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rss  Vol. XV - Nº 239         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 01 de Março de 2021
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A Quinzena em notícias

Por Carlos de Jesus

Terça-feira, 1 de fevereiro

Egito: Protestos inquietam mercados financeiros

A revolta no Egito está a ser acompanhada com nervosismo pelos mercados internacionais. O preço do barril de crude superou a barreira dos 100 dólares, o valor mais alto nos últimos dois anos, ameaçando as medidas para combater a crise. Mais de um milhão de barris de petróleo circulam diariamente pelos oleodutos situados no canal do Suez.

Entretanto Hosni Mubarak fez uma declaração ao país através da televisão pública onde acusou as forças da oposição de oportunismo político e garantiu que vai morrer no seu pais, afastando a possibilidade de fuga.

O presidente egípcio anunciou que não se vai candidatar às próximas eleições presidenciais de setembro, mas vai permanecer até lá, para assegurar a transição do poder.

Quarta-feira, 2 de fevereiro

Paquistão: Nove mortos na explosão de carro armadilhado

Pelo menos nove pessoas morreram e 23 ficaram feridas na explosão de um carro armadilhado junto a um posto da polícia em Peshawar, no noroeste do Paquistão. As forças de segurança isolaram a área e o primeiro-ministro Yusuf Razá Guilani reiterou o compromisso do governo de acabar com o terrorismo.

No Paquistão, pelo menos 4 000 pessoas morreram em três anos e meio, vítimas de 450 atentados atribuídos a bombistas suicidas talibãs, aliados da Al-Qaeda, e a grupos fundamentalistas islâmicos. Na segunda-feira, também em Peshawar, três polícias morreram quando um bombista suicida fez explodir a carga que transportava à passagem da viatura em que seguiam os agentes. Os polícias realizavam uma patrulha de rotina num bairro periférico da cidade, situado junto das zonas tribais onde o exército combate os talibãs.

Quinta-feira, 3 de fevereiro

Quebeque: Operação Martelo passa aos atos

A Operação Martelo (Escouade Marteau) acaba de dar a sua primeira martelada no crime organizado que gira à volta da corrupção do mundo municipal.

Sete indigitados corruptos foram levados perante os tribunais, entre os quais a antiga presidente da Câmara Municipal de Boisbriand, Sylvie St-Jean e os dirigentes da firma Infrabec, Lino e Giuseppe Zambito. Quatro empregadas da firma de engenharia Roche, uma das mais importantes do Canadá, foram também juntar-se nos furgões celulares da esquadra martelo. Entre eles figura Claude Brière, antigo autarca de Boisbriand.

Sexta-feira, 4 de fevereiro

Médio Oriente: contestação alastra-se

Depois da Tunísia e do Egito, as manifestações alastram-se na Jordânia. Centenas de pessoas manifestaram-se, esta sexta-feira, em Amã, para exigir reformas políticas no país.

A iniciativa da Frente de Ação Islâmica, principal partido da oposição na Jordânia, conta com o apoio da esquerda. Em causa não está uma mudança de regime. Aqui pedem-se reformas e um governo eleito.

"Queremos seriedade, queremos reformas genuínas. Queremos que sejam tomadas iniciativas e que o povo seja um parceiro tido em conta nas decisões", afirma Hamzeh Mansour, líder da Frente de Ação Islâmica. Para travar as manifestações o rei Abdullah II substituiu o chefe de governo, mas a escolha não agradou à oposição.

Sábado, 5 de fevereiro

Egito: Manifestantes na Praça Tahrir prometem manter mobilização

Depois de quase duas semanas de protestos, os manifestantes reunidos na Praça Tahrir do Cairo estão mais determinados do que nunca. Se por um lado Hosni Mubarak teima em não abandonar o cargo, aqueles que contestam o regime também parecem preparados para manter posição.

Apesar dos bens de primeira necessidade e medicamentos oferecidos pelos que defendem a revolta popular, o quotidiano é particularmente duro na praça central do Cairo que se tornou no epicentro da contestação. No entanto, os manifestantes prometem não ceder no braço-de-ferro com o poder.

Domingo, 6 de fevereiro

Cabo Verde: eleições exemplares

A África vive um défice democrático inegável. Mas há exceções. É o caso de Cabo Verde que, ainda ontem, foi às urnas, com os dois candidatos da segunda volta. Ganhou o favor popular José Maria das Neves, primeiro-ministro em exercício. Não obstante, o presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires, enviou hoje duas mensagens aos principais atores deste plebiscito. A José Maria das Neves pela vitória e ao pretendente ao cargo, Carlos Veiga, pela dignidade assumida na hora da derrota. "De acordo com os resultados, ainda que provisórios, tornados públicos, felicito vossa excelência e, por seu intermédio, a todos os membros do seu Partido, pela vossa elevada participação e empenho na apresentação e defesa do vosso programa eleitoral, assim como pela forma digna e responsável como soube assumir esses resultados", lê-se na mensagem enviada ao líder do Movimento para a Democracia (MpD).

Segunda-feira, 7 de fevereiro

Quebeque - Greve dos procuradores públicos

Pela primeira vez nos anais judiciais do Quebeque, os procuradores públicos (Procureurs de la couronne) entraram de greve como meio de pressão para que os seus salários sejam aumentados até ao nível da média canadiana, e para que os quadros sejam substancialmente aumentados em número, sobretudo devido às operações anticorrupção em curso.

Apenas os serviços essenciais, como a audiência de processos em curso serão mantidos. Os detidos à espera de julgamento deverão esperar em prisão ou serem libertados, segundo o parecer dos juízes.

O Governo promete resolver a questão das reivindicações o mais rapidamente possível, mas atendendo à lentidão das negociações registadas até aqui, tudo parece indicar que a questão se vai arrastar para prejuízo da aplicação da Justiça.

Terça-feira, 8 de fevereiro

Egito: Contestação sobe de tom

A contestação ao regime do Egito subiu de tom nesta terceira semana de protestos. Milhares e milhares de pessoas demonstraram não ter baixado os braços na exigência de uma verdadeira mudança.

Isto no mesmo dia em que o vice-presidente Omar Souleiman anunciou um plano de transição política. O atual número dois do regime declarou que o presidente Hosni Mubarak decretou a criação de três comissões: a primeira vai trabalhar na emenda constitucional, a segunda vai implementar os acordos saídos do chamado Dialogo Nacional e a terceira vai investigar os confrontos entre manifestantes pró e anti-Mubarak.

Os opositores ao regime receiam que o Presidente e o seu governo estejam a tentar ganhar tempo e dizem não querer uma meia revolução. De acordo com a Human Rights Watch, pelo menos 297 pessoas morreram durante as violentas manifestações, a maioria atingida por balas reais. Um número que será bastante maior, salienta a organização não-governamental.

Quarta-feira, 9 de fevereiro

Itália: Procurador de Milão pede julgamento de Berlusconi

A justiça italiana aumenta a pressão sobre Silvio Berlusconi. O procurador de Milão vai pedir hoje o julgamento imediato do primeiro-ministro, acusado de abuso de poder e de ter praticado relações sexuais com uma menor. Os juízes na origem do processo afirmam ter provas concretas de que Berlusconi recorreu aos serviços de uma prostituta menor e que se utilizou da sua posição no governo para libertá-la da prisão.

Se a justiça aceitar o pedido, Berlusconi, que se afirma inocente, poderá ser julgado nos próximos dois meses. Segundo algumas sondagens, a nova vaga de escândalos não parece afetar seriamente a popularidade do presidente. O primeiro-ministro, pela sua parte, acusa os juízes de Milão de perseguição política e deverá tentar atrasar um eventual julgamento, pedindo que o processo seja enviado para outra comarca.

Quinta-feira, 10 de fevereiro

Québec - Novo anfiteatro

Face à recusa do governo federal em financiar a construção do novo anfiteatro poli funcional da cidade de Quebeque, o presidente do município, Régis Labeaume, resolveu levar a sua avante com o beneplácito do primeiro-ministro do Quebeque, Jean Charest, e o dinheiro de todos os contribuintes da província. Ao total são 400 milhões de dólares.

Um dos argumentos avançados para esta obra é que ela se vai financiar com as taxas aplicadas aos espetáculos e jogos de hóquei que lá se produzirem. Mas como qualquer economista de trazer por casa deve saber, as taxas saem sempre das mesmas bolsas donde elas saem hoje, e as que forem cobradas nas bilheteiras do novo anfiteatro não serão cobradas nos outros recintos congéneres.

Egito: Mubarak diz que fica e que não se demite

Apesar das expectativas criadas durante o dia, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, anunciou que vai permanecer no poder até às eleições de setembro:

"Decidi ceder os meus poderes ao vice-presidente, de acordo com as competências que me são conferidas pela constituição. Digo mais uma vez que vivo neste país e que assumi a responsabilidade perante o país. O Egito vai continuar a estar acima de todos até eu ceder o meu lugar. O Egito vai continuar a ser a causa da minha existência, e o fim também".

Sexta-feira, 11 de fevereiro

Egito: Mubarak demite-se

Depois do discurso de ontem, no qual anunciou mudanças constitucionais e delegou poderes ao vice-presidente, mas não se demitiu, a multidão nas ruas ficou enfurecida porque esperava que Mubarak abandonasse o poder.

Mubarak deixou hoje finalmente o cargo. Após 18 dias de revolta, o Conselho Militar assume os poderes presidenciais.

Sábado, 12 de fevereiro

Argélia: Polícia abafa manifestação em Argel

Argel foi palco duma pequena manifestação este sábado de manhã perante a presença maciça das forças da ordem. A polícia refere cerca de 250 participantes enquanto os organizadores do protesto avançam um número entre os sete e os dez mil.

As autoridades receiam que o clamor das revoluções na Tunísia e no Egito chegue à Argélia. Entre os manifestantes, o presidente honorário da Liga Argelina dos Direitos do Homem, Ali Gaia Abdenour: "Não abandonamos o local enquanto o regime não cair, queremos um regime do povo" - afirmou enquanto a multidão gritava "Poder assassino!"

Ao fim de três horas os manifestantes começaram a dispersar pacificamente. A polícia afirma ter detido 14 pessoas mas os organizadores falam num milhar de detenções.

Domingo, 13 de fevereiro

Iémen: Opositores ao regime de novo nas ruas de Saná

Animados pelas revoluções na Tunísia e no Egito, milhares de iemenitas voltaram a sair às ruas de Saná para exigir a demissão do presidente Ali Abdullah Saleh.

Os cerca de 1000 manifestantes, na sua grande maioria estudantes universitários, tentaram marchar até à praça central da capital, mas foram impedidos em primeiro lugar pela polícia e em seguida por uma contramanifestação a favor do regime. De acordo com membros da oposição, vários manifestantes ficaram feridos e 23 foram detidos, neste terceiro dia de manifestações contra o poder.

Ali Abdullah Saleh é presidente da república islâmica do sudoeste da Península da Arábia há mais de 30 anos.

Segunda-feira, 14 de fevereiro

Bahrein: "Dia de Raiva"

A monarquia do Bahrein está em alerta face à ameaça de protestos. Para hoje, a população de maioria xiita promete sair à rua para pedir reformas políticas e manifestar-se contra a falta de emprego e de habitação.

Esta noite, registaram-se confrontos numa localidade xiita entre um grupo de jovens e as autoridades. Testemunhas contam que a polícia entrou com gás lacrimogéneo num edifício onde se celebrava um casamento. O incidente aconteceu em Karzakan, no noroeste da capital Manama. No Bahrein, a população de maioria xiita queixa-se de descriminação face à minoria sunita que detém o poder.

Nesta pequena monarquia do Golfo Pérsico, onde o petróleo é rei, foram introduzidas tímidas reformas políticas, na última década, que permitiram aos xiitas conquistar alguns assentos no Parlamento. Para evitar uma onda de revolta inspirada pela Tunísia e Egito, o rei Hamad bin Isa Al Khalifa prometeu cerca de dois mil euros a cada família e mais liberdade de imprensa.

Terça-feira, 15 de fevereiro

Iémen: Confrontos nas ruas da capital

As ruas de Saná presenciaram manifestações antigovernamentais pelo quinto dia consecutivo. O protesto terminou em confrontos com partidários do presidente do Iémen, Ali Abdullah Salleh.

Os manifestantes, cerca de um milhar, tentaram alcançar o palácio presidencial mas foram impedidos pela polícia. Em seguida foram agredidos por fiéis ao regime. Há registo de alguns ferimentos ligeiros, nomeadamente cabeças partidas em virtude do lançamento de pedras e das bastonadas entre os dois grupos. Um apoiante do presidente diz que vai permanecer "fiel à liderança" do país e que rejeita qualquer tentativa para "destruir o Iémen".

As manifestações duram há algumas semanas mas cresceram de intensidade na sexta-feira. O país enfrenta diversos focos de instabilidade; ideias independentistas no Sul, uma rebelião xiita no Norte e a Al-Qaeda.

O tempo no resto do mundo

Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
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