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rss  Vol. XV - Nº 235         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 06 de Julho de 2020
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Portuguesa desenvolve projeto para incluir comunidade lusa na história da Califórnia

Macau, China - A investigadora portuguesa Deolinda Adão está a desenvolver um projeto de história oral na Universidade da Califórnia com o objetivo de vir a conseguir a inclusão do papel da comunidade lusa na história daquele estado norte-americano.

 deolinda adao  universidade california

"Em Berkeley temos um projeto de história oral portuguesa, no âmbito do qual recolhemos e arquivamos história oral de membros da comunidade portuguesa com o objetivo de inserir a sua história na história do próprio estado da Califórnia", disse Deolinda Adão aos jornalistas em Macau.

À margem de uma conferência em que participou sobre o patuá, o crioulo português de Macau, no Instituto Politécnico do território, a investigadora realçou o facto de a "maior parte das pessoas não ter a noção de que os portugueses estão na Califórnia antes mesmo de a Califórnia ser um estado".

"Na quarta classe quando se leciona história da Califórnia não há qualquer menção aos portugueses e a biblioteca de Bancroft, na Universidade da Califórnia, que tem a maior coleção de história do estado que existe no mundo, não tinha praticamente nada sobre os portugueses", lamentou ao realçar que está a "trabalhar fortemente" para inverter a situação.

Deolinda Adão conseguiu o apoio do diretor da biblioteca de Bancroft para avançar com o projeto, que abrange os emigrantes portugueses e os seus descendentes na região da baía de São Francisco, onde se reúne a maior comunidade luso-descendente da Califórnia.

"Como também temos (a Califórnia) a maior comunidade macaense fora de Macau, muitos deles falantes de patuá, decidimos criar um projeto paralelo (sobre a memória macaense), em que já entrevistámos cerca de 30 pessoas e temos quase 100 em processo", explicou.

Deolinda Adão e um outro investigador norte-americano da Universidade da Califórnia têm recolhido nos últimos quatro anos depoimentos orais de luso-descendentes sobre o seu percurso de vida e diversos materiais como cartas e álbuns das famílias que são depois digitalizados e arquivados na biblioteca de Bancroft.

"Tentamos construir a história do que foi a realidade da comunidade macaense em Macau e em cada local para onde se expandiu, como contribuiu para a história de cada um desses espaços e percurso particular de cada um dos seus membros e, simultaneamente, uma recolha linguística do patuá", disse.

A investigadora portuguesa pretende ainda que o seu projeto possa servir de padrão a outros que possam surgir noutros locais com comunidades macaenses e que venham a estar ligados em rede.

"Há uma grande urgência neste projeto da memória macaense, porque as pessoas envelhecem e levam a memória com elas", sustentou ao referir que os "portugueses estiveram 450 anos em Macau e se não se preservar a memória destas pessoas são 450 anos de história que desaparecem".

"Devemos aprender com o exemplo da Índia, onde a presença dos portugueses está resumida a um monte de pedras que dentro de 10 ou 15 anos vão desaparecer", alertou.

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