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rss  Vol. XV - Nº 240         Montreal, QC, Canadá - quinta-feira, 18 de Setembro de 2014
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No Restaurante Chez le Portugais

Noite de Fados à antiga

Anália Narciso

Por Anália Narciso

Paulo Filipe, a nova coqueluche do fado em Montreal, cantou no passado fim de semana na grande sala do restaurante luso-canadiano Chez le Portugais. E com ele estiveram mais duas fadistas da comunidade, a novata Marta Raposo, e a consagrada Jordelina Benfeito. E se ambas estiveram excelentes, o que não é surpresa, já Paulo Filipe, o torontoense, esteve sublime, ao ponto do público, que não esteve em grande número na sexta-feira, mas que encheu por completo a casa no sábado, se render ao seu talento, pedindo-lhe mais e mais um fado, de maneira que, a dado momento, o seu reportório ter esgotado. Apesar disso, o público não esmoreceu e acabou pedindo para que ele voltasse a cantar melodias já cantadas, tal era o agrado pelo fadista «lagoense».

 

fado marta chez portugais
Foto: LusoPresse

Compreenderam perfeitamente a situação tanto Marta Raposo como Jordelina Benfeito, não fosse ele, excelente fadista, e mais importante, boa pessoa, para mais vindo de fora como convidado. Tudo isso reunido deu para que as duas fadistas de Montreal, a certa altura, se pusessem a aplaudir Paulo Filipe como se fizessem, naqueles momentos, apenas parte do público. Foi bonito de se ver.

Tudo começou na sexta-feira, marcaria o relógio as 20 horas e alguns minutos, quando a apresentadora Natércia Rodrigues chamou Marta Raposo ao palco para dar início ao serão fadístico.

 

fado jordelina  chez portugais
Foto: LusoPresse

Acompanhada pelos guitarristas Francisco Valadas, Luís Costa e José Medeiros, Marta Raposo, agora ainda mais fadista, não acabasse ela de vir de Lisboa, onde viveu os últimos anos e pôde assim aperfeiçoar a sua técnica, cantando em casas especializadas, deu o tom ao serão, interpretando fados como Travessa da palha, Senhor Vinho, Casa portuguesa e por aí fora. No sábado, a receita seria a mesma. Mas com um sinal mais, dado pela presença de uma plateia duas ou três vezes mais numerosa, o que galvaniza qualquer um. Foi o que aconteceu com a Marta. Pelo que foi capaz e pelo que vimos como reação do público, Marta Raposo tem muitos seguidores nesta comunidade. É caso para dizer que tem o «futuro assegurado» como fadista em Montreal.

Jordelina Benfeito, habituada a ser a «estrela da companhia», cedeu o seu lugar ao Paulo Filipe, que veio de Toronto, e atuou a seguir à Marta. E no seu estilo característico, Jordelina Benfeito pode continuar a cantar sem grandes temores, que o seu lugar de vanguarda continuará a ser seu. Tem voz timbrada, domina a cena, os trechos escolhidos agradam e tem um sorriso fraterno e agradável, que fazem dela uma cantora admirada.

fado filipe chez portugais

Ser avó, Maria Madalena, Xaile de minha mãe, Nem às paredes confesso foram alguns dos fados que ecoaram pela sala do Chez le Portugais nos passados dias 25 e 26 de Fevereiro. E durante a sua atuação, os bis e aplausos repetiram-se, o que acabou por provar, mais uma vez, que os amantes locais da nossa canção nacional continuam a ter a fadista da Bretanha em alta consideração.

Do Paulo Filipe já dissemos que tem público em Montreal. Por que tem competência, apesar de ser ainda muito jovem - princípio da vintena?... Quando ele tem a oportunidade de falar ao seu público, ele diz isso mesmo, que nasceu para cantar. A sua preocupação constante é ser cada vez mais profissional, pois o público merece-lhe esse respeito. Além disso, Paulo Filipe domina perfeitamente os trechos que canta, escalpelizando amiúde quem são os autores da letra que canta e da música que se lhe acompanha, coisa que só os predestinados estão dispostos a fazer (saber). Tudo isso, o público admira. No entanto, é a sua potente voz e domínio do meio ambiente que lhe conferem um estatuto de fadista de grande qualidade. Isso viu-se na reação da mais de centena de pessoas que estiveram no Chez le Portugais. Os aplausos repetidos e os vivas à sua atuação são a prova de que a sua qualidade já não engana. Boa noite solidão, Dar de beber à dor, Rapaz da camisola verde, etc., etc. deram o tom a uma atuação magnífica, como também nos disse um dos seus correligionários.

De referir que para que os três fadistas - Marta Raposo, Jordelina Benfeito e Paulo Filipe - tivessem o nível de atuação que tiveram, muito contribuiu o trabalhos dos três guitarristas José Medeiros, Luís Costa e Francisco Valadas.

No final, Henrique Laranjo, proprietário do restaurante, agradeceu a presença do público, dos artistas e prometeu mais promoções deste calibre no futuro.

O tempo no resto do mundo

Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
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