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rss  Vol. XV - Nº 238         Montreal, QC, Canadá - sábado, 04 de Abril de 2020
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Na(s) Comunidade(s)

Às malvas as eleições!

Norberto Aguiar

Por Norberto Aguiar

As Presidenciais em Portugal, realizadas a 23 de Janeiro último e que deram Aníbal Cavaco Silva como grande vencedor, também se desenrolaram em Montreal, no Consulado-geral, na única mesa eleitoral para o Quebeque e restantes províncias do Leste do Canadá. De resto, e segundo as nossas informações, também não eram precisas mais, pois como inscritos, retirando os 940 da grande área de Montreal, só na cidade de Quebeque a que haviam mais 10 pessoas que podiam utilizar o legítimo direito de votar.

 

cafe eleicoes salvador

Se o número de Portugueses ou luso-descendentes já era ínfimo - 950! - para os 70 ou 80 mil que se diz existirem no Quebeque, imaginem que desses nove centos e poucos só 62 se deram ao luxo de ir votar!!! São números que arrepiam, sobretudo quando se observam os protestos em relação a Portugal quando se trata de pedir apoios ou outras extravagâncias... e que o país, muitas vezes por falta de meios, não corresponde.

À luz destes números, todos aqueles que protestam por nada receberem de Portugal; ou ainda mais aqueles que recebem algumas mordomias do nosso país, deviam ter vergonha de «sentir» estes números respeitantes a uma eleição presidencial que de resto levou muitos anos a conquistar! Onde estiveram os nossos dirigentes comunitários no dia 23 de Janeiro? Certamente que muito ocupados com a administração dos seus clubes e associações... Mas não forem só eles. Muita outra gente, com responsabilidade comunitária, também lá não apareceu...

E levamos nós, os que acreditam verdadeiramente na(s) comunidade(s), anos a fio a pregar que só através do voto maciço, em qualquer eleição que seja - mesmo no Canadá - a que podemos ter voz para reivindicar seja o que for - mesmo uma folha de papel ou um lápis! Mas nada feito.

Cavaco vence

Dos 62 votos registados no Consulado, 32 foram para Cavaco Silva, 3 para Fernando Lopes, 3 para José Coelho, 9 para Manuel Alegre, 5 para Fernando Nobre; Defensor Moura não teve nenhum voto. Ouve um voto em branco e 9 que não estavam inscritos e que por isso não puderam exercer o seu direito de voto. Neste caso, pensa-se que estas pessoas mesmo se vivem em Montreal estarão inscritas, talvez sem saber, em Portugal, na sua região de origem.

Ronda na comunidade

 

cafe eleicoes 2

Depois de ter exercido o meu direito de voto e me ter quedado algum tempo como observador do «nosso» ato eleitoral, fomos ao encontro de pessoas anónimas para saber se tinham ido votar para a Presidência da República Portuguesa, acabadinha de comemorar 100 anos (5 de Outubro).

Estabelecemos o restaurante bar Triângulo Português como ponto de encontro, não fosse dia de jornada futebolística nacional, sempre com muita gente. A primeira pessoa abordada foi o Senhor Álvaro Sousa, no Canadá há 47 anos. Natural de Vila do Conde, o Senhor Álvaro admitiu que não foi votar porque «Não estou inscrito, por isso não fui votar», disse, para logo acrescentar que «vou pensar nisso...», referindo-se à nossa proposta para que, no futuro, esteja inscrito e assim possa votar em próximos atos eleitorais. De qualquer forma, o Senhor Álvaro sempre nos disse que a votar teria escolhido Cavaco Silva, porque «os outros não interessam».

 

cafe eleicoes1

Armando Costa fez parte da nossa segunda abordagem. Também não votou por também não estar inscrito. Falta de tempo foi o argumento para justificar o facto de não estar inscrito. Se votasse teria escolhido igualmente Cavaco Silva, pois «mal por mal...». Armando Costa disse-nos estar no Canadá há 38 anos e ser oriundo de Avanca, no distrito de Aveiro.

Por último, Marcelino Esteves, que é de Ponte de Lima, distrito de Viana, e está no Canadá há 19 anos, embora, como diz, ande lá e cá. Por acaso é a primeira eleição que passa no Canadá em 19 anos, pois «nessas ocasiões calha que tenho estado sempre em Portugal». Contudo, adianta que não está recenseado nem aqui nem em Portugal.

E que venham outras assim!...

O tempo no resto do mundo

Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
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