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rss  Vol. XV - Nº 235         Montreal, QC, Canadá - sábado, 04 de Abril de 2020
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Durante o Toronto Forum For Global Cities

Portugal foi o centro de atenção

Duarte M. Miranda

Por Duarte M. Miranda*, em Toronto

Ocorreu em Toronto, entre o domingo, 21 de Novembro e a terça-feira, 23 de Novembro passados, a quarta conferência internacional anual organizada pelo Toronto Forum for Global Cities, o qual eu ajudei a organizar e a fundar e do qual sou Presidente executivo do Conselho Consultivo. A conferência, que teve lugar no Metro Toronto Convention Centre, reuniu mais de 1500 participantes vindos não só do Canadá, como também dos Estados Unidos, da Europa, da América Latina, da Ásia e das Caraíbas. 

martin wolf

Sob o tema "Competindo Rumo a um Futuro Sustentável" (Competing Towards a Sustainable Future), a conferência contou com a participação de cerca de 50 conferencistas e "painelistas", entre os quais estavam personalidades políticas de prestígio mundiais, especialistas internacionais em questões de política pública e dirigentes de empresas e organizações mundiais. O Senhor Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Dr. António Braga, já tinha sido nosso convidado de honra em Fevereiro 2007, na ocasião do jantar de lançamento do Toronto Forum for Glogal Cities. Este ano, para esta quarta edição da conferência, estava prevista e confirmada a participação do Ministro da Economia da Inovação e do Desenvolvimento de Portugal, Dr. José António Fonseca Vieira da Silva, como uma das figuras de maior destaque desse evento. No entanto, infelizmente, para o grande desespero e a grande decepção dos dirigentes do Fórum e dos participantes da conferência, o Senhor Ministro desistiu-se, à última da hora, alegando conflitos de agenda. Estava eu no comboio a caminho de Toronto no sábado, para ir acolher o Ministro ao aeroporto no domingo, quando fui informado desse imprevisto. É importante recordar que vinha apenas de se concluir a Cimeira de Lisboa dos 28 países membros da NATO, que ocorrera a 19 e 20 de Novembro. Foi também ao redor dessas mesmas datas que se agitaram de maneira muito expressiva o frenesim e as preocupações europeias relativas ao desastre económico da Irlanda que iria culminar, poucos dias depois, com o anúncio da intervenção de cerca de ?85 mil milhões do FMI para tentar salvaguardar a economia irlandesa. No entanto, tanto o evento da NATO em Lisboa como os sobressaltos das economias nacionais dos países do tal grupo dos "PIGGS" já eram previstos, quando foi inicialmente acertada a presença do Ministro Vieira da Silva na conferência de Toronto, de forma que a decisão de anular a sua participação, à última da hora, foi, no mínimo, surpreendente. Pelo menos, a desistência do Senhor Ministro não foi tão sentida quanto o que teria recentemente acontecido a um grupo de pessoas de negócio canadianas de Toronto, em visita a Lisboa, e que se depararam com o cancelamento da participação a um jantar oficial de uma ministra do governo Sócrates, através duma chamada telefónica da secretária da tal ministra, uma hora antes do evento, devido a uma enxaqueca...

Mas, voltemos ao Toronto Forum for Global Cities. Os assuntos discutidos envolveram, entre outros, temas sobre a energia, sobre as infra-estruturas e, muito particularmente, sobre a economia mundial. Alguns dos economistas de maior renome presentes na conferência não deixaram de sublinhar a situação preocupante que se alastra por diversos países da Europa. Todos a bem dizer, em suas intervenções e em seus diálogos com os participantes presentes, falaram sobre a situação portuguesa que é tida por todos como muito preocupante. As intervenções, em particular, do Senhor Martin Wolf, comentarista em chefe do Financial Times de Londres, e que era um dos convidados de destaque da conferência, alertou para a crise quase provável que poderá vir a afectar Portugal. Mesmo se os principais índices macroeconómicos da economia portuguesa não são tão alarmantes quanto os da Irlanda, as finanças públicas do nosso país estão em estado mais do que preocupante. Os próximos meses, quiçá semanas, serão extremamente críticas para que Portugal consiga convencer seus parceiros e "provedores" europeus e os mercados de capitais internacionais de que tem a situação sob controlo e de que não necessitará da intervenção do FMI. O défice orçamentário e a dívida pública do país, mesmo se estão longe de serem satisfatórios, parecem, na opinião de vários economistas, como sendo ainda controláveis. Além disso, a banca portuguesa não causa as preocupações que se vêem na Irlanda e que terá sido naquele país a principal causa da debandada que conhecemos. Mas o nosso moribundo continua frágil, quase que em estado de coma... Há alguns meses atrás, o Senhor Martin Wolf escreveu no Financial Times uma matéria intitulada "The risk of lending to grasshoppers" (O Perigo de Emprestar Dinheiro às Cigarras), uma versão moderna da famosa fábula de Jean de la Fontaine, "A cigarra e a formiga". Uma interpretação e tradução portuguesas podem ser encontradas nos seguintes links: (http://economico.sapo.pt/noticias/as-cigarras-e-as-formigas-uma-fabula-moderna_90932.html) e (http://economico.sapo.pt/noticias/as-cigarras-e-as-formigas-explicacao-da-fabula_91450.html). Eu creio que essa análise de Martin Wolf serve bem como base para tentar entender e prever o que poderá vir a acontecer com a economia portuguesa. Voltarei ao assunto numa próxima crónica de "Palavras e Ideias" neste jornal.

* Conselheiro para a internacionalização da economia portuguesa no Canadá

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