidade e o entusiasmo do público do Fantasporto".

"Fiquei muito sensibilizada, e um pouco inquieta com este prémio de carreira, que é sempre uma coisa um pouco preocupante mas ao mesmo tempo belíssima", afirmou a atriz e realizadora.

Outro momento de relevo foi protagonizado pelo realizador de "Bedevilled", Jang Cheol-so, ao agradecer, em coreano, o prémio atribuído à protagonista do filme.

Acreditando no tradutor, o realizador coreano terá salientado o facto do prémio atribuído a Seo Yeong-hie ser "muito importante devido ao desempenho complexo, após o qual tirou um mês para recuperar".

"É um prémio especial e ela ficará muito contente", afirmou o realizador.

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