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Língua Portuguesa:

Países lusófonos deviam ter dicionário, gramática e vocabulário comuns

 

jaime gama
Jaime Gama

Lisboa - O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, defendeu a criação de um dicionário comum aos oito países lusófonos e alertou para a necessidade de se apostar na coordenação dos vários institutos de língua portuguesa.

"Não existe um dicionário ou uma gramática em língua portuguesa cientificamente adaptada das comunidades linguísticas da CPLP. Um vocabulário científico e técnico também não existe e são essenciais para a sedimentação de um espaço da comunidade portuguesa", afirmou.

O presidente do Parlamento falava na sessão de abertura do encontro internacional "Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas num Universo Globalizado", que decorreu na última semana de outubro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Jaime Gama defendeu ainda a necessidade de se concertarem os institutos que promovem a língua portuguesa "e que continuam descoordenados".

"Temos de passar a investir mais para que o português não nasça de geração espontânea. O português precisa de ter uma projeção mais arrojada", defendeu.

O presidente do Parlamento sublinhou que, por vezes, "não se trata de uma questão de dinheiro", mas sim de conseguir uma "organização mais adequada dos meios disponíveis".

"A língua é o nosso grande património, tem gerado e gera procura", sublinhou.

Jaime Gama destacou ainda o crescimento que o português tem no mundo, afirmando que "tem gerado um mercado de procura e não de rejeição".

O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, que interveio em representação do ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, alertou para a necessidade de se formar mais tradutores e professores.

"Além da urgência na formação de professores, deve reforçar-se a presença na Internet. Não é possível conceber fronteiras que limitem a mundialização do português", defendeu.

Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral da União Latina, José Luís Dicenta, entidade que organizou o encontro internacional, destacou a "enorme força cultural e territorial" do português.

"A União Latina viu-se obrigada a apoiar a difusão da língua portuguesa, que não ocupa o posto que merece na comunidade internacional", acrescentou.

José Luís Dicenta defendeu ainda que se deve "apelar à consciência das organizações internacionais para a necessidade de reconhecerem o português como língua de trabalho".

Com o alto patrocínio do presidente da República e do presidente da Assembleia da República, o encontro internacional "Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas num Universo Globalizado" debateu temas como "O Valor Económico da Língua Portuguesa", "Diáspora e Imigração" e "Ciberespaço Lusófono: Como Forma de Difusão e de Divulgação da Língua - Internet e Novas Tecnologias".

Língua Portuguesa
O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, defendeu a criação de um dicionário comum aos oito países lusófonos e alertou para a necessidade de se apostar na coordenação dos vários institutos de língua portuguesa.
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