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rss  Vol. XV - Nº 235         Montreal, QC, Canadá - segunda-feira, 06 de Julho de 2020
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LusoPresse no congresso da FPJQ

Norberto Aguiar: «Deem mais importância aos médias étnicos!»

Jules Nadeau

Convidado pela Federação Profissional dos Jornalistas do Quebeque (FPJQ) a falar no seu 10º Congresso anual, o chefe de redação do LusoPresse sugeriu aos Média nacionais que «dessem mais importância aos médias das comunidades culturais». Norberto Aguiar foi um dos quatro conferencistas a participar num painel intitulado «Os médias étnicos, tão próximos e tão longe», sinal de que a FPJQ tenta abrir-se (com atraso) à diversidade.

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Norberto Aguiar, na extrema direita, chefe de redação do LusoPresse sugeriu aos Média nacionais que «dessem mais importância aos médias das comunidades culturais»
Foto: Jules Nadeau, LusoPresse

Baseando-se nos seus 32 anos de jornalismo na comunidade, inicialmente no A Voz de Portugal, e depois no LusoPresse, Norberto Aguiar começou por apresentar a ficha técnica do seu bimensal. LusoPresse, um jornal de proximidade, insistindo sobre a cobertura local dos acontecimentos. De jornalistas sobre o terreno. A missão de defender a cultura e as tradições portuguesas. Um jornal não em francês nem em inglês, mas em português, para defender a quinta língua mais falada no mundo.

Norberto Aguiar insistiu sobra a necessidade de haver um jornal deste tipo, concentrado sobre uma comunidade em particular, que cobre o que os grandes Média descuram. «Se eles relatassem o que se passa aqui, estava pronto a acabar com esta publicação». A comunidade de 80 000 pessoas, que é maioritariamente francófona e bem integrada, devia, por isso mesmo, fazer mais parte da paisagem mediática quebequense. «Não somos um jornal de gueto!».

 

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Laura-Julie Perrault, do jornal La Presse, quando intervinha no atelier dedicado aos média étnicos.
Foto: Jules Nadeu, LusoPresse

Falando dum setor que conhece bem, o fervente amador de desporto censurou amavelmente Radio-Canada de ignorar por muito tempo o futebol no Quebeque - desporto só de imigrantes - e depois de ir buscar um comentador desportivo québécois puré laine a Quebeque para as suas emissões. «Nós temos peritos!». Doutra vez, foi um desportista de origem italiana que foi convidado para falar da equipa do Brasil.

Como outra razão de queixa, o representante do LusoPresse deplorou o facto de sociedades como Bell e Hydro-Québec que dão publicidade aos jornais das regiões e aos dos bairros, não darem ao seu jornal sob o pretexto que os leitores de origem portuguesa podem receber os anúncios publicitários nos grandes jornais.

A animadora do atelier, pessoa de longa experiência, Martine Lanctôt, atualmente «Diretora das queixas» na Radio-Canada, acolheu bem a ideia do Norberto Aguiar de incluir um representante dos Média étnicos na direção da Federação dos jornalistas. Ele há já um representante dos Média regionais, mas ninguém das comunidades, foi notado no congresso.

Dois dos outros três conferencistas eram de origem haitiana. O Sr. Donald Jean, fundador da agência de notícias Média Mosaïque (2006), cujos relatórios se podem ler regularmente em www.mediamosaique.com. Por sua vez, o Sr. Jean-Ernest Pierre explicou o trabalho da estação de rádio CPAM (www.cpam1610.com). O último especialista convidado era o Sr. Abdelghani Dades, de origem marroquina, editor e chefe de redação de Atlasmédias (www.atlasmedias.com). Nas suas exposições, os quatro conferencistas exprimiram opiniões semelhantes sobre a necessidade de melhor fazer participar os seus Média na colheita e difusão de informação daqui.

O atelier atraiu vários jornalistas apesar da competição, ao mesmo tempo, dum atelier de atualidade sobre «L'Éléphant dans la pièce», o império Quebecor, evocando o conflito do Journal de Montréal. É o que fez notar Hélène Parent. A «Diretora da diversidade nas antenas de Radio-Canada» teve um papel importante na preparação deste atelier em coordenação com Claude Robillard, secretário-geral de longa data da FPJQ. Esta última falou-nos do seu profundo desejo de encorajar a diversidade nos Média, assunto ao qual o LusoPresse voltará mais tarde.

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Este congresso anual foi a ocasião de encontrar colegas de todos os horizontes
Foto: Jules Nadeau, LusoPresse

Este congresso anual foi a ocasião de encontrar colegas de todos os horizontes, latino-americanos, europeus - embora poucos asiáticos que se exprimem sobretudo em inglês. Laura-Julie Perrault do jornal La Presse, que co-escreveu o Guide du Montréal Multiple (www.montrealmultiple.com) com um capítulo sobre os Portugueses, estava presente no neste atelier. Do mesmo jornal, revimos igualmente no grande hotel da Baixa o jornalista reformado Gérald Leblanc, autor duma notável série sobre os engenheiros portugueses.

Uma outra das mensagens que Norberto Aguiar queria passar a todos os jornalistas e autores que se interessam pela nossa comunidade é a de não se limitarem a um pequeno número de vedetas, de proprietários de restaurantes ou artistas. De não escolherem ao acaso. «Entre colegas dos médias, podemos facilmente ajudar-nos mutuamente para uma escolha judiciosa dum porta-voz credível».

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Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
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