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rss  Vol. XV - Nº 241         Montreal, QC, Canadá - sábado, 08 de Agosto de 2020
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No Restaurante Douro

Cristina Silva: - a minha cozinha é perfumada de afeto!

Inês Faro

Por Inês Faro

Para Cristina Silva, 26 anos, a gastronomia portuguesa é "... attached!", exclama em inglês, apesar de saber falar português. "Lembra-me a casa da minha avó", diz a cozinheira do restaurante "Douro". Ligação, proximidade, afeto, características que associa à comida portuguesa, foram os condimentos que lhe deram o gosto pela cozinha. As memórias desta infância perfumada a coentros e alho, dois ingredientes de que hoje não prescinde, fizeram com que Cristina, filha de mãe portuguesa e pai ucraniano, tenha optado pelos sabores lusos no exercício da sua profissão. "A comida portuguesa é muito variada, é comida caseira, contrariamente à italiana que é muito à base de pasta e... não sei... é impessoal. A cuisine française, por exemplo, é bonita, mas a comida portuguesa é para comer com as mãos [frango], faz-nos sentir em casa!", referindo-se também aos comentários que ouve dos clientes do "Douro", maioritariamente francófonos. No ranking das suas preferências ganham a carne de porco à alentejana e a pescada grelhada, mas no que diz respeito a cozinhar, prefere grelhar bifes e fazer sobremesas, como o leite-creme ou o bolo de cenoura.

 

douro cristina

Quem corre por gosto...

Serve-se novamente de uma palavra inglesa para descrever o que sente quando cozinha: "exciting!". "Na cozinha não se para, todos os dias são diferentes. Experimentamos receitas novas, trocamos ideias, provamos, inovamos", diz a jovem cozinheira. "Quando cozinho não penso em mais nada. Sinto-me relaxada, não stresso", conta. Mas, apesar do efeito terapêutico, Cristina Silva reconhece que trabalhar como cozinheira é uma profissão fisicamente exigente. "Os cozinheiros são os clientes nº 1 dos massagistas", diz.

Aliás, para a cozinheira luso-canadiana, a questão da resistência física é mesmo o que talvez explique a atual afirmação dos homens numa área historicamente associada às mulheres. "As mulheres cozinheiras têm de ultrapassar um desafio a mais: provar que são capazes, o que muitas vezes significa serem capazes de fazerem "trabalhos de homem", como por exemplo pegar em coisas pesadas", diz Cristina. Mas não só. "Uma cozinheira grávida não pode trabalhar a partir do quarto ou quinto mês de gravidez, cansa-se mais rápido, já para não falar nos dias do mês em que nos sentimos mais cansadas...", explica. "De resto não acho que existam diferenças entre mulheres e homens, as diferenças são entre a motivação e a criatividade de cada um", conclui a cozinheira do "Douro" há já cinco anos.

Douro

A calçada portuguesa, os painéis de azulejo, os quadros com motivos alusivos à vindima e à pesca, o muro de cortiça, as cores nacionais e o aqueduto romano a fazer lembrar os vestígios romanos no norte de Portugal, entre outros, refletem o cuidado com os detalhes que a equipa do Douro teve na decoração do restaurante. E escrevo equipa sem particularizar já que Marcelino Alves, 56 anos, um dos três proprietários juntamente com Sérgio Pires e Fernando Rodrigues, faz questão de sublinhar que no "Douro" todos são tratados por igual. "Aqui não há hierarquias. Não há um chefe, há cozinheiros", diz Marcelino Alves. "Este é um restaurante familiar, todos devem saber fazer tudo e todos contribuem da mesma forma", acrescenta aquele que é apesar de tudo o rosto mais conhecido do restaurante. Além do trabalho em equipa - sete empregados, para Marcelino a fórmula do sucesso está também na "honestidade com o cliente". "Temos de saber entender e aconselhar o cliente, tentar perceber que tipo de pratos pode preferir e ajudá-lo a escolher", diz. E no top das suas recomendações o proprietário do "Douro" não hesita: "O bacalhau é um "fidel amigo", o bacalhau preto é uma especialidade da casa, assim como o peixe fresco, o arroz e a grilhada de marisco e a cataplana", conclui Marcelino Alves. Uma casa portuguesa, com certeza!

Informações úteis sobre o restaurante "Douro":

Aberto de segunda a sexta das 12h00 às 15h00 e das 17h30 às 22h00. Ao sábado aberto das 17h30 até 22h00 e ao domingo das 12h00 às 22h30. Fechado nos dias 24, 25 e 26 de Dezembro e duas semanas no Verão. Reserva aconselhada, já que a lotação é de 55 pessoas. Estão preparados para receberem jantares de grupos e reuniões de empresas. Durante a semana, à hora do almoço, os pratos especiais são a 18,95$. Ao fim de semana a table d'hôte é a partir de 29$. Está situado no número 6518 do Boulevard Saint-Laurent, Montreal. T: (514) 273-6969.

Leite-creme

Ingredientes

  • 20 gemas de ovos
  • ½ medida açúcar
  • 2 Litros de natas (35%)
  • 1 colher de sopa de extrato de baunilha
  • 1 colher de sopa de licor Frangelico

Preparação

  • Misturar as gemas de ovos com o açúcar até obter uma coloração amarela.
  • Junte as natas, a baunilha e o licor.
  • Colocar num recipiente e cozer em banho-maria.
  • Cozinhar a 400º durante 25 a 30 minutos.

Receita de Cristina Silva do restaurante Douro

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Acordo Ortográfico

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Carlos de Jesus
Diretor

 
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