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O desencanto dos centristas... «socialistas»?

Fernando Pires

Por Fernando Pires

As próximas eleições para a Presidência da República estão à porta, a esquerda democrata tarda a se levantar em nome do futuro de Portugal, dado que este está a ser arrastado para o abismo obscurantista do fatalismo e da indiferencia. Qual é o motivo que nos leva a fazer esta afirmação? Talvez seja o facto de dois companheiros históricos de luta, que foram Mário Soares e Manuel Alegre, não poderem ser capazes de ultrapassar barreiras que impedem o país de avançar para o progresso, que não deve ser travado por teimosia, argumentando, como o afirma o ex-Presidente da República: "tenho uma coisa que é importante, que é a minha consciência". Como se a consciência estagnasse no tempo!

 

o desencanto manuel alegre

Para o Dr. Soares, que outrora estudou filosofia, em tempos que correm, deveria estar para além da tal "consciência", sem ser necessário abdicar do conceito de estar consciente, que também é socialista.

Apesar de tudo isto, devo dizer que mantenho admiração e consideração, pelo ex-presidente, pela sua coragem e determinação que teve, para ajudar a libertar Portugal em prol da liberdade e do caminho para o SOCIALISMO.

O 25 de Abril deve muito a três homens como resistentes à ditadura, são eles: (não esquecendo evidentemente milhares de outros) Álvaro Cunhal, Mário Soares e Manuel Alegre.

Manuel Alegre, candidato à Presidência da República, destacou-se na função política que lhe coube na Argélia, encabeçando aí, a Frente Patriótica de Libertação Nacional, depois de forçado ao exílio.

O país precisa neste momento de um presidente que esteja à altura dos problemas que atualmente Portugal atravessa. Precisa de alguém que tenha craveira de chefe de Estado, e esteja acima de todas as correntes ideológicas, presidindo um Portugal de todos os portugueses. E disso, Alegre tem dado provas, não só como ex-presidente da Assembleia da República, mas também como iniciador do Movimento de Intervenção e Cidadania, afirmando ao mesmo tempo, defender a Constituição, lei suprema do país, que só ela é guarda dos valores do Estado social.

Como pode o Dr. Soares não ser solidário com um companheiro de luta, que outrora, rodeado de Alegre, Zenha, e Lopes Cardoso, o ajudaram a romper a barafunda no primeiro de Maio de 1975, no atual estádio que pertence à Inatel, para ele poder fazer o seu discurso à multidão que o iria ouvir, e mais tarde ser primeiro-ministro?

É possível que os não iniciados em POLITICA, ou desprovidos de cultura desta, digam que o homem de letras e poeta, nunca será um bom presidente. Portanto, já vários homens de letras presidiram os destinos de países. Exemplos: Teófilo Braga, poeta e filosofo, Léopold Senghor, poeta, Vaclav Klaus, poeta, e quantos outros...

Ora Manuel Alegre sendo poeta, já mostrou as linhas com que se cose em declarações públicas que tem feito, não "mandando recados! por" Marcelo Rebelo de Sousa.

Isso mostrou-o na entrevista que deu na emissão: "Gente que conta", quando o jornalista lhe perguntou o que ele teria feito se fosse presidente. Respondendo "mas eu não sou presidente".

Se fosse: antes, teria convocado um Conselho de Estado, teria convocado os partidos políticos, teria convocado os parceiros sociais e empresários, ter-me-ia deslocado ao estrangeiro, sobretudo à Alemanha e à França, porque Portugal foi tratado injustamente.

Segundo a revista do Diário de Notícias, o Dr. Soares teria ganho as eleições em 1975 com os discursos que Alegre e Zenha fizeram no comício do Pavilhão dos Desportos em Coimbra. Visto isto, não terá Mário Soares uma dívida política para com Alegre? Espera-se, então, que haja outros apoios socialistas para além do ex-Presidente Jorge Sampaio, Carlos César, e a Juventude Socialista, ajudando Alegre a vencer à segunda volta. Para isso seria preciso que o ex-Presidente convencesse os Velhos do Restelo a não fazerem ondas ajudando assim indiretamente o professor Cavaco Silva a ganhar.

Resumindo, não podemos aqui deixar de notar o gesto de apoio de "consciência" manifestado por João Soares, Alfredo Barroso e Almeida Santos à candidatura de Manuel Alegre.

Escreve o filósofo Soren Kierkgaard que "o degrau de "consciência vai crescendo ou, à medida que cresce, ele é a constante elevação da potência do desespero: quanto mais a consciência for desenvolvida, mais o desespero é intenso". O sublinhado é nosso.

Ref.: Soren Kierkgaard, "De La Maladie à La Mort", les Intégrales de philo, Nathan, Octobre 2006, France.

Diário de Notícias: entrevista "Gente que conta", 24 de outubro 2010.

Revista NS, 230, Diário de Notícias N-369, 5 de junho 2010

MONTREAL, 9/11/2010.

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As próximas eleições para a Presidência da República estão à porta, a esquerda democrata tarda a se levantar em nome do futuro de Portugal, dado que este está a ser arrastado para o abismo obscurantista do fatalismo e da indiferencia.
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