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rss  Vol. XV - Nº 235         Montreal, QC, Canadá - sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020
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Lisboa, capital mundial

Inês Faro

Por Inês Faro

Portugal - O mapa geopolítico mudou muito desde a Guerra-Fria e da formação da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte) em 1949. O mundo já não é unipolar, nem dominado pelo Ocidente. A crise financeira instalou-se e diversificaram-se as ameaças. Hoje, falar em segurança é muito mais do que falar da guerra tradicional homem vs homem em países com fronteiras delimitadas. Segurança inclui também proteção contra ciberataques, terrorismo e proliferação nuclear. No novo mundo multipolar urge a redefinição de conceitos, princípios e estratégias que há 61 anos uniram os 28 países da Aliança Atlântica. Foi para discutirem o sentido e o futuro de uma das mais importantes organizações regionais que os seus membros se reuniram nos passados dias 19 e 20 de novembro em Lisboa.

 

lisbo a capitaljose socrates
Na reunião da Nato em Lisboa, José Sócrates foi um bom anfitrião, isto apesar da grave crise que Portugal atravessa.

Da cimeira histórica de dois dias na capital portuguesa destacamos os seguintes pontos:

· Definição de um novo conceito estratégico que formaliza uma nova organização, que surge como consequência das "lições da guerra no Afeganistão", a que o secretário-geral da NATO, Anders Rasmussen tanto aludiu. A nova NATO deixa de ser só militar para incluir uma vertente política, sobretudo no que diz respeito à "gestão de crises", ou seja, passa também a preocupar-se com o antes, durante e depois do conflito.

· Negociação sobre a retirada das tropas do Afeganistão. Nove anos após a invasão dos Estados Unidos - numa resposta ao 11 de setembro, discutiu-se o roteiro de transferência das operações de segurança para as autoridades afegãs. A retirada deverá começar já no próximo ano e, se tudo correr como planeado, em 2014, os 130 mil militares em missão abandonarão o Afeganistão. A prioridade da NATO é a formação das forças afegãs que deverão assumir o comando da segurança no país. Com esta medida a organização tenta redimir-se, depois do Afeganistão ter sido considerado "o coveiro da NATO"...

· A possibilidade de encetar novamente um diálogo com a Rússia. A "cimeira" NATO-Rússia marcou o reatar de laços entre os inimigos da Guerra-Fria: "A Rússia é um parceiro desejado, não é um inimigo, nem uma potência rival", segundo as declarações de uma fonte diplomática ao jornal EXPRESSO. O passado já lá vai e sai agora reforçado o apoio de Moscovo à operação afegã da NATO, nomeadamente através da abertura a vias de acesso, fornecimento de material e formação das forças afegãs. A Rússia acordou ainda cooperar no novo sistema de defesa antimíssil, assim como colaborará na defesa das ameaças comuns, como o terrorismo. Mas como de boas intenções está o Inferno cheio, resta esperar para ver...

· Consenso sobre a instalação do escudo de defesa antimíssil que deverá proteger 900 milhões de pessoas da zona euro-atlântica. Esta é acima de tudo uma vitória política que junta a Rússia, a NATO e a União Europeia no que diz respeito a uma estratégia de defesa antimíssil.

· Desentendimentos entre a NATO e a União Europeia. Embora 21 dos 28 países da UE serem também membros da NATO, as duas organizações não entram em acordo quanto à visão da NATO e a sua política externa de defesa e segurança.

· A Turquia, o segundo país mais forte militarmente na Aliança Atlântica, tem uma população cada vez mais resistente às políticas americanas. Por outro lado, como país muçulmano com boas relações com algumas das nações com que a NATO tem dificuldade em dialogar, a Turquia é uma presença fundamental na NATO.

· Portugal na Aliança Atlântica: O primeiro-ministro português garantiu que Portugal vai ter o comando marítimo na nova estrutura militar que a NATO adotará no próximo ano. Se tudo correr como previsto, "Oeiras será o comando naval, que sairá do Reino Unido", segundo José Sócrates

Depois de dois dias da cimeira que paralisou Lisboa, o balanço foi positivo: a cimeira da Aliança Atlântica foi "um sucesso histórico, para a NATO e para Portugal", ao aprovar um novo conceito estratégico, delinear um caminho claro em relação ao futuro do conflito afegão e ainda "abrir uma nova era nas relações entre a NATO e a Rússia", segundo as declarações do primeiro-ministro português.

A NATO está assim decidida a adaptar-se à configuração multipolar do novo mundo, garantindo a sua sobrevivência e fortalecendo os seus compromissos e alianças.

Portugal mostrou estar à altura do acontecimento e por dois dias foi capital do mundo.

Possível legenda para uma fotografia com manifestantes:

Com o slogan "Paz sim, NATO não", contaram-se 8 mil ativistas anti-NATO numa manifestação que desceu a Avenida da Liberdade, que decorreu sem problemas.

O tempo no resto do mundo

Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020