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rss  Vol. XV - Nº 237         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 01 de Março de 2021
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Paula de Vasconcelos

«Grâce à Dieu, Ton Corps»

Inês Faro

Por Inês Faro

A uma semana da estreia de mais uma peça-bailado da companhia Pigeons International, pedimos a Paula de Vasconcelos que partilhasse com os nossos leitores o que podem encontrar em «Grâce à Dieu, Ton Corps», a sua mais recente criação.

"É uma homenagem ao corpo humano", diz a coreógrafa. "Os nossos espetáculos são todos uma homenagem ao corpo, mas quisemos ir ao essencial da temática, olhar com um olhar mais puro, mais sereno", explica Paula de Vasconcelos.

 

paula de vasconcelos
Estamos a tocar a dimensão espiritual, o corpo desaparece e o espírito fica", diz Paula de Vasconcelos.

Uma homenagem ao corpo que tem como pano de fundo a relação amorosa entre um homem e uma mulher. «Grâce à Dieu, Ton Corps» é uma reflexão não só sobre o masculino versus feminino [o ying e o yang na filosofia oriental], mas sobretudo sobre o corpo, perecível versus o espírito, eterno.

"O corpo é só um espaço temporário, o espírito transcende o corpo. Estamos a tocar a dimensão espiritual, o corpo desaparece e o espírito fica", diz Paula de Vasconcelos. "Essa a essência da vida, da natureza, tudo tem o seu contrário. Os opostos masculino/feminino, negativo/positivo, isso é que é a vida! É impossível falar do corpo humano e não falar destes contrários", acrescenta.

A nova criação de Pigeons International conta também com um elemento novo: marionetas. "É uma maneira de nos vermos a nós próprios. As marionetas são de madeira, imperfeitas, não podem fazer tudo, e ao mesmo tempo podem fazer coisas mágicas, coisas que o ser humano não pode fazer", conta Paula de Vasconcelos.

"Nas marionetas vemos a humanidade: as suas potencialidades e limites. Como se fossem uma pintura viva e estão lá para pensarmos na nossa própria condição", explica a coreógrafa luso-descendente.

Também a exploração da temática Alteridade, que é já uma marca dos trabalhos de Paula de Vasconcelos, é incarnada no estrangeiro, o Outro, a pessoa que aparece sem ser convidada. Um reflexo do percurso de uma filha de imigrantes e do mundo em que Paula de Vasconcelos aprendeu a conviver com uma nova cultura.

Com «Grâce à Dieu, Ton Corps», a coreógrafa revelou ter sentido mais liberdade criativa. "Dei muito espaço para os atores improvisarem, foi um processo muito intuitivo, feito por e para os artistas em cena", conta Paula de Vasconcelos.

Pela terceira vez consecutiva estará em palco Natalie Zoey Gauld. "Tem uma voz interior que transparece quando ela está a bailar. Os seus movimentos contam uma história", diz Paula de Vasconcelos.

«Grâce à Dieu, Ton Corps» vai estar em palco de 1 a 19 de Fevereiro às 20h, na Cinquième salle da Place des Arts. (Ver mais na página 7)

Mais informações em:

www.pigeonsinternational.com

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