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rss  Vol. XV - Nº 237         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 01 de Março de 2021
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A Quinzena em notícias

Por Carlos de Jesus

Sábado, 1 de janeiro

Brasil: Dilma Roussef toma posse

 

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Um abraço emocionado selou a passagem de testemunho. Lula da Silva entregou a faixa presidencial a Dilma Roussef, no Palácio do Planalto, em Brasília. Uma cerimónia presenciada por mais de 30 mil pessoas, que não se importaram com a chuva. A protegida de Lula disse estar muito emocionada com o término do mandato do maior líder que o Brasil já teve.

Nos primeiros discursos como presidente, Dilma prometeu "honrar as mulheres": "Eu estou feliz como raras vezes estive na minha vida, pela oportunidade que a História me deu de ser a primeira mulher a governar o Brasil".

Dilma Rousseff prometeu também que "a luta mais teimosa" do Governo será a erradicação da pobreza.

União Europeia: Os problemas da nova presidência

Novo ano, vida nova para a Hungria que assume, neste primeiro semestre, a presidência rotativa da União Europeia. No centro das preocupações está a crise da zona Euro, embora, por ironia, a Hungria ainda não tenha adotado a moeda única, que está prevista para 2019.

Na agenda, dois temas que prometem polémica. Primeiro, as negociações do orçamento plurianual da União, com esperadas dificuldades, sobretudo, levantadas pelo Reino Unido.

Segundo, a integração dos ciganos, onde a Hungria é parte interessada.

Mas há mais. Budapeste vai organizar, em Maio, a cimeira da Parceria Reforçada a Leste, com seis antigas repúblicas soviéticas - Moldávia, Ucrânia, Azerbeijão, Arménia, Geórgia e Bielorrússia.

Finalmente, a recusa da França e da Alemanha de estender o espaço Schengen à Roménia e à Bulgária pode agitar a presidência. Budapeste apoia os dois estados excluídos.

Domingo, 2 de janeiro

Austrália: Inundações

Na Austrália, as piores inundações em 50 anos já provocaram duas vítimas mortais, e isolaram mais de 200 mil pessoas em 22 cidades. A Força Aérea australiana está a transportar víveres e bens de primeira necessidade para as zonas afetadas do nordeste do país.

As inundações, que cobrem uma região de Queensland que é maior que a França e Alemanha reunidas, estão a afetar duramente a economia local e as autoridades já estimam uma fatura de quase mil milhões de dólares canadianos.

Segundo as previsões, a catástrofe está longe de ter terminado e em certas regiões o nível das águas continua a subir. Previsões apontam que no sul do estado de Queensland a cota de alguns cursos de água poderá atingir os 13 metros.

Segunda-feira, 3 de janeiro

Cristãos: Ataques dos muçulmanos

 

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Confronto entre muçulmanos e cristãos deixa centenas de mortos na Nigéria

As minorias cristãs estão ameaçadas no mundo muçulmano. O êxodo intensifica-se e as igrejas ficam vazias.

No Iraque, eram originalmente um milhão mas, com a guerra, há 10 anos, diminuíram para 200 mil. No fim da guerra, o número desceu para metade.

Um fenómeno de diáspora para o Ocidente que já foi suficiente para disparar o alerta: o Vaticano convocou, em outubro, um Sínodo consagrado ao futuro dos cristãos, que reuniu patriarcas, bispos, padres e especialistas em religião. A conclusão foi alarmista e dela saiu um apelo às Nações Unidas. Milhões de cristãos do Oriente vivem agora nos arredores das grandes metrópoles da Europa e da América do norte.

Ainda há cerca de 15 milhões de cristãos no Médio Oriente e no Magrebe e a situação, nos últimos anos, não cessou de se degradar. Os cristãos coptas constituem o maior número desta comunidade que vive, principalmente, no Egito: seis milhões, quase todos ortodoxos. O atentado de sexta-feira contra esta minoria no Egito não foi o primeiro.

Antes, em janeiro de 2010, tinha explodido uma bomba numa zona cristã. O atentado no Egito aconteceu durante uma vaga de ataques contra os cristãos do Iraque. No dia 31 de dezembro, uma bomba explodiu em frente de uma residência, matando duas pessoas. No último dia de outubro, um comando da Al Queda tomou de assalto a Catedral de Bagdad e massacrou 52 fiéis que assistiam à missa.

Terça-feira, 4 de janeiro

Otava: Remodelação ministerial

 

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Sephen Harper, em Mirabel

O primeiro-ministro canadiano, Stephen Harper, anunciou uma pequena remodelação do seu gabinete, na sequência do resultado das últimas eleições parcelares que elegeram o antigo chefe de polícia de Toronto, Vaughan Julian Fantino o qual se vê assim recompensado com uma pasta ministerial, Ministro de Estado para os Idosos. Esta pasta estava a cargo de Diane Ablonczy que, por sua vez, assumiu a responsabilidade de Ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros.

Entre as outras mudanças, verifica-se a passagem de Peter Kent, antigo animador de televisão, para o Ministério do Meio Ambiente, assim como a promoção de Ted Menzies, que passa de Secretário de Estado das Finanças para Ministro das Finanças.

Quarta-feira, 5 de janeiro

Montreal: O salão funerário dos Rizzuto incendiado

Uma série de incidentes violentos continua a abater-se sobre o clã Rizzuto. Desta vez foi o incêndio do complexo funerário Loreto, em São Leonardo, que é propriedade de membros da família Rizzuto, e de Renda Paolo, presumivelmente raptado em maio passado. O local é administrado pela filha e enteada do patriarca Nicolo Rizzuto, que foi assassinado em novembro passado por um atirador emboscado nas traseiras da residência da vítima.

Quinta-feira, 6 de janeiro

Internacional: Otava impõe-se contra Gbagbo

 

gbagbo

O presidente da Costa do Marfim, que não é reconhecido pela ONU, retirou as credenciais aos embaixadores britânico e canadiano. Mas Londres e Otava não consideram a decisão de Laurent Gbagbo legítima e por isso mantêm os seus representantes. Entretanto, os Estados Unidos proibiram os seus cidadãos de negociarem com Gbagbo e anunciaram a apreensão dos seus bens no país.

O chefe de Estado reconhecido pela comunidade internacional permanece entrincheirado num hotel de Abidjan e reclama por uma intervenção militar. Alassane Ouattara argumenta que "se os países da CEDEAO enviarem um comando de forças especiais" capturar o seu rival, "não haverá muitos estragos" nem guerra civil. Mas ao mesmo tempo Ouattara afirma que se Gbagbo abandonar o poder lhe garante "segurança e numerosas vantagens", embora não tenha explicado quais. Por enquanto é Ouattara quem precisa da proteção da ONU.

Sexta-feira, 7 de janeiro

Tunísia: Governo prende bloguers

Um bloguer tunisino considerou esta sexta-feira, como uma pedra negra, na história da Internet. O governo lançou uma guerra contra os blogues, essenciais na mobilização dos protestos, das três últimas semanas.

Cinco bloguers foram presos, desconhecendo-se o seu paradeiro, uma informação já confirmada pelos "Repórteres sem Fronteiras". Dois dos presos, Slim Amamou e Azyz Ammami, responsáveis pelo blogue, "Revolução Tunisina".

Os protestos subiram de tom na quarta-feira, quando foi conhecida a morte de Mohamed Bouazizi, um licenciado de 24 anos. Desempregado, abriu um quiosque de produtos agrícolas que a polícia encerrou. Em protesto, deitou fogo ao próprio corpo a 17 de dezembro, acabando agora por morrer. Os advogados aderiram à greve, tal como os estudantes de Sidi Bouzid.

Sábado, 8 de janeiro

Tucson: Atirador visa congressista

Seis mortos e 13 feridos é o balanço do tiroteio nos Estados Unidos. De acordo com a polícia, trata-se de um crime político. O atirador foi detido mas um segundo homem é procurado. Entre as vítimas mortais conta-se um juiz federal e uma menina de 9 anos.

tucson atirador visa congressista

A congressista Gabrielle Giffords foi alvejada na cabeça mas os médicos estão otimistas quanto à sua recuperação, pelo menos em termos vitais. Giffords, representante democrata pela 8ª circunscrição do Arizona, encontrava-se numa reunião pública em frente a um supermercado de Tucson quando um homem de 22 anos começou a disparar.

A congressista democrata tinha já recebido várias ameaças e essa é uma das razões que leva as autoridades a acreditar que Giffords era o alvo do atirador. O Arizona foi palco de azedas discussões políticas nos últimos meses em torno de dossiês como a imigração ou a saúde.

Domingo, 9 de janeiro

Sudão: Referendo secessionista

Quatro milhões de sudaneses começaram a votar, este domingo, num referendo que vai decidir se o Sudão se divide em dois, ou se se mantém, como o país mais extenso de África.

Este referendo tem sido frequentemente reclamado, nos últimos 50 anos e sucessivamente tem sido travado por uma guerra civil que já fez mais de dois milhões de mortos.

Os correspondentes presentes no norte do país, de maioria muçulmana, dizem que as assembleias de voto estão praticamente desertas. No sul, de maioria cristã e animista, é a euforia. O líder do Sul, Silava Kir também exerceu o seu direito, repetindo apelos à paz e pedindo a proteção para os cidadãos cristãos.

A vitória da independência poderá privar o Norte do petróleo em abundância no Sul. Precisamente os cristãos manifestam-se em nome do nascimento de um novo estado com outra identidade religiosa.

Segunda-feira, 10 de janeiro

Espanha: ETA quer a paz

Um cessar-fogo permanente geral e verificável internacionalmente, este é o último anúncio da ETA. A organização separatista basca publicou um comunicado no jornal oficial da Gara onde apresenta este anúncio como "um compromisso firme" para um processo de solução do conflito com um ponto final no confronto armado.

Autodenomina "organização socialista revolucionária basca de libertação nacional", o grupo diz-se de acordo com "a necessidade de dar uma solução justa e democrática ao conflito político". Mas em Espanha já ninguém acredita nas palavras do grupo terrorista: "Era bom se fosse verdade. O problema é que não acreditamos na ETA. Não temos nenhuma confiança", diz um cidadão.

A última trégua do grupo foi declarada em 2006 e quebrada meses depois, com o atentado que matou duas pessoas em dezembro no Terminal 4 do Aeroporto Internacional de Barajas, em Madrid.

Responsável pela morte de 829 pessoas em mais de quatro décadas de luta armada, em nome da independência basca, a ETA está há vários meses sob pressão do seu braço político ilegalizado, o Batasuna, para anunciar um cessar-fogo que possa de facto cumprir definitivamente.

Terça-feira, 11 de janeiro

Haiti: Dor e revolta no primeiro aniversário do sismo

No domingo, começaram no Haiti as cerimónias que assinalam a passagem do primeiro aniversário do terramoto que devastou o país e, sobretudo, a capital, Port-au-Prince.

Volvido um ano, a incerteza continua a marcar o futuro imediato do Haiti. Mais de um milhão de haitianos continua sem alojamento, vivendo em campos improvisados, em condições miseráveis e sem qualquer tipo de segurança.

Em vésperas de se assinalar o primeiro aniversário da catástrofe, as condições desumanas, a destruição e o caos continuam a marcar o dia-a-dia em Port-au-Prince e no sul do país. Um sobrevivente recorda, por exemplo, num prédio, onde viviam 16 pessoas, só foram resgatadas duas, uma delas com vida. Todos os outros corpos continuam entre os escombros.

E nada parece indicar que esta situação venha a mudar nos próximos tempos. O país está mergulhado numa grave crise política desde as eleições presidenciais e legislativas de novembro.

Quarta-feira, 12 de janeiro

Portugal: A aldeia do Cavaquistão

Na Aldeia da Coelha, Cavaco Silva tem por vizinhos Oliveira e Costa e Fernando Fantasia, homens-fortes do BPN. Um loteamento que nasceu à sombra de muitas empresas e off-shores. A escritura do lote do Presidente da República não se encontra no Registo Predial de Albufeira. O próprio não se recorda em que cartório a assinou. Um dos promotores da urbanização, velho amigo e colaborador de Cavaco, diz que a propriedade foi adquirida "através de uma permuta com um construtor civil". O Presidente da República recusou responder à revista Visão que divulgou estes factos no seu último número.

O mesmo esquema dos presidentes das Câmaras do Quebeque, mas em Portugal vai ao nível presidencial!

Quinta-feira, 13 de janeiro

Montreal: Nova Ponte Champlain

Em setembro do ano passado o ministério dos transportes do Governo Federal encomendou um estudo para examinar a situação atual da Ponte Champlainque está em muito mau estado devido à corrosão.

A comissão encarregada deste estudo acaba de divulgar as suas conclusões. Em vez de se proceder às reparações necessárias será mais eficaz e menos dispendioso, a longo prazo, que o governo federal mande construir uma nova ponte, paralela à atual, cujo custo se deve cifrar entre mil e quinhentos de dois mil milhões de dólares. A nova ponte deve contar com oito faixas de rodagem em vez das seis atuais que são já insuficientes para o tráfego atual.

Sexta-feira, 14 de janeiro

Portugal: Na berlinda...

Portugal tem sido muito noticiado esta semana, em foco as preocupações sobre o colapso potencial da zona euro. Todos os olhos estiveram voltados para a venda dos títulos do governo de Lisboa que, no caso ter falhado, poderia ter levado à necessidade de um resgate por parte dos outros parceiros europeus, como aconteceu com a Grécia e com a Irlanda. Mas os títulos de cinco e 10 anos foram, no final, todos vendidos, aliviando assim preocupações sobre problemas da Europa.

Sábado, 15 de janeiro

Rio: A maior tragédia climática do Brasil

 

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O número de mortes causadas pelas chuvas na Região Serrana do Rio de Janeiro subiu para 555, na manhã deste sábado, de acordo com o balanço divulgado pela Defesa Civil e prefeituras dos municípios atingidos pelo temporal. Em Nova Friburgo, são 252 óbitos confirmados pelo coronel Roberto Robadey, coordenador da Defesa Civil. Teresópolis tem 240 mortos, segundo a prefeitura. Petrópolis regista 43 mortes, conforme a assessoria de imprensa da prefeitura, e São José do Vale do Rio Preto tem dois óbitos. Já em Sumidouro, o prefeito Joarez Corguinha corrigiu o número de mortos divulgado na sexta-feira, quando tinha sido divulgado 20 para 18 mortes.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio, Petrópolis tem 3.600 desalojados e 2.800 desabrigados. Em Teresópolis são 960 desalojados e 1.280 desabrigados. Friburgo tem 3.200 desalojados e 1.970 desabrigados. Já em São José do Vale do Rio Preto, a previsão do Degedec (Departamento Geral de Defesa Civil Estadual) é que sejam três mil de desalojados e 300 desabrigados.

Esta já é considerada a maior tragédia climática da história do Brasil. O número de óbitos já ultrapassou o registado em 1967, na cidade de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, onde 436 pessoas morreram. O governador Sérgio Cabral decretou luto oficial no Estado por sete dias.

Os moradores das áreas castigadas pelas tempestades tentam retomar a vida normal, mas enfrentam ainda problemas causados pela lama e pela falta de energia nalguns bairros. Há também quem se queixe que não consegue comprar alimentos nem água potável visto os comércios também estarem com dificuldades de aprovisionamento.

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Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
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