logo
rss  Vol. XV - Nº 235         Montreal, QC, Canadá - sábado, 04 de Abril de 2020
arrowFicha Técnica arrowEstatutos arrowArquivos arrowContacto arrowÚltima hora arrowClima

A Quinzena em notícias

Por Carlos de Jesus

Terça-feira, 16 de novembro

Laval: Presidente da câmara apontado do dedo

 

gilles vaillancourt

A onde de choque que assola o mundo municipal do Quebeque, com denúncias e acusações de corrupção entre o mundo da construção e os eleitos municipais acaba de chegar a Laval, cujo presidente, Gilles Vaillancourt, governa a terceira maior grande cidade da província sem oposição, desde os últimos 21 anos. Desta feita a denúncia vem de dois deputados, um do Bloc Québécois, Serge Ménard, que acusa o «Maire» de o ter tentado subornar com 10 mil dólares em notas, e o outro, do Partido Liberal, Vincent Auclair, que alega que Gilles Vaillancourt tentou também uma manobra semelhante, mas com uma quantia que ele ignora porque se encontrava num envelope que ele se recusou a aceitar.

Quebeque: sondagem sobre a corrupção

Uma sondagem da empresa Angus Reid, encomendada pelo jornal La Presse de Montreal, revela que 75% dos quebequenses pensam que a província está minada pela corrupção, dando assim razão ao jornalista Martin Patriquin do semanário «Maclena's» que assinou um artigo panfletário no qual afirmava que o Quebeque é «A província mais corrupta do Canadá».

Quarta-feira, 17 de novembro

Portugal: Ajuda externa descartada

A instabilidade na zona euro está a refletir-se em várias economias e Portugal não é exceção.

 

vitor constancio

O vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, descarta a hipótese de Portugal pedir ajuda externa, mas admite que os mercados possam estabilizar caso a Irlanda decida recorrer ao fundo europeu.

Uma hipótese que muitos economistas dão como certa e que está, hoje, a contribuir para a descida das taxas cobradas pelos investidores para a compra de dívida portuguesa a 10 anos.

Quinta-feira, 18 de novembro

Lisboa: Vésperas da cimeira da OTAN

Segurança apertada na véspera da cimeira da Nato em Lisboa. O Parque das Nações acolhe a partir de amanhã e até sábado cerca de 50 chefes de Estado e de Governo.

Para responder ao grau de ameaça considerado elevado, as autoridades montarem um dispositivo de segurança sem precedentes em Portugal. O controlo por mar, terra e ar foi reforçado. Cerca de 50 pessoas forma impedidas de entrar no país e 11 acabaram por ser detidas.

A aprovação do novo conceito estratégico é um dos pontos-chave da cimeira que vai definir o futuro da NATO ao longo dos próximos 10 anos.

Sexta-feira, 19 de novembro

OTAN: Afeganistão na abertura da Cimeira

Cimeira da NATO, em Lisboa, começa com o Afeganistão como um dos temas centrais.

A Aliança Atlântica prepara a retirada de cerca de 150 mil efetivos, nos próximos quatro anos. Em discussão, questões relacionadas com o calendário da transição, em que a responsabilidade pela segurança no país será transferida para a polícia e exército afegãos.

A intervenção da NATO no país começou após o 11 de setembro, em 2001, quando os talibãs recusaram entregar o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden. Desde então centenas de soldados ocidentais perderam a vida no território e milhões de euros foram gastos.



Barack Obama: Centro das atenções 

cimeira otan lisboa

Barack Obama é o centro das atenções em Lisboa. O presidente norte-americano chegou à capital portuguesa esta sexta-feira de manhã e foi de seguida recebido pelo homólogo anfitrião Aníbal Cavaco Silva no Palácio de Belém.

Depois de Belém o homem forte da Casa Branca deslocou-se até ao Palácio de S. Bento onde o esperava o primeiro-ministro português José Sócrates.

Numa reunião relâmpago os dois falaram sobre economia e, como não poderia deixar de ser, sobre o Afeganistão com Obama a agradecer o envolvimento das tropas portuguesas naquele cenário de guerra.

Sábado, 20 de novembro

Lisboa: Protestos contra a OTAN

Em nome da paz e contra a OTAN, milhares de pessoas desfilaram pela Avenida da Liberdade, em Lisboa. Entre bandeiras, cartazes, carros alegóricos e palavras de ordem são várias as mensagens dos manifestantes, vigiados de perto pelo olhar atento da polícia e por um helicóptero que patrulha o local.

O receio de desacatos levou muitas lojas da principal artéria lisboeta a reforçarem a segurança, mas até ao momento os protestos estão a decorrer, aparentemente, sem problemas.

Os manifestantes derramaram tinta vermelha no chão, num ato simbólico daquele que consideram ser o sangue derramado nas ações bélicas da OTAN.

As autoridades estão mobilizadas em força, para evitar a repetição dos violentos protestos anti-OTAN que marcaram a última cimeira da Aliança Atlântica, na cidade francesa de Estrasburgo.

Domingo, 21 de novembro

OTAN: Acordo histórico com a Rússia

Pela primeira vez na história, os dois blocos antagónicos da Guerra-Fria vão cooperar no domínio da defesa. A cimeira de Lisboa testemunhou "o começar de novo" das relações entre a Rússia e a NATO que vão passar a colaborar no sistema de defesa antimíssil.

A instalação de um novo sistema de defesa antimíssil em território europeu consiste numa rede de radares e intercetores móveis capazes de deter mísseis de médio e longo alcance, como os que são, alegadamente, desenvolvidos pelo Irão.

Teerão não se cansa de mostrar os progressos em matéria de mísseis. Um dia antes da cimeira, o regime anunciou ter "testado com êxito" uma versão de melhor qualidade do sistema de mísseis antiaéreos S-200, desenvolvido depois de Moscovo se ter recusado a entregar uma encomenda.

A Rússia estima que Teerão não pode desenvolver um míssil com um alcance de dois a três mil quilómetros. Os Estados Unidos não pensam o mesmo.

Vaticano: Papa e os preservativos

 

papa

Bento XVI admite a utilização do preservativo "em certos casos". Pela primeira vez um Papa aceita o uso deste contracetivo como forma de "reduzir os riscos de contaminação do vírus da sida".

As afirmações constam do livro "Luz do Mundo" escrito a partir de entrevistas do jornalista alemão Peter Seewald com o Pata Bento XVI, no qual fala também sobre os padres pedófilos.

No entanto, o Papa diz que o preservativo "não é o caminho para se acabar com a infeção do HIV" que, segundo ele, passa por "humanizar a sexualidade" e não "banalizá-la".

Segunda-feira, 22 de novembro

Irlanda: Pedido de ajuda financeira

O primeiro-ministro irlandês deverá formalizar o pedido de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional para salvar o país. Brian Cowen dá o passo apesar das reticências das últimas semanas devido ao receio das imposições dos diferentes organismos.

O chefe do governo segue assim os conselhos das instituições comunitárias e do ministro irlandês das Finanças, Brian Lenihan.

O montante da ajuda não está claro. Os analistas avançam valores entre os 40 mil e os 120 mil milhões de euros, um número superior ao apoio financeiro atribuído à Grécia.

Terça-feira, 23 de novembro

Coreia: O Norte ataca o Sul

A ilha sul-coreana de Yeonpyeong foi atingida por tiros de obus vindos da Coreia do Norte. A televisão sul coreana fala de dezenas de casas em fogo. Testemunhas referem que várias casas terão sido destruídas pelos tiros.

Há notícia de feridos civis e militares. Os residentes da ilha estão a ser encaminhados para bunkers.

O exército sul-coreano já começou a ripostar e mantém-se em alerta máximo. O governo de Seul convocou uma reunião de emergência do gabinete de segurança do país.

A Coreia do Norte e a Coreia do Sul estão tecnicamente em guerra há mais de cinco décadas, mas o conflito armado tem sido evitado. Desconhece-se o que estará na origem deste ataque.

Quarta-feira, 24 de novembro

Portugal: A maior greve de sempre

a maior greve em portugal

A greve geral desta quarta-feira, em Portugal, afetou quase todos os transportes públicos, sobretudo nas grandes cidades. O Metro não abriu as portas em Lisboa, os comboios quase não circularam e os aeroportos estiveram praticamente paralisados.

Para os dirigentes sindicais da CGTP e da UGT, o balanço desta jornada de luta é bastante positivo. Foi a primeira vez desde 1988 que as duas centrais sindicais se uniram no apelo à greve. Um protesto não só contra as medidas restritivas do Orçamento de Estado, mas sobretudo contra as políticas económica e social do governo socialista. Mas todas as greves têm uma leitura diferente por parte dos sindicatos e do governo. As centrais sindicais falam de adesão de cerca de 80% nos serviços públicos, o executivo apresentou um cálculo que não vai além dos 20% e, para a ministra do Trabalho, foi uma greve tranquila. Para a CGTP e a UGT foram cerca de três milhões de trabalhadores portugueses que pararam esta quarta-feira.

Coreia: Alta tensão na península

A tensão na península coreana é grande. O presidente norte-americano declarou que vai reforçar os treinos militares com a Coreia do Sul e que Pyongyang é uma ameaça que precisa de ser resolvida.

Obama esteve reunido com os principais responsáveis pela segurança e garantiu que todas as opções estão em aberto e que vai estar em contacto com o homólogo coreano Lee Myung-bak.

Os ministros da Defesa da Coreia do Sul e dos Estados Unidos vão manter "consultas estreitas".

Washington já ordenou a um porta-aviões para se dirigir para a zona. Os dois países vão realizar treinos militares conjuntos no domingo.

Quinta-feira, 25 de novembro

Irlanda: 25 mil funcionários para a rua

Os irlandeses estão em choque face aos sacrifícios que lhe são pedidos para combater a crise em que o país mergulhou. Os sindicatos falam de injustiça, os analistas duvidam da retoma económica do país.

O plano de austeridade visa recuperar 15 mil milhões de euros nos próximos quatro anos. Uma parte desse montante vai sair da redução geral do preço por hora pago aos trabalhadores, da redução dos salários da função pública e de cortes nos benefícios sociais. Para além destas medidas, o governo será ainda obrigado a suprimir 25 mil empregos na função pública e a aumentar os impostos.

A crise financeira transformou o tigre celta da economia europeia, num dos mendigos da zona euro.

A revolta dos irlandeses deverá exprimir-se numa manifestação de "resistência" convocada pelos sindicatos para o próximo sábado.

Sexta-feira, 26 de novembro

Rio de Janeiro: guerrilha entre os gangs e a polícia

Intensifica-se a guerra entre os gangs e a polícia nas favelas do Rio de Janeiro. Mais de uma dezena de pessoas foi morta. A polícia abateu 23 traficantes de droga. O exército deslocou para o local carros blindados que estão a ser apoiados por helicópteros.

Dezenas de veículos têm sido queimados nos últimos dias. As forças de segurança concentram agora as atenções na favela de Vila Cruzeiro, onde suspeita que se reagruparam os narcotraficantes, após a instalação de unidades de polícia em 13 favelas vizinhas.

Os habitantes vivem aterrorizados: Esta nova onda de violência começou no sábado com ataques às esquadras de polícia. As autoridades acreditam que estas ações estão a ser comandadas por um grupo de traficantes detidos numa prisão do Rio de Janeiro.

O Brasil tem pela frente o gigantesco desafio de garantir a segurança nas cidades antes de receber o Campeonato do Mundo de Futebol, em 2014.

Sábado, 27 de novembro

Portugal: Aprovado orçamento para 2011

Sem surpresa, o parlamento português aprovou ontem, em votação final, o Orçamento de Estado.

O PSD absteve-se, tal como já tinha acordado com o Governo. Apesar disso, quatro deputados do PSD, eleitos pela região autónoma da Madeira, votaram contra.

Todos os outros partidos votaram contra. À esquerda, PCP e Bloco de Esquerda, à direita o CDS.

O voto contra de quatro deputados da Madeira já era esperado. O orçamento foi aprovado, um dia depois de uma greve geral, contra a política de austeridade.

Domingo, 28 de novembro

Desporto: Os Alouettes ganham a Taça Grey

Com um resultado sempre à beira do empate desde o início do jogo, o clube de futebol-americano Les Alouettes, acabou por vencer a partida com uma vitória in extremis de 28 a 27 contra os Roughriders da Saskatchewan, no estádio de Calgary.

Segunda-feira, 29 de novembro

Comunidade: Português faz manchete

 

eduardo estrela com o agronomo michel frem na sua quinta

No suplemento negócios do jornal «La Presse», de Montreal, um empresário português, de Sainte-Hélène-de-Bagot, faz a manchete com o título «O Rei da codorniz na América do Norte».

Pela pena do jornalista Stéphane Champagne, ficamos a saber que Eduardo Estrela e a sua família, esposa, filho, filha, genro e cunhados fazem parte desta empresa que teve a desgraça, há pouco mais de um ano, de ser vítima de prejuízos importantes devido a um incêndio cuja seguradora recusa pagar. Não obstante, toda a família investiu as suas economias e a empresa começa a ganhar a vitalidade anterior com 60 mil aves abatidas por semana. A maioria dos clientes vem dos Estados Unidos. A empresa que já contou com 75 empregados, conta agora com 55 mas mantêm o objetivo de produzir 5 milhões de codornizes por ano.

Terça-feira, 30 de novembro

Haiti: Eleições presidenciais

As eleições presidenciais no Haiti foram validadas pelos observadores internacionais. Mas a situação no terreno é confusa.

Ontem, a população saiu à rua em várias cidades, para reclamar a anulação do voto. A Organização dos Estados Americanos considera que não há razões para voltar atrás. O chefe da missão de observadores anunciou que "nos onze departamentos eleitorais as irregularidades e os incidentes denunciados são importantes mas não invalidam o processo".

Doze dos dezoito candidatos à presidência do Haiti apelaram às autoridades para anular o escrutínio. Mas, entretanto, alguns atenuaram as críticas. A candidata Mirlande Manigat afirmou que participará na segunda volta, caso consiga o número de votos necessários. O músico Michel Martelly está bem posicionado para lutar pela chefia de Estado e declarou que os votos devem ser contados.

A população no Haiti enfrenta o dia-a-dia com graves dificuldades. Além do rasto de destruição deixado pelo tremor de terra, um surto de cólera matou recentemente duas mil pessoas. A segunda volta das presidenciais está prevista para 16 de Janeiro.

Quebeque: PQ ganha Kamouraska

O descontentamento popular contra o governo liberal de Jean Charest fez-se sentir no resultado das eleições parcelares na circunscrição de Kamouraska.

Considerada como uma praça-forte liberal, pelo menos desde os últimos 25 anos, e na qual se fez a legenda do falecido deputado e ministro Claude Bachand, levado na flor da idade pela doença que não perdoa, o resultado, mais do que uma derrota liberal (36% dos votos) é uma vitória pessoal para a líder pequista, Madame Pauline Marois (37% dos votos), cuja liderança tem vindo a ser contestada pela ala mais nacionalista do seu próprio partido. O partido da Ação Democrático, também conseguiu puxar a brasa à sua sardinha com 23% dos votos. O Partido Quebeque Solidariedade mais uma vez mordeu o pó da arena com apenas 3 por cento dos votos exprimidos.

O tempo no resto do mundo

Acordo Ortográfico

Apesar das resistências encontradas na imprensa portuguesa em geral, o LusoPresse decidiu adoptar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa pelas razões que já tivemos a oportunidade  de referir noutro local.

Todavia, estamos em fase de transição e durante algum tempo, utilizaremos as duas formas ortográficas, a antiga e a nova.   Contamos com a compreensão dos nossos leitores.
 
Carlos de Jesus
Diretor

 
LusoPresse - 2020