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rss  Vol. XV - Nº 238         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020
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Imprensa escrita e eletrónica

Fernando Pires

Por Fernando Pires

O que deu origem a este título? Primeiramente é um assunto que se trava há duas décadas, entre os apologistas destes dois conceitos, que produzem prós e contras, ou seja: o escrito jornal e o escrito eletrónico. Daí a questão. Será que o livro e o jornal em papel acabarão um dia por causa da concorrência da imprensa eletrónica e digital?

gutemberg

A segunda questão, é de uma outra ordem. Por que é que hoje certos "jornalistas" utilizam a internet para plagiar alguns dos seus trabalhos? Mais adiante darei o exemplo do império de P. K. Péladeau relacionado com este problema!

Como escriba colaborador do jornal LusoPresse, que comemora este ano o décimo quinto ano da sua existência como órgão de comunicação da imprensa escrita comunitária, também me interrogo sobre a revolução tecnológica da imprensa escrita. Portanto, valerá a pena escrever em papel jornal? E para quantos leitores se escreve? Sobretudo quando nos parece que são mais os leitores idosos que leem este jornal.

Apesar do jornal ser antes de tudo um jornal local comunitário de língua portuguesa, hoje, a galáxia de Guntenberg atinge um raio de ação lusófona (isto sem pretensões) onde, o jornal, pode ser lido na Web, e pode também chegar aos cinco continentes! Assim, a língua portuguesa marca presença com mais de 250 milhões de falantes de português no mundo, satisfazendo os que se dedicam apenas à leitura eletrónica. Deve dizer-se que o empurrão expansionista do jornal LusoPresse na Web, foi esforço do seu diretor Carlos de Jesus, e do seu fundador Norberto Aguiar. Abordemos então o cerne do assunto acima mencionado, tentando dentro das nossas possibilidades, deixar aqui algumas palavras sobre a comunicação social da nossa "paróquia". E porquê? Porque é no seu seio deste espaço limitado, que o nosso afeto funciona como motivação! Mas hoje em dia há por aí alguns "paroquianos" à solta "botando" palavra em órgãos de comunicação social comunitária, quando alguns não passam de pasquins, ocupando-se mais das intrigas, dos compadres, das comadres, e dos seus próprios interesses que do interesse público e comunitário. Isto para além do "plagiato", que de certa forma existe, sem que haja patavina de escrúpulos em plagiar outros jornais, sem dizerem em que rio foi pescada a informação, ou os textos que publicam!

Claro que isto é uma questão de ética profissional, e é um bocado complicado, porque há por aí menino que é pau para toda a colher, desde que daqui possam colher dividendos!

Saindo agora da crítica "borralheira", deve dizer-se que o "papyrus", ou o "rolo de papel", existe desde há cinco milénios como incentivo criativo que brotou lá para os lados da Babilónia. Um dos primeiros testemunhos legados, seria a bíblia, seguindo-se mais tarde a poesia! Atualmente, os jornais em papel em quase todo o mundo, vivem dias difíceis, fazendo frente à concorrência da internet; tanto a nível dos Média eletrónicos como jornal de papel.

Ora se os "guerreiros" dos conteúdos da imprensa escrita desaparecessem, adeus liberdade, e democracia, que vos não vejo. Isto mesmo se foi ultimamente a WikiLeaks que levantou a lebre dos 250 telegramas publicados. Mas quem deu o tiro mestre das referências secretas das embaixadas e dos corredores dos organismos internacionais? Foram evidentemente os órgãos da comunicação escrita tais como os jornais: Le Monde, Guardian, El Pais, Der Spigel, e New York Times. É evidente que depois foi a continuação da imprensa escrita e eletrónica que esfolou a lebre. Quanto ao plagiato da imprensa escrita, a moléstia não ataca somente pasquins locais e regionais. A praga atinge doutorados universitários, autores de livros, e o "império do Péladeau no Quebeque"? Quem nos dá conta da ramificação de plagiato no jornal de Montreal é Gil Courtemanche, do "Le Devoir". Este jornalista refere-se aqui a um "lock-out," à porta trancada do Jornal de Montreal mencionando a greve dos 250 jornalistas que perdura há dois anos.

Infelizmente, os fura greves são: "quinze quadros" do jornal, com olhos em cima da internet. No entanto, o jornalista solidariza-se com a causa, mesmo se eles conseguem publicar um seu catálogo não lhes sendo necessário sair da sua "fortaleza de bunker".

Trata-se "de um jornalismo virtual plagiado" por um parasitismo que vive à sombra da bananeira. Mas para Courtemanche, estes quadros "também precisam de viver".

Quem ousa denunciar estas situações senão este jornalista, empenhado em defender colegas de trabalho, e uma imprensa escrita com conteúdo de rigor, que não seja apenas "uma circular" de pasquins!

Um dia destes, o cronista John R.MacArthur, editor da revista americana Harper´s" na sua crónica semanal do "Le Devoir", dizia: "Um toque de teclado, e o seu blogue ilumina o planeta num mercado de ideias para a Igualdade, onde o consumidor é rei". Mesmo assim, não há certezas que o livro papel desaparecerá, como alguns profetas o anunciam!

Quem o afirmam são: J. C. Carrière, U. Éco, que escrevem: "Não esperem desembaraçarem-se do livro". Nós acrescentaríamos, mesmo se a "bíblia" de pedra foi substituída por pergaminhos manuscritos, e na Idade Média pela "imprensa de Gutenberg", não será a internet que eliminará o livro como símbolo da liberdade. Ainda segundo estes autores, "Gutenberg tão pouco acabou com o códice e com a roda". Um outro exemplo dado pelos mesmos autores, são os manuscritos encontrados há 50 anos em Qumrân, próximo do mar morto, documentos, cujo um deles é um manuscrito de papyrus (parece que o bom estado destes documentos deve-se às condições climáticas especiais que existem na região).

No que me diz respeito, aventuro-me a descrever uma experiência muito pessoal, dizendo que: a caneta que utilizo para os primeiros esboços do que aqui escrevo, antes de passar à tecla, tem para mim uma extensão cerebral que se distingue do objeto frio que penso ser a internet!

Ref.: jornal "Le Devoir" 6/12/2010, 24/12/2010.

Jean Claude Carrière, Umberto Éco, (Não Esperem Desembaraçarem-se dos Livros).

Editora Grasset, Setembro 2010.

O tempo no resto do mundo

Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
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