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rss  Vol. XV - Nº 238         Montreal, QC, Canadá - sábado, 04 de Abril de 2020
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A Quinzena em notícias

Por Carlos de Jesus

Domingo, 16 de janeiro

Portugal: Fazer face à crise

Segundo o Jornal de Negócios que cita a empresa internacional de consultadoria, Alma Consulting, as empresas portuguesas, nos últimos três anos, têm estado a reagir bem à crise, apostando mais na investigação e no desenvolvimento (I&D).

Esta aposta foi uma das formas encontradas para aumentar a competitividade e enfrentar a crise, segundo o "Barómetro do Financiamento da Inovação em Portugal", produzido pela Alma Consulting. "A aposta em I&D está também a gerar novos postos de trabalho em Portugal", segundo a mesma análise. 59% das empresas inquiridas admitiu que houve um aumento dos seus efetivos em I&D entre 2007 e 2009.

A título de curiosidade, colocamos um link relativo a uma estatística do Barómetro de Inovação que coloca Portugal no 29.º lugar (de entre 52 países) ao nível da inovação: http://www.barometro.cotec.pt/resources/layout/cotec/img/barometro/estatisticas/COTEC_Innovation_Digest_Dezembro_2010.pdf

Segunda-feira, 17 de janeiro

 

tunisia

Tunísia: Novo governo em causa

Pouco depois de ter anunciado a formação de um governo de união nacional, o primeiro-ministro tunisino, Mohammed Ghannouchi, garantiu a realização de eleições legislativas e presidenciais na Tunísia no prazo máximo de seis meses e prometeu a libertação dos presos políticos. "Todos os que estão presos ou detidos por causa das suas opiniões ou atividades políticas, serão libertados", sublinhou Ghannouchi.

No entanto, para Moncef Marzouki, líder do Congresso para a República, um partido de esquerda laico ilegalizado pelo antigo regime, a presença de ministros do partido da ditadura no governo faz de todo este processo uma farsa.

Segundo Jamel Ezzedini, correspondente da Euronews em Tunis, associações de direitos humanos acusam a falta de representação de todos os partidos: "Na Tunísia, um novo governo, tem de ser um governo de unidade nacional, mas alguns partidos não o integram. Alguns partidos e organizações de direitos humanos condenaram a presença de símbolos do regime anterior no novo governo. Na Tunísia, continua a controvérsia sobre a credibilidade deste governo e a participação do partido do antigo regime no novo executivo".

Terça-feira, 18 de janeiro

Iraque: Atentado faz meia centena de mortos

Pelo menos 50 pessoas morreram e perto de duas centenas ficaram feridas num atentado suicida, hoje, em Tikrit, no Iraque.

O ataque foi dirigido a um centro de recrutamento da polícia da cidade.

Segundo o porta-voz das forças de segurança de Tikrit, estariam mais de 300 jovens em frente daquele estabelecimento para se inscreverem.

A violência nesta cidade, berço do antigo ditador Saddam Hussein diminuiu bastante após o período crítico de 2006-2007.

Quarta-feira, 19 de janeiro

Estados Unidos - China: Jantar à porta fechada

 

michele hu jintao e barack obama

Hu Jintao e Barack Obama já se encontraram, na Casa Branca. Um jantar à porta fechada deu início à visita de quatro dias que o presidente chinês iniciou esta terça-feira aos Estados Unidos. Os dois líderes vão discutir assuntos como relações comerciais e direitos humanos na China.

Em frente à Casa Branca centenas de pessoas marcharam, em protesto, contra a ocupação chinesa do Tibete. Gritando palavras de ordem, os manifestantes exigiram a libertação do território.

Esta quarta-feira o jantar de Estado marcará o momento alto da visita. Jintao irá ainda encontrar-se com empresários e congressistas antes de partir para Chicago, na quinta-feira.

Quinta-feira, 20 de janeiro

Quebeque: 72 por cento dos quebequenses não acreditam em Jean Charest

A Comissão Bastarache acaba de dar a lume as suas conclusões quanto ao seu mandato ou seja o de saber se 

charest bellemare

houve ou não colisão no processo de nomeação dos juízes do foro provincial. Esta comissão tinha sido nomeada por Jean Charest, primeiro-ministro do Quebeque, para esclarecer as acusações do seu antigo ministro da Justiça, Marc Bellemare, o qual tinha acusado publicamente certos angariadores de fundos do Partido Liberal do Quebeque (no poder) de o terem constrangido a fazer um certo número de nomeações, sob o beneplácito do líder liberal.

A acusação era de tal modo enorme que Jean Charest não só intentou uma ação judicial contra o ex-ministro Bellemare, como também nomeou o Juiz Bastarache de presidir a uma comissão de inquérito sobre a matéria. Depois de quase um ano de trabalho, e vários milhões gastos com os quesitos, o Juiz Bastarache não chegou a nenhuma conclusão decisiva, mas lavou Jean Charest das principais acusações de indevida influência no processo da nomeação dos juízes. Infelizmente, para o primeiro-ministro quebequense, a grande maioria da população não aceitou o veredicto daquele magistrado como revelam os resultados duma sondagem publicados agora no jornal La Presse, dos quais ressalta que 72% dos sondados acredita mais na versão de Marc Bellemare que na versão de Jean Charest.

Sexta-feira, 21 de janeiro

Vaticano: Escândalo sexual de Berlusconi

 

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O Vaticano "segue com preocupação" o último escândalo de índole sexual de Silvio Berlusconi. A Santa Sé "convida os que têm cargos políticos, administrativos ou judiciais a assumirem uma maior moralidade". A declaração foi feita pelo secretário de estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone. "A Santa Sé segue com atenção e, sobretudo, com preocupação estes eventos, que alimentam a sensibilização para uma grande responsabilidade diante das famílias, das novas gerações e da necessidade de bons exemplos", disse o número dois do Vaticano.

Silvio Berlusconi, 75 anos, é investigado por alegada incitação à prostituição de menores e abuso de poder no caso Ruby, a jovem que participou em festas privadas do primeiro-ministro italiano quando era menor. Caso para se dizer, quanto mais velho, mais burro.

Sábado, 22 de janeiro

Argélia: Imitar a Tunísia

Os argelinos contestam o regime do presidente Bouteflika e procuram uma revolução à maneira tunisina. A polícia dispersou com violência uma manifestação pró-democracia não autorizada em Argel e prendeu vários manifestantes. Entre os detidos estão membros do principal partido da oposição que organizaram o protesto com a participação de várias centenas de pessoas.

O líder do movimento Marchar pela Cultura e Democracia (RCD), Said Sadi encontra-se na cabeça dos protestos. As manifestações públicas estão banidas na Argélia desde a imposição de um estado de emergência em 1992, mas os argelinos mostram-se agora encorajados pelo movimento de mudança na Tunísia.

Domingo, 23 de janeiro

Portugal: Cavaco Silva re-eleito

 

cavaco reeleito

Os portugueses foram às urnas neste domingo para reeleger o presidente em exercício, Cavaco Silva. Depois de divulgados os resultados, o candidato reeleito prometeu exercer uma "magistratura ativa, cooperando lealmente com todos os órgãos de soberania para a defesa dos grandes objetivos estratégicos nacionais".

As palavras de Cavaco Silva foram proferidas no Centro Cultural de Belém, local onde se dirigiu aos apoiantes e comunicação social. Durante o discurso, o chefe de Estado desafiou a comunicação social a revelar os "nomes daqueles que estão por detrás" do que afirma tratar-se "uma campanha de calúnias, mentiras e insinuações" contra a sua pessoa proferidas durante a corrida eleitoral.

Entre as suas prioridades, Cavaco Silva apontou a luta contra o desemprego, a contenção do endividamento externo e o aumento da competitividade da economia portuguesa.

O facto de alcançar 52,9% das preferências estabelece Cavaco Silva como um dos políticos mais consensuais na paisagem política portuguesa pós 25 de Abril. Este resultado revela igualmente o desejo generalizado dos portugueses de estabilidade. Portugal enfrenta uma crise económica e financeira aguda e Cavaco Silva terá certamente uma palavra a dizer relativamente ao futuro.

Segunda-feira, 24 de janeiro

Rússia: Atentado em Moscovo

 

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O Presidente russo, Dimitri Medvedev, afirmou que os responsáveis pelo atentado de Moscovo vão ser capturados e punidos, depois de uma reunião de emergência no Kremlin, com vários ministros, e confirmou ainda que a explosão no Aeroporto de Domodedovo é de origem terrorista.

Depois do atentado que custou a vida a 35 pessoas e não foi reivindicado, a polícia segue neste momento a pista de um russo que, segundo o diário Kommersant, se teria convertido ao islamismo wahabita quando estudava na região de Stavropol, nos contrafortes do Cáucaso.

O responsável da conversão fora um iman russo, Anton Stepanenko, que já antes vira discípulos seus envolvidos num outro atentado de rebeldes caucasianos, com um saldo de dezenas de mortos, em outubro de 2005, contra a cidade caucasiana de Naltchik.

Terça-feira, 25 de janeiro

Portugal: Novo acordo ortográphico

 

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Saiu no "Diário da República", de hoje, a Resolução do Conselho de Ministros que determina a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa no sistema educativo no ano letivo de 2011-2012. A partir de 1 de janeiro de 2012 o acordo será obrigatório em todos os serviços governamentais.

As mudanças até caírem no uso comum, levam no entanto mais tempo. Lembro-me que o meu pai sempre escreveu "Cintra" e "assúcar" como tinha aprendido na escola, antes da reforma ortográfica de 1911. Lembremo-nos que até o nosso grande Fernando Pessoa gostava de manter a grafia de "pharmácia" e "assumpto" mesmo depois de tais grafias já terem caído em desuso.

Há tradições que são difíceis a desenraizar. No Brasil ainda se mantém o trema que já foi abolido em Portugal há mais de sessenta anos. E Portugal ainda mantém as consoantes mudas que já foram abolidas no Brasil há quase setenta anos!

Quarta-feira, 26 de janeiro

Holy Wood: Filme quebequense escolhido como finalista

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O excelente filme "Incendies" do jovem realizador quebequense Denis Villeneuve, cuja ação se passa, no princípio e no final em Montreal, e a maior parte do tempo num país não identificado, mas que todos reconhecem ser o Líbano, foi escolhido pelo júri da seleção para os Óscares deste ano dedicados a recompensar a filmografia estrangeira. O único filme canadiano nesta categoria foi também dado a outro filme dum realizador quebequense, Denis Arcand, em 2003 com a sua longa-metragem "Les Invasions Barbares".




Quinta-feira, 27 de janeiro

Egito: O contágio tunisino

 

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Depois dos tunisinos, é a vez dos egípcios usarem a internet como ferramenta da mobilização popular. Os manifestantes utilizam o Facebook e o Twitter como o ponto de encontro virtual para convocar protestos bem reais e divulgar informação sem censura. Mas o acesso à internet tem sido dificultado.

O ativismo das redes sociais acelerou a queda de Zine Al-Abidine Ben Ali, na Tunísia, a 14 de janeiro. O coletivo de piratas informáticos, Anonymous, ameaça atacar os "sites" do governo egípcio se este bloquear o acesso à internet.

Ontem, quarta-feira, o Twitter confirmou ter sido bloqueado pelo segundo dia consecutivo. Os manifestantes recorreram ao Facebook, que comunicou não ter constatado grandes mudanças no tráfego.

 

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Montreal: Vigarista posto em liberdade

Vicent Lacroix, o vigarista que fraudou 113 milhões dos bolsos de pequenos investidores, foi libertado hoje, depois de ter cumprido apenas um sexto da sentença que lhe tinha sido imposta pelo tribunal. Esta medida administrativa, ditada pelo governo federal, deixou muita gente revoltada e espera-se que em breve seja revista a lei das libertações condicionais que admite um escândalo como este.






Sexta-feira, 28 de janeiro

Canadá: Família do ex-ditador tunisino em Montreal

O governo federal, pela voz do seu ministro dos negócios estrangeiros, Lawrence Cannon, deu a conhecer que o Primeiro Ministro Harper deseja que Belhassen Trebelsi, cunhado do ex-ditador tunisino, Zine El-Abidine Ben Ali, que se encontra refugiado em Montreal, seja expatriado, por ser pessoa não grata neste país.

Entretanto o governo federal já tinha anunciado a sua intenção de gelar os haveres do ditador e da sua família próxima.

Felizmente que o mundo de hoje é cada vez menos simpatizante para com os ditadores.

Sábado, 29 de janeiro

Egito: Mubarak renova governo

A cidade do Cairo acordou esta manhã num cenário de guerrilha e com a sede do partido do governo a arder. Num total desafio à autoridade de Hosni Mubarak milhares de manifestantes passaram a noite nas ruas da capital e de outras cidades egípcias, queimando edifícios ligados ao Governo e ao Partido Nacional Democrático, no poder.

Foi já a meio da noite que o Presidente, Hosni Mubarak, se dirigiu ao país pela primeira vez, desde o início dos protestos, na terça-feira. O presidente egípcio lamentou as vítimas de ambos os lados, afirmou que existe uma "linha ténue entre o caos e a liberdade", mas que a mudança só pode ser conseguida através do diálogo.

Depois fez promessas para combater o desemprego e acabou por anunciar que demitiu o Governo e que hoje nomeará um novo Executivo. Mubarak, de 82 anos, está no poder há 29 anos e recusa abandonar o cargo apesar da vaga de contestação que invadiu o país. Este sábado foi reposto o serviço de telecomunicações cortado pelo governo logo no início dos protestos.

Domingo, 30 de janeiro

Sudão: Independentistas do Sul ganham referendo

 

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Quase 99% dos sudaneses do sul votaram a favor da independência do Sudão do Sul no referendo de secessão realizado entre os dias 9 e 15 deste mês. O presidente da comissão eleitoral anunciou os resultados depois de apuradas 100% das urnas do Norte e do Sul do país.

Um total de 3,9 milhões de sudaneses do sul foram convocados a votar. Este escrutínio é resultado do acordo de paz assinado em 2005 entre o norte e o sul do país, que pôs fim a duas décadas de uma guerra que causou cerca de dois milhões de mortos.

Se tudo correr como o previsto, no final de julho vencerá o período transitório fixado no acordo e terá início o nascimento de uma nação, a primeira deste século.

Segunda-feira, 31 de Janeiro

Egito: Exército promete não disparar

 

egipto exercito

O exército não vai disparar sobre as populações e as exigências do povo egípcio são legítimas. Com estas declarações os militares egípcios demarcam-se de Mubarak e isolam mais o presidente.

A declaração do porta-voz do exército, Ismail Etman, na televisão pública do Egito, é um acontecimento sem precedentes: "Porque as forças armadas reconhecem a legitimidade das vossas exigências e estão preocupadas com a vossa segurança, gostaria de enfatizar o seguinte: o direito ao protesto pacífico está garantido para toda a gente", afirmou.

Os militares pedem, no entanto, aos populares que evitem atos de sabotagem, ou destruição de propriedade privada ou pública para que a situação não degenere em violência.

A atitude das forças da ordem nem sempre foi tão pacífica. Os confrontos das duas últimas semanas provocaram 140 mortos no Egito.

O tempo no resto do mundo

Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020